Presidente do Real é benfiquista, mas só pensa em eliminar as águias

Apesar de reconhecer que a tarefa é bem complicada, o líder Adelino Ramos confia que o emblema de Massamá, a militar no terceiro escalão, pode fazer história nesta noite no Restelo contra o seu clube de infância

O Real Sport Clube está a poucas horas de disputar o jogo mais mediático na sua história de 65 anos. O presidente Adelino Ramos reconhece "alguma ansiedade" para o encontro com o Benfica, marcado para esta noite (19.00, SportTV1) no Estádio do Restelo, a contar para os oitavos de final da Taça de Portugal.

"É uma experiência nova para nós, pois vamos defrontar uma dos melhores clubes nacionais e mesmo mundiais. Não estou dentro da cabeça dos jogadores, mas certamente estão cientes de que será uma montra para eles e por isso estarão um pouco mais nervosos do que o habitual. De qualquer forma, convém não exagerar e por isso não o encaramos como o jogo da nossas vidas", começa por referir, ao DN.

O líder do clube da Linha de Sintra acredita numa surpresa. "Temos a clara noção do desnível que existe entre nós e o Benfica, mas vamos dar tudo dentro de campo e tenho a certeza de que podemos fazer frente ao Benfica. O prémio de jogo? Ainda não falámos desse assunto com os jogadores, mas uma equipa do terceiro escalão eliminar um grande seria um feito quase sem precedentes no futebol nacional e pouco habitual no futebol internacional, por isso estaremos a falar de um prémio mais elevado do que o habitual", sublinha. Recorde-se que, na terceira eliminatória, o Benfica só eliminou o 1º de Dezembro, também do terceiro escalão, com um golo de Luisão aos 90+6 minutos, marcou o golo que evitou o prolongamento. E nesta edição, o Real já afastou o Arouca, da I Liga, e o Olhanense, da II Liga...

Adelino Ramos lamenta não poder receber o Benfica em Massamá. "É uma pena, mas o nosso estádio não tinha as condições mínimas para acolher este evento e para jogarmos lá teríamos de fazer um grande investimento imediato. De qualquer forma, vamos jogar no Restelo como se estivéssemos em nossa casa e contamos com o apoio de cerca de 3000 a 3500 adeptos", anuncia. Número bastante superior à assistência média nos jogos em casa no Campeonato de Portugal (entre 500 e 1000 espectadores).

E quem sabe se nas bancadas do Restelo não estará um adepto muito especial: Nani, o mais mediático produto da formação do Real, que representou entre os 9 e os 15 anos (antes de se mudar para o Sporting). "Enviámos-lhe um convite para o jogo e tínhamos muito gosto que ele acedesse. Não sei, no entanto, se terá hipóteses de se deslocar a Portugal...", revela o presidente, acrescentando que o internacional português ainda contacta com responsáveis que se mantêm no clube desde aquele tempo.

Curiosamente, Adelino Ramos é um fervoroso adepto dos encarnados. "Desde pequenino que sou do Benfica, por influência familiar, mas amanhã [hoje] não tenho o coração dividido. Sou 200 por cento do Real", garante, estabelecendo o desejo de que as águias apresentem uma equipa próxima da máxima força - algo que não deve suceder, pois Rui Vitória vai dar oportunidade a jogadores habitualmente não titulares (ver caixa).

A equipa de Massamá é orientada por Filipe Martins, de 38 anos, que vive a primeira experiência como técnico principal numa equipa sénior, depois de ter treinado os escalões jovens do Belas e do Real. E, para já, tem realizado um trabalho brilhante, pois a equipa é líder incontestada da Série G do Campeonato de Portugal, com seis pontos de avanço sobre o Sintrense.

O objetivo de subir à II Liga está bem encaminhado e Adelino Ramos não duvida de que o clube está pronto para esse escalão. "Quem assiste aos nossos jogos é testemunha da alta qualidade do nosso jogo, com um plantel formado por uma maioria de jovens promissores, mesclada com alguma experiência, sendo que quase todos os jogadores são profissionais. Temos um bom Complexo Desportivo, com condições de trabalho que muitos clubes da II Liga não têm. Acredito que, com um ou outro ajuste no plantel, teremos qualidade suficiente para competir no segundo escalão", defende.

Foi no final da época de 2006/07 que o Real mais perto esteve de se estrear numa competição profissional, mas acabou por ser derrotado pelo Fátima no play-off de acesso à Liga de Honra. Um Fátima onde então era treinador... Rui Vitória, o atual técnico do Benfica.

Por fim, um desabafo, e um pedido, de Adelino Ramos sobre o nome do clube. "Passamos constantemente para a comunicação social a mensagem de que o nosso nome é Real Sport Clube. Compreendemos que, por uma questão de identificação geográfica, as pessoas digam Real de Massamá, mas mais uma vez fazemos o apelo para que não se enganem no nosso nome", pede.

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