Com cabeça e eficácia, Direito é um justo 'Campeão de Abril'

Ao bater o CDUL, na tarde deste sábado, por 26-19, Direito recuperou o título nacional que perdera no ano passado para o seu adversário de hoje, conquistando o seu 5.º título em sete anos e 10.º da sua história. Gonçalo Malheiro despediu-se dos relvados e foi 'o melhor em campo'

No Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor, palco onde se discutiu o 57.º título nacional e que colocou de novo frente a frente CDUL e Direito, as duas melhores equipas portuguesas das últimas épocas e que se encontravam pela terceira época seguida na final, assistiu-se a um jogo entretido, equilibrado e emotivo - tudo aquilo que se pede à decisão de um campeonato. E diga-se desde já que o triunfo dos advogados - provando mais uma vez ser equipa predestinada para jogos decisivos (nas últimas 6 finais em diferentes provas com o CDUL ganhou-lhes 5!), onde os seus jogadores se agigantam e o coletivo ganha uma dimensão extra que, mais uma vez, voltou a fazer a diferença - foi inteiramente merecido e não oferece qualquer contestação perante uma equipa que nas anteriores 19 partidas da prova averbara 19 vitórias, perdendo a 20.ª ... precisamente aquela que não podia perder.

Logo no minuto inicial do encontro surgiria a primeira falta de Direito no solo, que Pedro Cabral, ainda frio, desperdiçaria. Mas o quinze de Monsanto depressa encontrou o seu particular ritmo de finais e tratou de empurrar o rival para o seu meio-campo. E logo aos 4' via o defesa Nuno Sousa Guedes, num fabuloso slalom, ultrapassar quatro adversários desconcentrados e imóveis em jeito de 'pinos', fazendo um ensaio inaugural a papel químico do que marcara no histórico empate frente aos All Blacks no último Hong Kong Sevens.

Os campeões nacionais, tal como na meia-final de há uma semana diante de Agronomia, pareciam pouco empenhados no combate e sem soluções de ataque. Mesmo assim Cabral reduziria aos 14' numa das muitas faltas que os avançados advogados cometeram no solo (só na 1.ª parte foram umas oito, cinco em locais bons para chutar aos postes) e que foram mantendo os universitários dentro do resultado e com alguma esperança.

Mas ao 17', uma nova excelente sequência iniciada pelo labor dos avançados, com o jovem n.º 8 Pedro Rosa a sair com a oval, dando a Gonçalo Malheiro, que numa irrepreensível linha de corrida libertava o ponta António Ferrador para o seu 14.º ensaio na prova, permitia a Direito dilatar a vantagem para 10-3.

Até ao intervalo seria o CDUL o principal protagonista do encontro. Não só por que passou a jogar primordialmente no meio-campo contrário, como veria três importantes peças serem obrigadas a sair por lesão - o formação Munro, o defesa Nuno Penha e Costa (que já entrou preso por cordas...) e o saltador Duarte Gil - e ainda aproveitaria duas faltas para, com pontapés de Pedro Cabral (que falharia ainda outro), atingir o intervalo a perder por curtos 10-9.

Na 2.ª parte Direito voltou a entrar melhor e Gonçalo Malheiro - o 2.º melhor marcador de sempre da seleção nacional, um dos Lobos 2007 e autor de um fantástico 'drop' à Nova Zelândia nesse Mundial de França que, a duas semanas de cumprir 37 anos, se despediu dos relvados em grande estilo, jogando e fazendo jogar a sua equipa como bem sabe - acertaria duas penalidades que, contra uma de Cabral, passaram o resultado para 16-12. Mas o amarelo mostrado nesse lance ao 3.ª linha João Travassos colocou os de Monsanto com menos um homem por 10 minutos, e o CDUL tiraria dessa circunstância imediato partido aos 58' quando Carl Murray, entrando em força pelo centro do terreno e aproveitando falhas de placagem, fazia o ensaio dos universitários que, convertido, virava o resultado para 19-16.

Aí foi a vez de se ver a experiência e ratice dos advogados que, paulatinamente, foram tomando conta das operações, jogando no meio-campo contrário e adormecendo o jogo, não deixando nunca que o CDUL o acelerasse como pretenderia. E aos 65' surgiria o lance-capital desta final, quando Pedro Leal, após sucessão de rucks em cima da área adversária, faria soberba simulação que enganou meia-equipa do CDUL e, mergulhando, dava a reviravolta no marcador (23-19) - e definitiva, pois a partir daí sentiu-se que Direito já não largaria o comando do jogo e a final estava no bolso.

Até porque a 6' do fim o centro Francisco Appleton, autor de uma placagem ilegal, seria mandado para o 'sin bin' pelo árbitro Afonso Nogueira. E dessa falta Malheiro não enjeitou a hipótese de selar os definitivos, justos e limpinho, limpinhos 26-19, convertendo o seu derradeiro pontapé de penalidade de uma carreira longa e recheada de sucessos.

E se no CDUL, que nos pareceu entrar demasiado convencido da sua superioridade pela invencibilidade até aqui no campeonato, só o lutador capitão Gonçalo Foro e os esforçados João Lino (nos alinhamentos) e Carl Murray, estiveram perto do seu nível, já nos 'Campeões de Abril' registaram-se belas exibições do seguro e explosivo Sousa Guedes, Pedro Leal a conduzir os avançados, os pilares João Coreia e Segurado, Gonçalo Uva nos alinhamentos, Vasco Uva e Pedro Rosa (que a esta hora ainda devem andar a placar tudo o que lhes aparecer pela frente). E uma palavra especial para Gonçalo Malheiro, decisivo e 'man of the match' no dia do seu adeus.

Entretanto também esta tarde no Jamor, o Lousã confirmou a sua supremacia e a excelente época que está a realizar e venceu o CR Évora, por 23-5 (3-1 em ensaios), sagrando-se campeão da 1.ª Divisão, e ganhando o direito a figurar entre a elite do râguebi nacional aonde regressa na próxima época após longos anos de ausência, substituindo o despromovido RC Montemor.

Todas as Finais

2015 Direito-CDUL 26-19

2014 CDUL-Direito 19-15

2013 Direito-CDUL 17-9

2012 CDUL-Agronomia 24-15

2011 Direito-Belenenses 9-3

2010 Direito-Agronomia 22-12

2009 Direito-Agronomia 32-25

2008 Belenenses-Agronomia 22-21

2007 Agronomia-Direito 15-8

2006 Direito-Belenenses 22-6

Campeões Nacionais (57 edições)

CDUL, 19 títulos; Direito, 10; Benfica, 9; Cascais e Belenenses, 6; Académica, 4; Técnico, 2; Agronomia, 1.

Palmarés de Direito

Campeonatos: 10 (1999, 2000, 2002, 2005, 2006, 2009, 2010, 2011, 2013, 2015)

Taças de Portugal: 8 (1976, 1981, 1982, 2002, 2004, 2005, 2008, 2014)

Supertaças: 10 (1999, 2000, 2002, 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2013, 2014)

Taças Ibéricas: 3 (1999, 2002, 2013)

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