"O que faltou? A morte talvez": Caso da judoca Margaux Pinot gera indignação em França

Em causa está a alegada agressão a Margaux Pinot, campeã olímpica de judo, pelo seu parceiro e ex-treinador, que foi absolvido por "falta de provas"

O mundo do judo francês tem manifestado a sua indignação após o caso de violência doméstica sofrido pela campeã olímpica Margaux Pinot, que denunciou o seu parceiro, o ex-judoca e antigo treinador da seleção feminina da França Alain Schmitt, absolvido por "falta de provas".

A agressão denunciada ocorreu na noite de sábado e a absolvição foi anunciada na terça-feira (30 de novembro) pelo Tribunal Judiciário de Bobigny, que disse não ter provas suficientes para provar a sua culpa. Esta sentença fez com que Pinot, medalhista em Tóquio com a equipa mista da França, publicasse nas redes sociais uma explicação do ocorrido e publicasse uma foto sua com o rosto agredido e restos de sangue.

A judoca, de 27 anos, queixou-se de que o seu companheiro era o responsável pelas suas feridas e pelo "sangue no chão do apartamento". " O que faltou, a morte, talvez? O judo foi o que provavelmente me salvou. Penso naquelas que não podem dizer o mesmo", escreveu no Twitter.

Conhecidos judocas franceses recorreram igualmente às redes sociais para transmitir uma mensagem de apoio e denunciar a decisão do tribunal, que foi contestada pela procuradoria. Entre eles, o também campeão olímpico Teddy Riner, uma lenda no país afirmou que: "O que é preciso fazer para que as vítimas sejam ouvidas? Todos os dias mulheres, crianças e os mais vulneráveis enfrentam a violência, seja física ou moral. É intolerável", disse, citado pelo jornal El País.

Nas mensagens de apoio publicadas também por outros membros da equipa da França, como Alexandre Iddir ou Axel Clerget, destaca-se que a luta contra a violência de género deve-se converter numa prioridade. " Temos que acompanhar e proteger melhor as vítimas... É uma questão de vida ou morte", acrescentou Riner, que partilhou a foto de Pinot e enfatizou que "estão todos profundamente afetados pelo que acaba de sofrer".

Entretanto, Schmitt pediu, numa entrevista ao jornal desportivo L'Équipe, que se respeitasse a decisão judicial. "Estou farto das calúnias. Pensava que uma vez que a justiça se pronunciasse me deixariam tranquilo. (...) Recebo mensagens de intimidação, ameaças de morte", assinalou o atleta, que este mês anunciou que tinha aceitado o cargo como selecionador da seleção feminina de Israel e na noite dos acontecimentos estava prestes a viajar para esse país.

O L'Équipe publicou uma foto do treinador com o olho pisado e este destaca que a relação com Pinot era "bastante complicada": "Não sabe controlar as suas emoções".

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