Sérgio Conceição: "O jogador jovem é um bocadinho menos focado do que era há uns anos"

Sérgio Conceição "orgulhoso" pelo desempenho da formação. É o treinador que mais jovens lançou no Dragão nos últimos anos. Nesta época já deu a titularidade a Diogo Costa, Bruno Costa, João Mário, Fábio Vieira e Vitinha. Dragões jogam sexta-feira com o Gil Vicente (21.15, Sport TV).

"Orgulhoso." Assim está Sérgio Conceição com a aposta nos jogadores da formação e na resposta dada à elevada exigência a que são submetidos num clube como o FC Porto... mesmo com algumas distrações pelo caminho! "Estou orgulhoso por ter jogadores que atingem patamares elevados. A equipa e o clube ganham com isso, mas esse é o meu trabalho, fazê-los crescer. É a minha obrigação", disse o treinador dos dragões na antevisão do jogo com o Gil Vicente (21.15, Sport TV1). Um jogo em que já contará com Toni Martinez, mas não com Marchesín e Pepe.

Segundo o técnico portista, "não é fácil incutir" nos miúdos o que é o mais importante para eles: "O jogador jovem é um bocadinho menos focado do que era há uns anos. Tem outras coisas boas, mas esse trabalho não é fácil." E exige muito da equipa técnica, porque acompanha de forma contínua o jogador, não só na sua vida profissional, mas também no seu comportamento fora do treino.

Ou seja, fazê-los crescer no campo e fora dele. As horas a que chega, o que faz antes do treino, depois do treino, todo esse trabalho invisível conta. Incluindo saber que eles saem do treino e "têm uma vida lá fora" com mais ou menos distrações. Por isso quando consegue incutir nos jogadores alguns princípios fundamentais para ter sucesso fica "muito orgulhoso".

Daí que por vezes haja necessidade de puxões de orelhas públicos. Na época passada, depois de um empate com o Boavista, que comprometeu as aspirações do clube na conquista de mais um título, Sérgio usou palavras duras para mandar um recado aos miúdos. "Às vezes as pessoas podem confundir o que é jogar no FC Porto. Como já disse, não basta ter contrato, é preciso mais. Não basta ser da formação, não basta ser bonito nas redes sociais. É preciso algo mais do que demonstrámos na primeira parte." Sérgio não avançou nomes, mas as ações falaram por ele. Ao intervalo retirou do jogo Diogo Leite, João Mário e Fábio Vieira... o médio que está em destaque na equipa esta época e recolhe agora elogios do técnico pela "atitude e comportamento".

Desde que assumiu o comando da equipa portista em 2017-18, o técnico lançou 15 jogadores oriundos da formação - o primeiro foi Diogo Dalot e o último, o filho Francisco Conceição - tendo já superado Jesualdo Ferreira (12 entre 2006 e 2010) e José Mourinho (oito entre 2002 e 2004). Para se ter uma ideia da relevância das apostas de Conceição é bom recordar que em 2010-11 com André Villas-Boas e 2012-13 com Vítor Pereira, a formação teve menos de 400 minutos jogados... contra os cerca de 10 mil em mais de 150 partidas na era Conceição.

Por vezes dá-lhes uns minutos, outras a responsabilidade de serem titulares, mesmo em jogos grandes. Uns têm correspondido mais do que outros. Uns têm saído para rodar (Diogo Leite foi emprestado ao Sp. Braga e Romário Baró ao Estoril), outros saem e deixam milhões nos cofres do clube, como foi o caso de Diogo Dalot, que saiu para o Manchester United, por 22 milhões de euros, em 2017-18, depois de uns meses a ser aposta intermitente. Ou Fábio Silva que se mudou em 2020 para o Wolverhampton por 40 milhões.

As gerações de 1999 e 2000 ganharam espaço após a conquista da Youth League, em abril de 2019. E se no ano passado Sérgio Conceição defendia que a aposta na formação não era só para "ficar bem na fotografia", este ano essa aposta foi reforçada... não com nomes, mas com minutos. Nos sete primeiros jogos da época (seis na I Liga 2021-22 e um na Champions), o treinador tem apostado de forma regular e como titular em Diogo Costa (7 jogos, 630 minutos), João Mário (6 jogos, 511 minutos), Bruno Costa (5 jogos, 369 minutos), Fábio Vieira (4 jogos, 108 minutos) e Vitinha (3 jogos, 144 minutos).

Há 17 jogos sem perder fora de casa

Na sétima jornada da I Liga, o FC Porto, segundo classificado, com 14 pontos, faz "uma das deslocações mais difíceis da época", na opinião de Sérgio Conceição. "O Gil Vicente é uma equipa consistente. Está no lote dos cinco clubes com mais posse, um pouco à imagem do que é o Ricardo Soares, que lança sempre equipas muito bem organizadas e sempre a saber o que querem do jogo. Não é fácil jogar contra equipas do Ricardo Soares e obviamente nós estamos atentos a isso", disse o técnico dos dragões.

Os portistas perseguem a 18.ª partida seguida sem perder fora de casa - um dos melhores registos europeus, a par do Manchester United e do Real Madrid. Números, apenas isso, segundo Conceição: "Esses números fazem parte do passado, por isso são estatísticas. Se ganharmos fico contente. São três pontos necessários para a nossa caminhada. Já perdemos pontos e não queremos distanciar-nos do primeiro lugar."

Questionado sobre se este é o plantel mais equilibrado que tem em termos de opções desde que chegou ao Dragão (2017-18), Sérgio Conceição lembrou a equipa que tinha na altura. "Quando cheguei ao FC Porto foi um ano muito difícil, praticamente não fizemos contratações. Foi só o Vaná, o guarda-redes, que veio, já estava contratado antes da minha chegada, mas tínhamos um plantel com Casillas, com Maxi [Pereira], Brahimi, Aboubakar e uma série de grandíssimos jogadores que se vieram a confirmar no futuro como referências no futebol europeu. Agora, o ter mais opções depende do que os jogadores derem", explicou o treinador dos dragões, que em quatro épocas festejou dois títulos de campeão.

isaura.almeida@dn.pt

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