O segundo adeus de Zidane ao Real. Quatro nomes na linha de sucessão

Época sem títulos precipitou saída do treinador francês. Agora caberá a Florentino Pérez decidir entre a experiência (Conte e Pochettino) e a ligação sentimental (Raúl e Xabi Alonso).

A notícia não foi propriamente uma surpresa, porque há algum tempo que se falava desta possibilidade, mas ontem tornou-se oficial. Zinedine Zidane, 48 anos, decidiu deixar o comando do Real Madrid apesar de ter mais um ano de contrato. Foi a segunda vez (terceira se contarmos com a sua etapa de jogador) que o francês bateu com a porta depois de em 2018 ter renunciado poucos dias depois de ter conquistado o terceiro título consecutivo na Liga dos Campeões, com os espanhóis a baterem na final o Liverpool por 3-1.

A época desgastante, sem troféus, e sobretudo o título espanhol perdido para o rival Atlético, são algumas das justificações para a renúncia do treinador, que tinha o apoio da maioria dos pesos pesados do balneário e até da direção presidida por Florentino Pérez, que queria que o treinador cumprisse o contrato até 2022. Mas Zidane achou que era a hora de sair e dar o seu lugar a outro.

Outra justificação para a saída avançada pela imprensa espanhola prende-se com uma "traição" da parte do presidente. A determinada altura da época, quando o Real Madrid sentiu dificuldades na fase de grupos da Liga dos Campeões, Zidane não terá gostado que Florentino lhe tivesse feito um ultimato através de jornalistas próximos, de que seria demitido caso a equipa não chegasse aos oitavos de final da competição (acabou por cair nas meias-finais da prova).

Há também quem defenda que a saída já estava programada há algum tempo entre o treinador e o presidente. Isto porque Florentino pretende fazer uma enorme revolução na equipa já na próxima época, com a dispensa de alguns pesos pesados, e que esta transformação seria impossível com o francês no comando da equipa, dada a sua forte ligação aos jogadores mais influentes dos merengues. Aliás, ontem, através das redes sociais e declarações públicas, futebolistas como Sergio Ramos, Benzema e Toni Kroos fizeram questão de mostrar todo o seu apreço pelo treinador e lamentar a sua saída.

A linha de sucessão

Agora coloca-se a questão do sucessor. Há várias semanas que a possibilidade de Zidane deixar o cargo era falada, e o italiano Massimiliano Allegri era uma possibilidade forte. Mas de acordo com notícias em Itália, Allegri está a um passo de regressar à Juventus para substituir Andreia Pirlo.

Segundo a imprensa espanhola, há pelo menos quatro nomes na agenda. Antonio Conte é uma das possibilidades. Acabou de se sagrar campeão pelo Inter Milão, mas rescindiu contrato na quarta-feira, em rota de colisão por estar em desacordo com a política de reduções salariais que os donos chineses do Inter pretendem implementar.

Outra possibilidade é Mauricio Pochettino. O técnico argentino está (ainda) contratualmente ligado ao Paris Saint-Germain, mas problemas com o diretor desportivo Leonardo poderão levá-lo a deixar em breve o milionário clube da capital francesa. A imprensa espanhola lembra que Pochettino é um treinador muito do agrado de Florentino Pérez e que já esteve anteriormente na agenda do clube.

Depois há ainda Raúl González. O antigo jogador madrileno, grande figura do clube, é atualmente treinador da equipa B do Real Madrid, o Castilla. E há muito que se diz que se trata de um uma espécie de um estágio para um dia chegar à equipa principal.

Na mesma linha de Raúl está Xabi Alonso, ex-jogador do Real entre 2009 e 2014, que há uns anos treinou as camadas jovens do clube e que atualmente orienta a equipa B da Real Sociedad. Tudo dependerá se Florentino Pérez quer apostar num homem da casa, mas sem experiência, ou num nome consagrado do futebol mundial.

No comunicado emitido ontem, o Real Madrid agradeceu a gratidão, o profissionalismo, a dedicação e a paixão de "um dos dos grandes mitos" do clube, acrescentando que a sua lenda "vai além do que foi como treinador e jogador".

E os elogios são merecidos. Nas duas passagens pelos merengues como treinador (entre 2016 e 2018 e 2019 e 2021), Zidane conquistou um total de 11 títulos - três Ligas dos Campeões, dois campeonatos espanhóis, duas Supertaças de Espanha, duas Supertaças Europeias e dois Mundiais de clubes.

Esta temporada, porém, terminou sem títulos. A equipa terminou o campeonato na segunda posição (a dois pontos do campeão Atlético), na Taça de Espanha caiu nos 16 avos-de-final diante do modesto Alcoyano, falhou a conquista da Supertaça de Espanha, e na Liga dos Campeões foi eliminada nas meias-finais pelo Chelsea.

nuno.fernandes@dn.pt

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