Presidente do comité organizador dos Jogos de Tóquio demite-se após comentários sexistas

Yoshiro Mori tinha defendido um limite para o tempo de fala das mulheres durante as reuniões

O presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio2020, Yoshiro Mori, anunciou esta sexta-feira a demissão após a controvérsia desencadeada pelos seus comentários sexistas na semana passada, durante uma reunião da liderança do organismo.

"Demito-me do cargo de presidente do comité", disse Mori.

O ex-primeiro-ministro japonês, de 83 anos, fez o anúncio numa reunião com os membros do conselho e a direção executiva do organismo responsável pela organização de Tóquio 2020, convocada para discutir as consequências dos comentários de Mori e da qual também se espera uma decisão sobre o sucessor.

Na terça-feira, o Comité Olímpico Internacional (COI) já tinha classificado como "absolutamente inapropriados" e contrários à política do organismo os comentários ofensivos sobre mulheres feitos pelo presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Yoshiro Mori defendeu que as mulheres têm dificuldade em ser concisas, observando que os membros femininos do órgão a que preside "sabem colocar-se no seu lugar".

As declarações do responsável máximo do comité organizador da próxima edição dos Jogos Olímpicos (JO), adiada para 2021 devido à pandemia de covid-19, foram feitas durante uma reunião com o Comité Olímpico do Japão, aberta à comunicação social e reproduzidas pelo diário Asahi Shimbun.

"As reuniões dos conselhos de administração com a presença de muitas mulheres demoram demasiado tempo. Se for aumentado o número de membros femininos e o tempo de intervenção não for limitado, será mais difícil concluí-las, o que é irritante", sustentou Mori.

"As mulheres têm espírito competitivo. Se uma levanta a mão [para poder intervir], as outras sentem-se na obrigação de se exprimirem também. É por isso que todos acabaram por falar", acrescentou.

Um dia depois de ter proferido os comentários, Mori pediu desculpa e considerou-os "contrários ao espírito olímpico", mas afastou a hipótese de uma demissão imediata, que começou a ser pedida nas redes sociais.

Questionado sobre se tencionava abandonar o cargo, por causa da polémica, Mori recusou à partida essa possibilidade, mas acrescentou: "Se todos me disserem que estou a incomodar, então deverei pensar nisso".

Cerca de 400 voluntários desistiram de dar apoio aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, previstos para o verão, e o comité organizador tem recebido milhares de queixas sobre as declarações de Mori, bem como críticas de patrocinadores.

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