No erro é que esteve o empate. Benfica pode perder mais terreno para os rivais

Moreirense foi ao Estádio da Luz empatar (1-1) na 18.ª jornada. Autogolo de Gilberto e golo de Darwin nasceram de erros e resumem a história de um jogo em que a equipa encarnada foi superior.

O Benfica esteve longe de realizar uma grande exibição, mas produziu o suficiente para vencer. E por isso o empate (1-1) deste sábado no Estádio da Luz acaba por ser um prémio para o acerto defensivo do Moreirense e penalizar uma águia que ainda não limpou a cabeça. Ficou mais uma vez a ideia que Veríssimo não mexeu bem na equipa e assim perdeu dois pontos, podendo atrasar-se ainda mais na luta pelo título. Os encarnados podem ficar a nove pontos do FC Porto e a seis do Sporting. Ambos jogam no domingo.

Quando o onze do Benfica ecoou nas bancadas do Estádio da Luz os adeptos não esconderam o agrado por ouvir o nome de Paulo Bernardo. O miúdo que tem brilhado na equipa B mereceu a confiança de Nelson Veríssimo e alinhou no lado direito do meio campo num 4x1x3x2 bastante funcional e sedutor. Os suplentes Pizzi e André Almeida foram assobiados... resquícios de um passado recente que mostra que ainda há feridas por sarar para os lados da Luz na era pós-Jesus.

A entrada forte dos encarnados no jogo resumir-se-ia a isso mesmo. Muita parra e pouca uva. Agressivo a defender e sem deixar o Moreirense sair com a bola a equipa da Luz fazia transições rápidas e criava perigo com relativa facilidade, mas definia-a mal no último terço e não conseguia traduzir em golos todo o caudal ofensivo criado.

Sem conseguir furar o muro defensivo montado por Sá Pinto, as águias tinham de procurar o jogo pelos corredores e recorrer ao tradicional cruzamento para os dois homens da frente, mas Seferovic e Darwin estiveram muito presos nos movimentos e só o suíço e por uma vez conseguiu libertar-se para fazer um cabeceamento que chegou a criar frisson, mas nada mais do que isso. Faltava-lhes a chamada definição.

Com 78% de posse de bola no fim dos 45 minutos, o Benfica só contabilizava um remate claro para golo. Foi aos 20 minutos, quando o ferro da baliza evitou um golaço de Rafa.

O autogolo ou a lei de Darwin

Pedia-se mais assertividade à equipa de Veríssimo e mais ousadia ofensiva à equipa de Sá Pinto para a segunda parte. Ambos voltaram dos balneários com os mesmos. Estariam os treinadores satisfeitos com o que aconteceu no primeiro tempo? Obviamente que depende do ponto de vista, mas Paulo Bernardo mostrou logo que merecia mais do que 45 minutos. Assim que o jogo recomeçou tirou dois adversários do caminho (um ficou sentado no relvado) e rematou ao lado, mas com muito perigo.

A intenção estava lá. Assim como estava no remate de Grimaldo e no cabeceamento de Seferovic logo depois, mas o 0-0 teimava em manter-se no marcador. O suíço dava mostras de alguma impaciência e os murros no relvado depois de mandar uma bola para a bancada mostravam que não estava contente com o desempenho no jogo.

A resposta da equipa de Moreira de Cónegos desta vez teve princípio, meio e fim. Walterson Silva estava completamente isolado, mas falhou o passe atrasado para Rafael Martins quando tinha tudo para rematar à baliza de Vlachodimos. Não ser egoísta é bem diferente de ser esbanjador, ainda mais quando do outro lado está o Benfica e o marcador ainda a zero.

Para ser mais agressivo no último terço, Veríssimo apostou em Diogo Gonçalves e tirou Seferovic. Mas ainda antes de ver se a substituição ia ou não funcionar como pretendido o treinador do Benfica viu a equipa sofrer um golo aos 62 minutos. Um autogolo. Otamendi fez um corte contra Gilberto e a bola entrou mesmo na baliza de Vlachodimos. Havia dúvidas sobre a posição de Rafael Martins, mas o VAR entendeu que não se fez ao lance e validou o golo. A resposta não demorou. Um corte de um defesa do Moreirense fez ricochete e isolou Darwin para o empate.

Logo depois Paulo Bernardo saiu e o público não gostou. Veríssimo viu a toca do menino bonito da equipa B por Yaremchuk ser assobiada pelos mesmos adeptos que tinham aplaudido a titularidade. Alheio a isso, o ucraniano esteve muito perto do golo na primeira vez que tocou na bola.
Havia demérito do Benfica, mas também muito mérito da equipa de Moreira de Cónegos na forma como ia conseguindo impedir que a linha ofensiva da Luz incomodassem Kewin Silva.

A equipa encarnado baixou a pressão nos últimos dez minutos, mas Otamendi teve a vitória na cabeça aos 90"+6". A bola saiu por cima da baliza e assim se esfumou a oportunidade de vencer o jogo. O empate de ontem no Estádio da Luz confirma a tendência recente do Moreirense conseguir bons resultados com o Benfica - nos últimos quatro anos só perderam um jogo - que saiu assobiado pelos adeptos. "Temos de aceitar a contestação", confessou Veríssimo no final, admitindo que faltou eficácia: "Devíamos ter feito melhor."

isaura.almeida@dn.pt

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