Missão Paralímpica aponta às quatro medalhas em Tóquio

A comitiva portuguesa inicia na terça-feira os Jogos Paralímpicos com muita esperança em bons resultados, apesar da preparação difícil que os 33 atletas tiveram por causa da pandemia.

Os Jogos Paralímpicos de Tóquio arrancam terça-feira com uma missão portuguesa composta por 33 atletas e com "muita esperança", mas consciente de que a conquista de medalhas será "complicada", sobretudo devido às dificuldades de preparação impostas pela pandemia de covid-19.

"O que temos contratualizado no contrato-programa são quatro medalhas e 22 diplomas, mas é preciso lembrar que esses objetivos foram estabelecidos antes da pandemia", refere Leila Marques, chefe da missão portuguesa em Tóquio, que assim contrasta com o otimismo do primeiro-ministro António Costa que, na cerimónia de despedida da missão, apontou a que, em Tóquio, Portugal chegue às 100 medalhas no total de participações nos Jogos, sendo que atualmente tem... 92.

Ainda assim, Leila Marques estabelece como "primeiro objetivo a conquista de recordes pessoais e nacionais", considerando que "tudo o que vier depois disso será muito bom". A antiga nadadora, que chefiará a missão onde estão representadas oito modalidades, lembra os impactos da pandemia na preparação dos atletas de boccia, uma modalidade na qual Portugal tem grande historial. "Com o encerramento das instalações desportivas, os atletas ficaram impedidos de treinar durante muito tempo e, além disso, não tiveram competições", explica.

Leila Marques garante que, apesar das dificuldades "inesperadas e que atingiram atletas de todo o mundo", a comitiva está "confiante e com esperança" e realça a importância de Portugal chegar a Tóquio com 17 estreantes e fazer, pela primeira vez, a presença nas modalidades de badminton. "São sinais de que, apesar das dificuldades, houve e continuará a haver, uma preocupação em renovar a equipa e em desenvolver o desporto adaptado, e que Portugal pensa já em Paris 2024 e Los Angeles 2028", diz.

José Lourenço, presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), também assume "um sentimento de muita esperança em bons resultados, misturado com alguma preocupação motivada pelo impacto da pandemia na preparação" e destaca como ponto importante deste ciclo a equiparação das bolsas e prémios dos atletas paralímpicos às dos olímpicos.

Preparados para o clima

A chefe de missão garante que "todos os atletas estão preparados pera competir com a temperatura e humidade de Tóquio", destacando a importância do estágio de adaptação que ainda decorre em Fujisawa. Em termos logísticos, os Jogos Paralímpicos, cuja cerimónia de abertura se realiza terça-feira com a presença do Imperador Naruhito e decorrem até 5 de setembro, são "um desafio ainda maior que os anteriores, tendo em conta as contingências impostas pela pandemia", diz Leila Marques. "Não tem sido fácil gerir todo o processo, nomeadamente em relação à permanência dos atletas na aldeia paralímpica, na qual só podem estar até 48 horas depois de terminadas as suas competições", explica.

Nas 10 participações em Jogos Paralímpicos, nove das quais consecutivas, Portugal conquistou 92 medalhas em Jogos Paralímpicos, sendo o atletismo, com 53, o boccia, com 26, e a natação, com nove, as modalidades com mais pódios.

Estreantes e campeões

A comitiva de 33 atletas portugueses apresenta-se renovada em relação à que esteve no Rio de Janeiro, em 2016. São 17 estreantes, alguns campeões europeus, um recordista mundial e uma atleta de 15 anos.

Portugal vai estar representado no atletismo, boccia, ciclismo, equestre, judo, natação, e vai estrear-se na canoagem e no badminton, modalidade que integra pela primeira vez o programa paralímpico.

Entre os 17 estreantes, destacam-se a nadadora Susana Veiga, Beatriz Monteiro, representante no badminton de apenas 15 anos, e Norberto Mourão, campeão europeu na sua classe que, juntamente com Alex Santos, marcará a estreia portuguesa na canoagem.

Na lista dos 10 atletas que vão competir nas provas de atletismo, figuram Manuel Mendes, medalha de bronze no Rio de Janeiro, e Miguel Monteiro, campeão europeu e recordista mundial do lançamento do peso F40, mas não estão Luís Gonçalves, medalhado em Pequim 2008 e Rio 2016, e Lenine Cunha, que subiu ao pódio em Londres 2012.

No boccia, a segunda modalidade com mais medalhas, a seguir ao atletismo, há alguma renovação, mas mantém-se no grupo de 10 atletas José Macedo (BC3), bronze no Rio, e parte da equipa de BC1/BC2, que também subiu ao terceiro lugar do pódio em 2016.

Na natação, Portugal terá seis representantes, entre os quais David Grachat, que somará a quarta participação paralímpica, e Susana Veiga, campeã europeia e vice-campeã mundial dos 50 metros livres (S9). No ciclismo, Portugal conta com dois representantes, que se juntam a um na equestre e um no judo. LUSA

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