João Vieira: "Não contava com o pódio. Falhei a época toda"

Entrevista a João Vieira, medalha de bronze nos 20 km marcha no Campeonato da Europa de Barcelona.

Décimo nos Mundiais de Berlim em 2009 e nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, esta é a sua segunda medalha de bronze nos 20 km nos Europeus, após Gotemburgo 2006. Foi o resultado esperado?

Não. Sinceramente não contava com o pódio. Falhei a época toda. Perdi três campeonatos. Mas, como há quatro anos, também surpreendi muita gente. Este ano tive alguns problemas físicos que me condicionaram a preparação e me obrigaram a parar durante quatro meses.

Como explica este resultado? É um atleta de grandes provas?

Acho que sim. Chego à conclusão de que chegar a um Europeu em grande forma não basta. Aqui o que conta é a capacidade de sofrimento, e eu sofri muito para chegar ao pódio. Estive em 2.º, mas nas últimas três voltas, após uma advertência, tive de me colar ao chão para não ser desclassificado.

É irmão gémeo de Sérgio Vieira, que terminou na 21.º posição, e companheiro e treinador de Vera Santos, candidata ao pódio amanhã [hoje] nos 20 km. ..

Há um conjunto de treinadores e atletas apaixonados pela modalidade. Vivemos de e para a marcha atlética, e isso é meio caminho andado para o sucesso. Somos muito profissionais. Temos o nosso método de treino. Passamos grandes temporadas na serra Nevada, em altitude.

Qual é a sua profissão?

Neste momento estou apenas dedicado ao atletismo. Junto a actividade de atleta com a de treinador de mim próprio e da Vera Santos. Claro que temo pelo futuro, há uma grande incerteza. Mas por agora não quero pensar nisso.

O prémio pelo bronze [seis mil euros] e o subsídio de alta competição [800 euros] são o seu principal rendimento?

Sim. Claro que quando ganhamos outras provas internacionais também recebemos prémios mas não tem nada a ver com o meio-fundo, onde se ganha muito mais.

Mas, ainda assim, a marcha em Portugal é já um dos sectores mais fortes, como explica isso?

Em termos de sector de marcha, sim, embora seja um parente pobre da modalidade, estando infelizmente um pouco à margem. O nosso público, os nossos espectadores, são o expoente forte da marcha. Temos um sector muito bem organizado desde há vários anos para cá. Eu entrei naquele grupo com os meus 16 anos, e temos todas as informações de que necessitamos, com muitos grupos de treino, que comunicam com o sector de marcha, para dar informações… Quer dizer, estamos muito bem organizados, efectivamente.

Pensa seguir a carreira de treinador?

Sim, penso... Mas quero ainda ir até aos Jogos Olímpicos que vão realizar-se em Londres, em 2012.

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