Prémio de um milhão coloca Neymar e Cavani em colisão

Segundo o jornal L"Équipe, uruguaio recebe bónus caso consiga (voltar a) ser o melhor marcador na liga francesa, e por isso quer bater livres e penáltis. Desejo colide com o brasileiro

Correram mundo as imagens do desentendimento entre duas das estrelas mais cintilantes do Paris Saint-Germain (PSG), Neymar e Edinson Cavani, que desejavam bater o penálti que acabou por ser apontado pelo uruguaio e defendido pelo guarda-redes português Anthony Lopes na receção de domingo ao Lyon (2-0), em jogo da liga francesa. Minutos atrás, antes da execução de um livre, Cavani mostrara o desejo de pegar na bola, mas Daniel Alves agarrou-a e entregou-a ao compatriota, que em 2010 já tinha protagonizado uma situação idêntica no Santos, tendo chegado mesmo a insultar o treinador Dorival Júnior.

A discussão foi bem visível no interior das quatro linhas e, segundo o jornal L"Équipe, com base em fonte interna do emblema parisiense, continuou após o apito final. Os dois avançados terão estado muito perto de trocar agressões, algo foi evitado apenas pela intervenção de outros elementos do plantel, nomeadamente o capitão Thiago Silva e o também central brasileiro Marquinhos. Também de acordo com o diário desportivo francês, a situação terá motivado uma saída precipitada do balneário por parte do antigo artilheiro de Palermo e Nápoles, rumo ao seu carro, apenas 20 minutos depois de o encontro ter terminado, já após ter confrontado o ex-craque do Barcelona e de lhe ter dito que não tinha gostado do que se tinha passado no relvado.

O L"Équipe adianta que o verdadeiro problema entre os dois está relacionado com... dinheiro, uma vez que Cavani terá amealhado um milhão de euros por ter sido o melhor marcador do campeonato na época passada e quer repetir o feito esta temporada. Con-tudo, e ainda que se desconheça se Neymar tem cláusula similar, o brasileiro terá pelo menos a motivação de querer ganhar a Bola de Ouro, algo que para ele só será possível se for visto como a principal estrela do PSG e se tiver um registo de golos ao nível do que Lionel Messi e Cristiano Ronaldo têm vindo a apresentar. Deste modo, a marcação de grandes penalidades e livres diretos provoca tensão entre os dois jogadores da equipa de Unai Emery.

Se Neymar deixou Camp Nou para sair da sombra de Messi, a última coisa que o brasileiro quer é viver novamente na sombra de outro jogador, sobretudo um que nem tem entrado nas contas da Bola de Ouro. E mesmo na Catalunha, o internacional canarinho contou com onze cedências do argentino para que pudesse executar grandes penalidades, tendo sido feliz apenas em seis tentativas.

Neymar terá pedido saída de Cavani

O novo camisola 10 do PSG está apenas há mês e meio no Parque dos Príncipes. Mas, segundo o jornal desportivo catalão Sport, sentiu-se com a confiança necessária para pedir a saída de Cavani ao dono do clube, Nasser Al-Khelaifi. O uruguaio terá ficado com uma posição fragilizada no balneário parisiense, composto por cinco brasileiros (incluindo o capitão), e poderá mesmo rumar a outras paragens nas próximas duas janelas de mercado. O Atlético Madrid até já mostrou interesse, mas é pouco provável que a transferência se faça em janeiro, uma vez que o jogador já não poderá alinhar por outro clube na Liga dos Campeões.

E enquanto os detalhes da desavença entre os sul-americanos vão sendo revelados, sucedem-se as reações. O polémico avançado italiano Mario Balotelli, que alinha nos franceses do Nice, colocou-se do lado de Cavani. "Neymar, não devias sequer pedir para os marcar", escreveu no Instagram.

Por outro lado, há quem culpe o treinador, que segundo a imprensa espanhola terá os dias contados em Paris caso não seja campeão e chegue pelo menos às meias-finais da Champions. "No futuro, Neymar será o líder do PSG, mas Unai Emery deverá intervir seriamente ou Neymar acabará a organizar os treinos e a escolher a equipa. O que se está a passar no PSG é um autêntico escândalo", atirou o antigo avançado gaulês Dugarry, em declarações à Radio Montecarlo. "É um banana. Não definiu quem ia bater . E o treinador que faz isso é desorganizado. Ele tem de voltar para o Sevilha, não serve para lá", afirmou o técnico brasileiro Muricy Ramalho, à Sport TV do seu país.

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