O tudo ou nada de Guilherme Fonseca

Jovem surfista de Peniche conseguiu o seu primeiro pódio da Liga Meo na Figueira da Foz e segue moralizado para a próxima etapa, na Praia Grande (14 a 16 de Julho)

Guilherme Fonseca é, apesar dos seus ainda jovens 20 anos, uma cara bem conhecida do surf nacional da última década. É por isso algo desconcertante perceber que o terceiro lugar na última etapa da Liga Meo, na Figueira da Foz, foi o seu melhor resultado de sempre no Nacional Open.

Feitas as contas, Guilherme compete na Liga profissional desde os 14 anos; uma participação natural de um surfista precoce que conquistou todos os títulos nacionais de Esperanças da Federação Portuguesa de Surf (repetindo três vezes o sub-18).

Há, por isso, alguma curiosidade à volta da sua prestação na Praia Grande, para a quarta etapa da Liga Meo Surf. E alguma pressão também, embora essa seja uma companheira de sempre de Guilherme, cujo tom grave e discurso comedido parece, desde sempre, desmentir a sua juventude.

"O resultado na Figueira foi muito gratificante porque indica que o trabalho que tenho feito está a compensar. Mas é curioso porque não me senti no meu melhor; ainda tenho muito trabalho a fazer na parte psicológica, para poder surfar mais descontraído", confessa.

O tal "trabalho" que cita na conversa com o DN sempre foi uma marca registada de Guilherme Fonseca mas que não é singular na família. O irmão mais velho, Daniel, tem um currículo que é espelho do do irmão mas numa modalidade diferente, o bodyboard, pelo que se percebe, mais do que uma questão genética, uma ética de trabalho familiar.

Ainda assim, Guilherme elevou o patamar após ter terminado os estudos do secundário: "Depois de terminar o 12º ano, empenhei-me ainda mais no treino; surfo todos os dias e direciono o pouco dinheiro que vou tendo para treinadores e melhores métodos de treino, mesmo que para isso tenha de descurar coisas como a minha imagem e a comunicação em geral."

Os "melhores métodos de treino" de que Guilherme fala passam pelos caminhos do costume, como o intenso treino de ginásio, as muitas horas de surf e skate, mas também alguns pouco ou nada ortodoxos, como a ginástica ou...a dança: "Sinceramente, nem sei se fale disto, mas comecei há três ou quatro meses com o objetivo de "desbloquear" certas partes do meu corpo e conseguir uma maior fluidez a surfar. Sei que há muita gente que não se importa tanto com a parte estética, mas para mim é importante gostar de me ver nas ondas."

Quanto ao "pouco dinheiro", este explica-se pela ausência de um patrocinador principal que lhe custeie uma campanha sustentada no Circuito Mundial de Qualificação, ponte obrigatória para uma entrada na elite do surf mundial, o World Tour da World Surf League (WSL).

Traduzindo: Guilherme Fonseca está a fazer uma arriscada aposta de tudo ou nada no surf. Ou quase. "Congelei a minha matrícula em Direção e Gestão Hoteleira, no Estoril. Se o surf falhar, vou seguir essa via, mas, para já, nos próximos anos, não quero pensar noutra coisa que não no surf."

A abordagem pode parecer exagerada se se pensar que existem atletas olímpicos que conseguem conciliar cursos universitários com a exigência da alta competição. Mas Guilherme Fonseca tem a sua própria agenda: "O surf não é como outras modalidades. A este nível, o treino e as viagens e a dependência de marés e ondulações...e depois, quando me concentro em algo, gosto de estar a cem por cento, não faço concessões."

E, com tudo isto, como será na Praia Grande?... "Não sei. Há muito tempo que deixei de pensar nas provas com a expectativa de conseguir o primeiro, segundo ou terceiro lugar; penso heat e heat e em conseguir fazer o melhor surf possível. Foi o que fiz na Figueira e deu bons resultados."

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