Peixe quer passar herança a uma "seleção jovem e cheia de talento"

Selecionador já foi campeão e tenta repetir feito como treinador. Comitiva nacional parte hoje para o Japão, onde estagia até começar a luta pelo "sonho" na Coreia do Sul.

Se filho de peixe sabe nadar, uma seleção treinada por Emílio Peixe, o melhor jogador do mundial sub-20 ganho por Portugal em Lisboa (1991), sabe que é possível ganhar o Campeonato do Mundo, que vai decorrer na Coreia do Sul entre 20 de maio e 11 de junho. "Tenho grandes lembranças do Mundial de Lisboa como jogador. Na altura não assumimos, mas dissemos que íamos para fazer o melhor e fizemos", revelou ontem o selecionador, consciente de que já lá vão quase 26 anos desde o último título e "os tempos são outros". O que não quer dizer que ele e o grupo dos 21 eleitos não possam sonhar: "O que nos alimenta é ganhar. Sonhar não faz mal a ninguém. Sonhamos, mas com os pés assentes na terra."

A chamada equipa de esperanças procura o terceiro título mundial, depois das conquistas de 1989 (Riade) e 1991 (Lisboa), sendo este o quarto Campeonato do Mundo consecutivo em que participa - algo que nunca uma seleção europeia conseguiu -, depois das edições de 2011 (vice-campeão), 2013 (oitavos-de-final) e 2015 (quartos-de-final).

"O grupo está preparado e motivado em defender o país. Querem deixar uma marca forte na competição. Todos eles sabem que é uma oportunidade única na carreira. É uma boa competição para crescerem, após um excelente trajeto nos últimos cinco anos", disse, ontem, Peixe, na Cidade do Futebol, no início dos trabalhos da equipa, que viaja já hoje (14.10) para o Japão, onde fará um estágio de preparação, que inclui um encontro particular diante dos EUA (dia 15).

Para Peixe, o principal "critério" de escolha dos 21 jogadores foi "e será sempre" o talento, nunca a idade, e por isso não vê problema algum na presença de sete sub-18 na lista (ver caixa): "Procuramos a promoção e projeção dos melhores. É inédito ter tantos jogadores da geração de 1999, mas entendemos que são os melhores."

Na Coreia do Sul, a seleção vai jogar com Zâmbia (21 de maio), Costa Rica (24) e Irão (27), no grupo C. "A Zâmbia tem três jogadores que já trabalharam com a seleção principal. É uma equipa muito competitiva e agressiva, com jogadores muito evoluídos tecnicamente. A Costa Rica tem jogadores que jogam em contextos competitivos diferentes e não será um rival nada fácil. O Irão é uma equipa recheada de qualidade a nível individual", analisou o técnico, que herdou o comando dos sub-20 de um campeão de Riade (Hélio).

Fernando Gomes deixou uma palavra de incentivo e apelou ao brio da equipa, em pleno relvado, antes do primeiro treino: "Acreditamos e temos confiança de que esta equipa pode trazer um bom resultado para Portugal." Mas se Peixe colocou como primeira fasquia passar o grupo, o presidente da Federação assumiu esperar que "Portugal possa regressar no dia 11 com algo positivo". Uma data simbólica, visto que foi num dia 11 (julho de 2016) que Portugal ganhou o Euro 2016.

Rui Pedro e o capitão ausente

O selecionador nacional deixou de fora alguns dos sub-20 mais conhecidos e com mais experiência. Casos de Rúben Neves e Rui Pedro (FC Porto) ou do campeão europeu Renato Sanches. "O Rui Pedro é um jogador de grande talento e potencial. Espero que continue a representar a equipa principal do seu clube, mas pela avaliação que fizemos do trajeto nas seleções, e pelo valor, foram outros que justificaram estar no Mundial", explicou o técnico.

Depois, perante a insistência e tendo em conta que este verão há um Euro sub-19 e um Euro sub--21 (além de uma Taça das Confederações) , garantiu que se tratou de mera opção: "Nunca sou condicionado a nada na vida, graças a Deus."

E sorriu quando questionado se gostava de contar com Rúben Neves, Renato Sanches e João Carvalho: "O Rúben Neves era capitão desta equipa, o Renato Sanches teve uma ascensão fantástica e o João Carvalho também está muito bem. Desportivamente são o que são, toda a gente conhece, como pessoas são fantásticos..."

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