O empate com Espanha que serve os interesses de Portugal

Seleção nacional continua sem vencer em território espanhol. Esta sexta-feira foi a Madrid empatar (0-0), num jogo de preparação para o Euro2020. Fernando Santos gostou do teste.

A três dias dos 527 anos do Tratado de Tordesilhas, assinado a 7 de junho de 1494 entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela para dividir as terras "descobertas e por descobrir" fora da Europa, o futebol voltou a unir Portugal e Espanha.

O jogo que serviu para preparar o Euro2020 e lançar a candidatura dos dois países à organização do Mundial2030 terminou empatado (0-0), mas "serviu os objetivos", segundo Fernando Santos. Foi o quarto empate ibérico consecutivo e o segundo sem golos. A seleção nacional continua assim sem vencer em Espanha: 15 jogos, 5 empates e 10 derrotas.

Em menos de 24 horas o Wada Metropolitano, em Madrid, passou de centro de vacinação contra a covid-19 a estádio de futebol, com 15 mil adeptos nas bancadas para ver um Espanha-Portugal igual a tantos outros.

A rivalidade futebolística entre portugueses e espanhóis é centenária. Portugal estreou enquanto seleção a 18 de dezembro de 1921, num jogo que acabou 3-1 a favor dos espanhóis. O valor futebolístico de Portugal é hoje em dia igual ou superior. Um duelo desequilibrado muitas vezes por Cristiano Ronaldo, que ontem ficou em branco.

Sem poder contar com João Cancelo, Rúben Dias, Bernardo Silva (apresentam-se hoje) e Gonçalo Guedes (covid-19), Fernando Santos apostou em Nélson Semedo no lado direito, Danilo no meio campo e João Félix, Ronaldo e Jota na frente. Estranho foi ver Portugal numa atitude mais espetadora do que o selecionador gostaria. Na véspera o engenheiro do Euro2016 tinha defendido que se a seleção espanhola gosta de ter bola, os portugueses também. Mas a verdade é que o intervalo chegou com 71% de posse de bola espanhola.

A primeira parte foi totalmente dominada pela roja, que teve a iniciativa da construção embora sem resultados práticos. Ferrán Torres, José Gayà, Marcos Llorente, que esteve perto do golo foram boas surpresas na equipa de Luis Enrique, que apresentou um onze bem menos experiente do que o de Santos. Cinco espanhóis tinham menos de 10 internacionalizações...

Portugal andou largos minutos atrás da bola e só assustou de bola parada e em contra-ataque. Aos 23 minutos, José Fonte marcou mesmo num canto marcado por Nelson Semedo, mas o árbitro invalidou o golo por falta do central. Aos 37" Ronaldo causou calafrios a Unai Simón, mas o intervalo chegou com um 0-0 no marcador.

João Félix jogou em casa, mas só durante 45 minutos. Ao intervalo deu lugar a Pedro Gonçalves, que assim se estreou pela seleção nacional. Depois entraram William e Bruno Fernandes para os lugares de Pepe e Sérgio Oliveira. Mudanças que levaram Danilo Pereira a recuar para o centro da defesa ao lado de José Fonte.

Depois de Jota avisar Simón, o selecionador espanhol também mexeu na equipa para tentar travar as iniciativas portuguesas, agora com mais assertividade. A segunda parte foi assim mais equilibrada e com mais oportunidades de golo de parte a parte.

O ritmo de jogo abrandou um pouco por via das substituições promovidas pelos selecionadores, mas aqueceu nos minutos finais. Depois de CR7 acertar na trave, Koke obrigou Rui Patrício a uma defesa espetacular e Morata acertou com estrondo na trave. Parecia escrito que o jogo não iria ter golos...

Nas palavras de Fernando Santos o resultado era o que menos importava e ele até gostou dos testes a que submeteu alguns jogadores. Utilizou Danilo, William e Palhinha na posição de médio centro, sendo que o jogador do PSG recuou para central quando foi preciso. E pelo jogo de ontem dá para perceber que o selecionador campeão da Europa se inclina pelo 4X2X3X1 no Euro 2020, que começa dia 11.

Na quarta-feira há jogo com Israel em Alvalade.

isaura.almeida@dn.pt

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