O final anunciado da era Wenger no Arsenal após 21 anos

Aos 67 anos, o francês prepara-se para deixar os gunners, após épocas de ataques falhados ao título e à Champions.

O Arsenal é um clube conhecido pela paciência que tem com os seus treinadores. Basta dizer que desde o ano da sua criação, em 1886, teve apenas 24 técnicos - um exemplo bem diferente do Palermo, em Itália, que nos últimos 15 anos teve... 41 treinadores. Porém, todas as histórias têm um final - e a de Arsène Wenger em Londres prepara-se para entrar nos derradeiros três meses.

O histórico técnico francês, que cumpre a 21.ª época ao serviço dos gunners, termina contrato no final da época e as partes dificilmente chegarão a um entendimento com vista à sua continuidade. O ciclo repetiu-se nas últimas épocas no Arsenal: promessas e expectativas na pré-época, desilusão quanto à contratação de reforços no fecho do mercado, promessas de bom futebol na Premier League, ilusão de "neste ano é que é", quebra que empurra a equipa para longe da liderança, fracasso na Liga dos Campeões. Wenger, perante alguma contestação, continuava para a época seguinte... e o ciclo recomeçava.

Agora, o Arsenal está em vias de cair nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões pela sétima época consecutiva, fruto da derrota por 5-1 na visita ao Bayern Munique na primeira mão. Além disso, o 4.º posto na Premier League, a apenas dois pontos do vice-líder, City, mas já a dez do Chelsea, não satisfaz os adeptos dos gunners, cansados de promessas do regresso aos títulos na Premier League.

Goleada sofrida em Munique (5-1) diante do Bayern na Champions deixa muito pouco espaço de manobra ao treinador francês

O Arsenal não é campeão de Inglaterra desde a época 2003-04, temporada de glória para os londrinos: foram campeões invictos, numa altura em que nomes como Henry, Campbell, Pires, Lehmann, Cole, Gilberto Silva, Ljunberg, Bergkamp e Patrick Vieira faziam as delícias dos adeptos e só encontravam no Manchester United um verdadeiro rival à altura. Porém, desde então, o crescimento ao ritmo dos milhões de Chelsea e Manchester City secundou ainda mais o Arsenal na luta pelo título, apesar de os gunners terem sido segundos na época passada, atrás do surpreendente Leiceister.

Falta de dinheiro não é problema

Depois de se ter sagrado campeão, o Arsenal terminou seis Ligas no quarto lugar e quatro na terceira posição. Enquanto assistia ao desfile de estrelas contratadas pelos rivais, o clube londrino sempre hesitou na hora de investir em reforços caros, mas isso foi uma estratégia declarada - a direção do Arsenal apostou na construção e no pagamento do Emirates Stadium, admitindo que isso iria reduzir a competitividade do plantel nas épocas seguintes.

Porém, à entrada para 2014, o Arsenal renovou com Wenger, fez novos contratos publicitários e tinha o estádio pago. As expectativas elevaram-se, mas na última década Wenger celebrou apenas quatro títulos: duas Taças de Inglaterra e duas Supertaças.

O Arsenal, em toda a sua história, só comprou quatro atletas por mais de 20 milhões de euros: Sánchez, Özil, Xhaka e Mustafi. Se é certo que os dois primeiros corresponderam ao investimento, Xhaka e Mustafi, que custaram mais de 85 milhões de euros e chegaram ao Arsenal no último verão, estão longe de ser bons exemplos de investimento numa equipa que quer lutar pelo título - Alexis Sánchez tem carregado a equipa às costas, sobretudo desde que começou a jogar a ponta-de-lança.

Wenger explicou no início da época que nunca seria treinador de compras extravagantes, apesar de a direção do Arsenal colocar fundos à sua disposição. "Acredito que a única forma de ser treinador é gastar o dinheiro do clube como se fosse meu, se não for assim corro o risco de cometer muitos erros", sublinhou. Porém, as compras do último defeso deixaram muito a desejar e isso não se reflete apenas na Premier League - o Arsenal também continua sem vencer a Champions, após ter sido finalista em 2006 e semifinalista em 2009.

Wenger vai continuar a treinar

Wenger está em final de contrato com o Arsenal e por isso no final da temporada poderá decidir livremente o seu futuro. E é uma certeza que o técnico francês vai continuar a treinar, resta saber onde.

"Aconteça o que acontecer, vou treinar na próxima época. Isso é uma certeza, seja aqui ou noutro sítio qualquer", afirmou na sexta-feira, ele que já mostrou que não tem problemas em treinar fora da Europa - rumou ao Nagoya Grampus em 1995, após deixar o AS Mónaco e ter despertado o interesse do FC Porto (sempre foi um técnico apreciado por Pinto da Costa).

Wenger conquistou três campeonatos de Inglaterra, mas o último foi na temporada 2003-04. Desde então só Taças e Supertaças

Na Ásia ou nas Arábias, não faltarão interessados nos serviços de Wenger, não estando também descartada a hipótese de o técnico gaulês apostar num novo projeto na Europa. Para já, o treinador deixou um aviso: "Não será pelo facto de me ir embora que o Arsenal vai ganhar todos os jogos que disputar no futuro. É preciso aceitar isso, mesmo que custe muito perder", vincou.

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