Oscar, o maior negócio da China no sapatinho de Villas-Boas

Brasileiro do Chelsea mudou-se para o clube orientado pelo treinador português por 70,5 milhões de euros e vai receber 460 mil euros por semana. É o mais caro do futebol asiático

De suplente no Chelsea a jogador mais caro do futebol asiático, décimo mais caro de sempre e um dos mais bem pagos do mundo. Aos 25 anos, Oscar aceitou a proposta milionária do Shanghai SIPG e assinou pelo clube chinês, juntando-se ao desfile de craques brasileiros que, desde o ano passado, não têm conseguido resistir às propostas de clubes sem limite para investir.

Em Stamford Bridge desde 2012, Oscar foi sempre presença regular na equipa do Chelsea - foi o número 10 favorito de José Mourinho -, mesmo sem chegar ao nível que muitos lhe previam quando começou a brilhar no Internacional de Porto Alegre. Porém, na corrente temporada tornou-se opção secundária para Antonio Conte e decidiu assinar o contrato da sua vida: vai ganhar 460 mil euros por semana, o quádruplo do que estava a faturar no Chelsea. E não vai ter que ser preocupar com impostos: o vencimento será líquido.

Ao Chelsea, o Shanghai SIPG vai pagar 70,5 milhões de euros, batendo o seu próprio recorde de compra mais cara na China - o número um era Hulk, comprado ao Zenit por 55,8 milhões de euros no último verão.

Trata-se de um reforço de luxo para a equipa treinada por André Villas-Boas, que curiosamente tem algo em comum com Oscar: os dois rumaram à China através de negócios que contaram com a colaboração de Antero Henrique, antigo administrador do FC Porto, bem como de Raul Pais da Costa, que deixou o departamento jurídico dos dragões há dois meses.

Pagava as compras da I Liga

Depois de o futebol europeu ter conhecido a fase dos "petrodólares", o que foi permitindo a clubes como Chelsea, Manchester City ou Paris Saint-Germain crescerem através das compras exorbitantes de jogadores, agora é a Liga chinesa que vai ditando o ritmo do mercado.

A China quer, finalmente, ganhar algum relevo no futebol internacional e tem apostado na importação de talentos brasileiros para crescer. Por isso, é sem surpresa que sete dos 10 mais caros de sempre na Superliga chinesa são brasileiros (ver tabela). O colombiano Jackson Martínez, antiga estrela do FC Porto, é mesmo o único "intruso" entre os seis mais caros.

Na China, Oscar vai ganhar 460 mil euros semanais, o que significa que o seu contrato será superior a 22 milhões de euros/ano, ou seja, ao nível de Cristiano Ronaldo. O médio brasileiro entra no pódio dos mais bem pagos de sempre, lista liderada pelo argentino Lavezzi, do Hebei China Fortune, que ganha impensáveis 580 mil euros por semana. Se perder cinco minutos a ler este texto, saiba que o avançado argentino já ganhou quase 300 euros durante este espaço de tempo.

Assim, logo no primeiro ano de contrato Oscar custará, entre salário e preço da transferência, quase 100 milhões de euros, o que significa que o custo da sua compra pagaria todos os reforços contratados por Benfica, Sporting e FC Porto para a corrente temporada.

Os valores em causa começam a ser considerados irrecusáveis para a esmagadora maioria dos jogadores que recebem propostas do campeonato chinês. "Os futebolistas têm 10 anos para ganhar dinheiro. Quando aparecem propostas destas, basta pensar nos filhos e nos netos. O futuro fica assegurado. Nós não escolhemos a China, ela é que nos escolhe", comentou o brasileiro Renato Augusto.

Com vista a 2030

A Federação Chinesa de Futebol assumiu que tem, em 2030, o objetivo de organizar o Mundial. Havia planos para concorrer já para 2026, mas tendo em conta que o Mundial 2022 vai ser disputado no Qatar os regulamentos da FIFA impedem que a edição seguinte se dispute na Ásia.

Por isso, tem havido incentivos a que os clubes chineses recrutem estrelas na Europa, de modo a aumentar a popularidade do futebol chinês e a desenvoler a modalidade nos país. Porém, o interesse é recíproco: Luís Figo é um exemplo de quem tem apostado no crescimento do futebol asiático.

O antigo futebolista português lançou uma Academia de futebol na China, para alegria de Xi Jinping, presidente chinês que é fã da modalidade, e está a testemunhar um crescimento "grande e rápido". Para já, a contratação de craques brasileiro vai sendo o atalho para o sucesso. Benfica e Sporting também já abriram academias naquele país.

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