O fim da era de CR7 e Messi está longe mas já se aponta à sucessão

Após dez anos de supremacia, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi vivem as últimas épocas de reinado. Cañizares, Futre e Van Hooijdonk dizem ser cedo para decretar o seu declínio mas apontam sucessores, com Neymar à cabeça.

Depois deles, nada será igual. Nos últimos dez anos, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dominaram o futebol mundial com uma supremacia nunca antes vista, espalhando magia, reescrevendo recordes de produtividade e partilhando (apenas) entre si as principais distinções individuais do planeta. No entanto, agora que se vão aproximando do ocaso da carreira, surge a pergunta: estará o mundo preparado para a sua sucessão? Para antigas estrelas como Santiago Cañizares, Paulo Futre e Pierre van Hooijdonk, o fim do reinado de CR7 e Messi ainda está longe. Mas já é possível apontar alguns príncipes herdeiros, com o brasileiro Neymar à cabeça.

A lista é longa (e não tem muitos nomes óbvios, para além do sul--americano do Barcelona). Aubameyang, Bernardo Silva, Dybala, Hazard, James Rodríguez, Mbappé e Neymar são, por ordem alfabética, apontados como os possíveis candidatos a suceder a Ronaldo e Messi como melhores futebolistas do mundo - da mesma forma que outros crónicos nomeados para os prémios FIFA e Bola de Ouro, como Bale, De Bruyne, Griezmann, Müller ou Pogba, também poderiam fazer parte do lote. Todavia, para as velhas lendas ouvidas pelo DN, nenhum deles está ou chegará ao nível do português do Real Madrid e do argentino do Barcelona. E falar do fim de uma era pode ser precipitado.

"Creio que Messi ainda tem um grande futuro e vai estar mais cinco anos no topo. Quanto a Cristiano, é um rapaz que se cuida muito bem e ainda vai dar muitos anos bons ao Real Madrid: é difícil prever quantos, mas ainda pode ficar mais dois ou três a lutar pela Bola de Ouro. Se ambos mantiverem o nível, não vejo quem lhes faça sombra", perspetiva Cañizares, antigo guarda-redes internacional espanhol (1993-2006)

Para Paulo Futre, ex-internacional português (1983-1995), também "ainda é cedo" para falar na sucessão. "Essa é uma pergunta para o verão de 2018, para o Mundial da Rússia, mas estou convencido de que até à entrega de janeiro de 2019 [relativa ao ano civil anterior] o prémio de melhor do mundo irá para um deles", explica, sublinhando que "nunca mais vai haver dois futebolistas com esta rivalidade e com tamanha dimensão" a marcarem o jogo, em simultâneo, durante tantos anos.

É caso para pressentir alguma nostalgia. "Ainda na semana passada falava sobre isso com um amigo. Temos de apreciar os momentos especiais desta era, enquanto eles ainda estão ao mais alto nível. Cristiano e Messi chegaram a um standard que não víamos há muitos anos, dão tudo em cada jogo e desafiam--se mutuamente, por jogarem na mesma liga. Definitivamente, vamos sentir saudades, quando um deles se retirar ou mudar [para outro país]", nota Van Hooijdonk, antigo avançado internacional holandês (1994-2004), sem ver prazo de validade para isso acontecer.

Quem (quiser) suceder a Messi ou a Cristiano Ronaldo terá aos ombros o grande peso das comparações - a começar por Neymar, 3.º na votação da Bola de Ouro em 2015 e 4.º em 2016. "Ele ainda não consegue ser tão influente no Barcelona como Messi. E, no futuro, terá de lidar com essas expectativas", diz Pierre van Hooijdonk.

"Qualquer destas rising stars terá de melhorar muito para competir com os números de Ronaldo e de Messi", aponta o antigo avançado de Celtic, Benfica e Feyenoord (entre outros), admitindo que "poderemos entrar numa fase em que a Bola de Ouro muda de mãos todos os anos". Ainda assim, o ex-ponta-de--lança mostra-se "impressionado" com Mbappé, atacante francês que despontou nesta época no Mónaco: "É bastante forte, embora ainda tenha muito caminho pela frente."

Paulo Futre junta-lhes, numa primeira linha, os nomes de Dybala, avançado argentino da Juventus, e Hazard, médio belga do Chelsea. E fica na expectativa quanto a James Rodríguez, extremo colombiano do Real Madrid ("se mudar de clube e se der bem pode ser um dos grandes"), e Bernardo Silva, criativo português do Mónaco ("imaginando que muda de clube e vai para um grande... vamos ver como está daqui a dois anos").

Por sua vez, Santiago Cañizares mostra-se descrente quanto à possibilidade de qualquer dos sucessores honrar o legado de Ronaldo e de Messi. "A Neymar falta maturidade. James? Nem o vejo chegar lá perto... Hazard, sim, pode ser um jogador importante. Vamos ver como cresce Dybala. E podemos também prestar atenção a Aubameyang. Todavia, estão todos muito abaixo do nível deles", enuncia o antigo guardião de Real Madrid e Valência.

No fim de contas, Ronaldo (32 anos, melhor do mundo em 2008, 2013, 2014 e 2016) e Messi (29 anos, melhor do mundo em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2015) até podem ter mudado como futebolistas e parecer próximos do ocaso das carreiras mas "joguem a 9 ou como médio ofensivo, ou não, continuam a ser os melhores e os mais importantes das suas equipas", como diz Cañizares. "E ambos ainda têm como grande objetivo o Mundial 2018", acrescenta Futre. Por isso, os candidatos estão apresentados mas a sucessão vai ter de esperar.

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