"Não basta a qualidade, os jogadores necessitam de uma boa rede de contactos"

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), faz um balanço positivo desta iniciativa que se realiza desde 2001. E lembra que o estágio deste ano tem algumas inovações a nível de módulos formativos (os jogadores não estão apenas a treinar para manter a boa forma), como uma formação em Educação Financeira.

Quais são os grandes objetivos deste estágio para os jogadores que estão sem clube?

Em primeiro lugar, permitir-lhes a colocação em clubes e que estejam em boas condições para quando essa oportunidade aparecer. Mas como isso nem sempre é possível, queremos dar-lhes competências em outras atividades. É por isso que a partir de dia 17 deste mês vão existir módulos formativos, nomeadamente de coaching, scouting e, este ano, uma grande novidade, um módulo de educação financeira, algo cada vez mais importante para que os atletas saibam gerir o seu dinheiro. Temos também saúde mental, nutrição e negócios de intermediação. No fundo, tudo atividades que lhes permitem manter o contacto com o futebol. Felizmente, tem havido uma grande aceitação e eles sabem que a formação é cada vez mais importante. Por exemplo, se não concluírem o 12.º ano não podem ser treinadores...

Por que razão há tantos jogadores portugueses sem contrato, alguns até com carreiras de bastante valor?

Em primeiro lugar porque é um mercado de trabalho em que há muitos recursos humanos, existe muita competição, não só de jogadores portugueses mas também de estrangeiros. Por outro lado, há quem não tenha relações privilegiadas com agentes, clubes e treinadores e acabe por ficar de fora. Muitas vezes não basta apenas a qualidade, é necessário ter visibilidade e uma boa rede de contactos. É verdade que ainda existe alguma vergonha em participar neste estágio, mas tem diminuído nos últimos anos. Os jogadores que estão nesta situação têm de decidir se querem ficar sentados em casa à espera que algo aconteça, ou se querem procurar melhorar a sua vida e a dos seus familiares.

São já 15 edições do Estágio do Jogador. Que balanço faz?

Um balanço extremamente positivo, pois estamos a falar de uma taxa de empregabilidade de 61%, no conjunto de todas as edições. E no ano passado, de 75%. E sublinho que temos melhores condições do que muitos clubes, com treinador, treinadores adjuntos, treinador de guarda-redes, massagista, fisioterapeuta... isto para além da possibilidade de realizarmos algumas sessões em pleno Estádio Nacional. E os próprios treinadores que por aqui passaram também se projetaram, posso falar por exemplo nos casos de Emílio Peixe, Pedro Martins, Nandinho e Mariano Barreto.

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