"Já chega da fase do 'coitadinho'. Estou para durar"

Rescindiu o contrato com a Juventus e trabalha cinco horas por dia para recuperar de mais uma lesão. A terceira, sempre no joelho maldito, o esquerdo. Jorge Andrade não quer ouvir falar de operações nem de anestesias, quer regressar em força e garante que está para durar. E já tem contactos com clubes portugueses e estrangeiros.

Fala da sua carreira já longa. Dos tempos do Estrela, do FC Porto. Explica porque não foi para o Benfica e para o Sporting. Recorda ainda os tempos passados em Espanha e em Itália, os treinadores que o marcaram e elege Scolari como o homem que apostou em si "cegamente". Fala desta selecção, do capitão Ronaldo e acredita que voltará a ser convocado.

Depois de muitos meses de negociação, rescindiu, amigavelmente, com a Juventus. A rescisão rendeu-lhe 3, 5 milhões de euros. Além disso, foi um alívio?

Foi um ciclo que se fechou. Foi uma rescisão amigável e estou muito contente por regressar ao futebol com mais tranquilidade, concentrado apenas na minha recuperação.

Arrependido de ter ido para a Juventus?

Não. Considero até que, até à lesão, estava correr muito bem.

Nem depois dos dirigentes da Juventus porem em caso a sua longevidade profissional, dando-o por acabado para a modalidade?

Não faço disso um ponto de referência da passagem pela Juventus.

Ainda vai jogar ao mais alto nível?

Acredito que é possível voltar ao nível em que estava antes da lesão. E acredito porque continuo a gostar muito de jogar futebol e a sentir muito a falta do futebol.

Já tem convites do mercado?

Felizmente, nunca me faltaram convites. Desde o tempo do Estrela da Amadora. Quando tive a primeira lesão, fui contactado mesmo ainda antes de estar recuperado. E agora a mesma coisa.

Convites de clubes portugueses?

Já fui contactado por portugueses e por estrangeiros. Clubes que acreditam na minha recuperação, mas trata-se apenas de contactos. Por enquanto, estou absolutamente concentrado na minha recuperação e só depois pensarei no resto.

Quando saiu do Corunha disse que não pensava regressar a Portugal tão cedo. E agora?

Vamos ver. Não é imperativo regressar a Portugal. Acima de tudo, o que preciso mesmo é de jogar. Estou há um ano parado e quero jogar. Nesse sentido, procurarei o clube que me der melhores condições para o fazer.

Em Portugal só os três grandes?

Sim e não. Ou seja, tudo depende das apostas e dos projectos que os clubes tenham. Por enquanto não há nada que me permita falar de casos concretos.

O FC Porto teria prioridade?

O FC Porto é uma referência na minha carreira e sinto muito orgulho pelo que fiz lá. Se estiver ao mais alto nível competitivo, seguramente terei possibilidade de ir para grandes clubes e de interessar a clubes com o estatuto do FC Porto. Gosto muito do clube, mas antes de mais tenho que estar numa grande forma física.

Já há dinheiro nos três grandes para lhe pagar?

Sempre tiveram jogadores estrangeiros a ganhar mais do que eu.

Nem por um momento duvida de que vai jogar na próxima época...

Não. Tenho muito tempo até final desta época para acabar a recuperação, de forma a estar de volta no princípio da próxima pré-época.

O contrato da vida foi feito ou vai ficar por fazer?

É sempre o próximo.

E o próximo será o último?

Não tenho uma data fixa para pôr termo à carreira. Agora penso apenas no próximo ano e em jogar ao mais alto nível e regularmente. Já chega de 'coitadinho do Jorge, coitadinho do Jorge'. Não ponho metas. Estou para durar.

Em 2007 disse que sabia que tinha muitos títulos para ganhar. Ainda não os ganhou. Acha que ainda vai a tempo?

Claro. O meu rendimento nos clubes por onde passei e na selecção portuguesa são uma vitória para mim e muito importante. Lamento as lesões, até porque acredito que poderia dar uma contribuição importante nas provas da selecção nacional. Apesar de não ter títulos, e de, por exemplo, não ter as taças conquistadas por outros colegas, sinto que sou prestigiado.

Mais uns meses no FC Porto e teria sido campeão com Mourinho...Saiu na altura errada?

Podia ter ficado e ganhar os campeonatos, mas era uma oportunidade que não podia ser perdida. E por um lado orgulho-me de ter saído, porque os meus colegas precisaram de ganhar para sair. Eu saí sem precisar de ganhar nada, em consequência apenas da minha capacidade individual e da minha regularidade.

O campeonato português é tão mau quanto alguns dizem?

O futebol português está entre o futebol espanhol e o italiano. Não é tão aberto quanto o primeiro nem tão táctico quanto o "calcio". É uma mistura dos dois e isso leva a que os jogadores espanhóis que jogam em Portugal tenham algumas dificuldades de adaptação. Veja o caso dos espanhóis do Benfica.

Foi ver o FC Porto-Manchester ao Dragão. É impossível lutar muito tempo contra os grandes orçamentos?

Foram dois jogos bastante diferentes. Em Inglaterra, o Manchester confiou, jogou aberto e permitiu ao FC Porto dois golos e até deu a ideia de que o FC Porto foi superior. No Dragão, o Manchester não deu espaço. E depois marcou muito cedo.

Foi o golo mais bonito que viu Ronaldo marcar?

O mais bonito que lhe vi marcar foi no Portugal-Azerbaijão e acabou por ser anulado. Um pontapé de bicicleta fantástico, marcado no Bessa.

Aproveitou para falar com o presidente portista?

Não, não falámos.

Que equipas gostaria de ver na final da Champions?

Manchester e Barcelona.

Por já não ser a primeira nem a segunda, está a ser a pior recuperação de todas?

A princípio senti-me muito fragilizado, mas a partir do momento em que o joelho começou a responder, fiquei bastante mais optimista.

Quantas horas de reabilitação por dia?

Quatro a cinco horas.

Tem sido acompanhado por um psicólogo?

António Gaspar, que conheço des- de os tempos da selecção, faz de fisioterapeuta e psicólogo. Para além de toda a competência, António Gaspar tem mais uma grande vantagem: diz sempre a verdade e is- so acaba por tranquilizar. E tenho também a família. E tenho ainda o Pedro Duque [empresário] que me permite pensar apenas no meu trabalho dentro de campo, tratando de todas as questões à volta da minha carreira.

O joelho esquerdo é um joelho maldito?

É um joelho que já não tem forma de tanta lesão. É sempre o mesmo. Mas os joelhos de um jogador não se querem bonitos.

Fez três operações ao mesmo joelho (o esquerdo), passou já muitas horas de anestesia. Quando entra na sala de operações um jogador pensa na saúde ou que outro lhe vai roubar o lugar?

Nem quero falar disso. Já lá vão umas oito horas de operações... mas pensa-se sobretudo é na recuperação para se poder voltar a jogar, que é o que nos anima. Mas já chega de tanta operação e de tanta anestesia. É tema que quero esquecer.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG