Palmeiras de Abel Ferreira conquista a Taça Libertadores

A equipa brasileira bateu na final disputada no Maracanã o Santos por 1-0 nos descontos. Abel sucede a Jorge Jesus como vencedor da competição.

O Palmeiras do treinador português Abel Ferreira venceu o Santos por 1-0 e conquistou este sábado a Taça Libertadores no Maracanã, o troféu equivalente à Champions europeia que premeia a melhor equipa da América do Sul. Depois de Jorge Jesus (Flamengo) na última edição da prova, Abel é mais um técnico português a conseguir ganhar o troféu mais apetecido do futebol sul-americano.

Quando tudo apontava para o prolongamento, após um jogo sem uma única ocasião clara, fechado, com as defesas sempre melhores do que os ataques, Breno cabeceou de forma perfeita um centro do mesmo nível de Roni, na direita, um golo que valeu a Libertadores ao Verdão

A felicidade de Jorge Jesus, na final de 2019, com dois golos de Gabriel Barbosa (89' e 90'+2) a acabar, para dar a volta ao River Plate (2-1), foi agora a de Abel Ferreira, que arrebatou o seu primeiro título com treinador no escalão sénior.

Esta foi apenas a segunda Libertadores conquistada pelo Palmeiras, depois do triunfo alcançado na prova em 1999, numa equipa que na altura era orientada por Luiz Felipe Scolari - esteve em outras três finais (1961, 1968 e 2000) mas foi derrotado.

Este triunfo vai permitir à equipa treinada por Abel Ferreira encher os cofres, já que o vencedor embolsa cerca de 12 milhões de euros (aproximadamente 80 milhões de reais). Além disso, fruto da vitória, o Verdão ganhou o direito de disputar em fevereiro, no Qatar, o Mundial de Clubes.

"Subimos a montanha, estamos a saborear a paisagem"

"A palavra que mais me passa pela cabeça é obrigado. Tenho de agradecer aos jogadores do Palmeiras. Não há bons treinadores sem bons jogadores, sem bons homens", atirou o técnico luso em conferência de imprensa no final da partida, já depois de ter derramado algumas lágrimas no relvado.

Ao lado do 'herói' da final, Breno, que apontou o único golo da partida, Abel lembrou ainda a estrutura e todos os funcionários do clube, que "vão receber um salário extra". Os agradecimentos foram também para o Santos, que no jogo "foi uma grande equipa e tem um grande treinador", até porque "os jogadores também mereciam e fizeram um trabalho espetacular".

A vitória, essa, caiu para "a equipa que acreditou mais e foi mais organizada, num jogo duro e com muito calor".

Já depois de ser, duas vezes, 'encharcado' pelos jogadores, que voltaram a fazer a festa dentro da sala de imprensa, o luso chorou ao lembrar a "saudade" das filhas e da família, em Portugal, e agradeceu a toda a equipa técnica pela primeira conquista enquanto treinador sénior. "Hoje, não foi uma final brilhante em termos de jogo, por vários motivos. Primeiro, o calor, em segundo por ter sido só a uma mão, e sabemos a vantagem que teria quem fizesse o primeiro golo", lembrou.

Abel Ferreira aproveitou ainda para pedir "paciência" com os treinadores no Brasil, lembrando que a classe, em Portugal, "partilha conhecimento, vai a colóquios, telefona, ajuda com problemas", mesmo que cada um "faça o seu caminho", como o luso que o precedeu nesta conquista, Jorge Jesus, com o Flamengo.

"Jorge Jesus tem uma forma de ser e estar completamente diferente, uma forma de jogar completamente diferente, e teve sucesso", recordou.

A taça, a segunda da América do Sul após 1999, é "fruto do trabalho de muita gente", e o português continuou a senda de agradecimentos, estendendo-a "ao Brasil e ao Palmeiras" pela aposta, mas este ano "ainda há muito para trilhar". "Subimos a montanha, estamos a saborear a paisagem e é bom sentir esta emoção, mas temos de perceber que logo depois vamos descer e há mais coisas para conquistar", referiu.

Ainda assim, escusou-se a falar do campeonato do mundo de clubes, que arranca na próxima semana, continuando em 'modo festa', pela conquista "da glória eterna" e pela chamada que lhe deu "um orgulho tremendo": do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

No futebol, completou, "ninguém ganha sozinho", uma ideia muito reforçada pelo técnico ao longo dos meses que leva no Brasil, aproveitando a conferência de imprensa para enviar uma palavra a Wanderlei Luxemburgo, que "começou o caminho" da equipa na Libertadores antes de Abel deixar o PAOK.

Uma carreira sempre a subir

Este é sem dúvida o ponto mais alto da carreira de Abel Ferreira, 42 anos, que pegou na equipa no final de outubro. Na altura muitos questionaram a aposta do Palmeiras e torceram o nariz à contração do técnico português. Logo que chegou, avisou que não ia passar férias e a verdade é que pouco tempo depois ganhou a confiança da torcida, ganhando mesmo a alcunha de furacão português e passando a ter de lidar com as comparações com Jorge Jesus.

Quando chegou foi obrigado a lidar com um surto de covid que atingiu o plantel (ele próprio contraiu o vírus) e chegou a ter 21 futebolistas indisponíveis. Mas passou com êxito este período e além dos bons resultados na Libertadores (eliminou o poderoso River Plate nas meias-finais), conseguiu ainda apurar a equipa para a final da Taça do Brasil. No campeonato, contudo, ate por ter dado primazia à Libertadores, o Palmeiras é quinto classificado, a 10 pontos do líder Internacional.

Depois de pendurar as chuteiras ao serviço do Sporting, em 2011, Abel estreou-se como treinador ao serviço dos juniores dos leões, sagrando-se campeão logo na sua primeira temporada. Foi depois promovido a técnico da equipa B leonina, deixando Alvalade no verão de 2014. Mudou-se em 2015 para Braga para treinar a equipa secundária dos arsenalistas e no ano seguinte foi promovido ao conjunto principal, após a saída de Jorge Simão, permanecendo no cargo até 2019.

Seguiu-se uma experiência na Grécia, ao serviço do PAOK, na temporada 2019-20. E em outubro de 2020 decidiu aceitar o desafio de atravessar o Atlântico com destino ao Palmeiras, para render o conceituado Vanderlei Luxemburgo. O resultado está à vista, com Abel a imitar Jorge Jesus, que em dezembro de 2019, ao serviço do Flamengo, também conquistou a Libertadores.

A Taça Libertadores foi criada no Peru em 1959. O troféu original é feito de prata e tem quase um metro de altura. Pesa cerca de 10 quilos, mas este permanece no museu da Conmebol, em Assunção no Paraguai. O clube vencedor recebe sempre uma réplica do troféu.

O Brasil e a Argentina são os países que mais tiveram clubes nas finais do torneio: 13 equipas brasileiras diferentes e 10 argentinas já decidiram o troféu. As equipas argentinas foram as que mais vezes ergueram esta taça: 25 contra 20 do Brasil. O Boca Juniors foi o clube que esteve presente em mais finais (11) e o recordista de troféus é o Independiente de Avellaneda (7).

Um morto e um ferido grave em confrontos entre adeptos

Um adepto do Corinthians morreu este sábado baleado e outro ficou ferido em São Paulo, durante confrontos com seguidores do Palmeiras, treinado pelo português Abel Ferreira e a disputar a final da Taça Libertadores.

Os adeptos do 'verdão' preparavam-se para assistir à final contra o Santos, a decorrer no Maracanã, no Rio de Janeiro, quando o confronto entre adeptos dos dois rivais começou, com arremesso de pedras e outros objetos.

Segundo a polícia estadual, a situação escalou até serem disparados vários tiros, um deles vitimando um homem, na Avenida Padre Arlindo Vieira, no bairro de Sacomá, e ferindo gravemente outro, ainda internado num centro hospitalar.

Segundo as autoridades, foram detidos 21 adeptos do Palmeiras e mais um do Corinthians, com três explosivos de médio alcance, vários tacos de madeira e 26 barras de ferro apreendidas.

A segurança foi reforçada em torno do estádio do Palmeiras, que tenta ganhar a segunda Libertadores da sua história, depois do triunfo de 1999, numa partida à porta fechada, devido à covid-19.

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