Mourinho vs. Guardiola. E se o duelo voltar em Inglaterra?

Português é hipótese para render Van Gaal no Manchester United; catalão há muito que é um alvo do rival City

Para já não passa de um cenário, mas em Inglaterra a imprensa já começa a desenhar um novo duelo entre José Mourinho e Pep Guardiola na próxima época ao comando das duas equipas rivais de Manchester: O Special One no United; o catalão no City. Em várias casas de apostas, inclusivamente, estes são os destinos apontados como mais prováveis para os dois treinadores.

O cenário não é de todo de descartar. Mourinho, despedido anteontem do Chelsea e livre para assinar por outro clube, já foi alvo do Manchester United em 2013, quando Alex Ferguson anunciou a retirada, e tem uma relação muito próxima com o escocês, atualmente conselheiro do clube de Old Trafford. A juntar a isto, Van Gaal, atual técnico do United, tarda em convencer dirigentes e adeptos, com a equipa a jogar um futebol muito pouco atraente, afastada precocemente da Champions (caiu para a Liga Europa) e em quarto lugar no campeonato.

Aliás, treinar outro clube em Inglaterra não será problema para Mourinho, como admitiu recentemente numa entrevista à BBC: "No dia em que o senhor Abramovich pensar que não sou suficientemente bom para o Chelsea, vou querer continuar a trabalhar e, caso seja possível, em Inglaterra. Consigo ver-me a treinar outro clube em Inglaterra."

Já o futuro de Pep Guardiola está há muito associado ao Manchester City, atualmente treinado por Manuel Pellegrini. O técnico catalão, aliás, vai oficializar amanhã que não vai renovar contrato com o Bayern Munique, uma certeza já noticiada pela globalidade da imprensa alemã e britânica, que apontam o Manchester City como o destino mais provável no final da época, embora o seu nome seja igualmente associado ao Chelsea e até ao Manchester United.

Mourinho, 52 anos, e Guardiola, 44, foram protagonistas dos mais intensos duelos entre Real Madrid e Barcelona da história do clássico quando coincidiram na Liga espanhola nas épocas 2010-11 e 2011-12. Dentro, mas sobretudo fora dos relvados, com constantes ataques verbais, quase sempre iniciados pelo treinador português. Ao longo das respetivas carreiras, os dois técnicos defrontaram-se em 15 ocasiões, registando-se sete triunfos para o catalão, três para o português e cinco empates.

Num dia marcado por várias reações à saída de Mourinho do Chelsea, Van Gaal e Manuel Pellegrini, curiosamente, foram dois dos técnicos que admitiram ter ficado surpreendidos. "Foi uma grande surpresa para mim. Não esperava isto. Ele é um treinador espetacular com um recorde que ninguém tem no mundo do futebol, mas, ainda assim, foi possível. Mas para mim também será o fim do mundo se não vencer", reagiu o técnico holandês.

Já o treinador chileno do City, que teve algumas divergências com Mourinho, referiu que "a liga inglesa vai sentir a falta dele": "A Premier League perdeu um técnico importante. Talvez um técnico com quem eu discordo em muitas coisas, mas por pensar de forma diferente e não como inimigo. Preferia um campeonato com José Mourinho."

De António Costa a Terry

O despedimento de Mourinho correu o mundo e até na cimeira de chefes de Estado e de governo da União Europeia, em Bruxelas, o assunto foi abordado. O primeiro-ministro inglês, David Cameron, já se tinha pronunciado na véspera e ontem foi a vez de António Costa, para quem "José Mourinho rapidamente arranjará novas ocupações", deixando nas entrelinhas que gostava de vê-lo no... Benfica. John Terry, um dos jogadores mais carismáticos do Chelsea, também fez questão de deixar uma mensagem nas redes sociais: "Obrigado não parece ser suficiente. Dia muito triste. Vou sentir saudades, chefe. O melhor com quem já trabalhei, memórias inacreditáveis que passámos juntos."

O diretor técnico do Chelsea, Michael Emenalo, tinha admitido na quinta-feira que um dos motivos da saída de Mourinho estava relacionado com discordâncias com os jogadores. De acordo com a edição de ontem do The Times, nesta semana existiram vários focos de tensão, citando mesmo uma entrada dura de Fábregas num jogo-treino com a equipa de sub--21, que obrigou a que vários jogadores tivessem de ser separados para não chegarem a vias de facto.

Nesta altura, e apesar de ainda não haver anúncio oficial, já restam poucas dúvidas sobre o sucessor de Mourinho no Chelsea. O eleito é o holandês Guus Hiddink (um regresso, depois de em 2009 ter ganho a Taça de Inglaterra), que ontem mesmo viajou para Londres. Aliás, de acordo com a imprensa inglesa, Roman Abramovich, proprietário do clube, esteve ontem presente no treino da equipa e terá comunicado isso aos jogadores. O magnata russo, que se fez acompanhar de um tradutor, terá ainda explicado ao plantel as razões que levaram à demissão de Mourinho.

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