Mike Tyson confessa que está falido. "Sou perigoso com o dinheiro"

Antigo campeão de pesos-pesados admitiu que esbanjou mais de 360 milhões de euros ao longo da vida e da carreira

Mike Tyson foi um dos maiores pugilistas da história. Nos ringues foi muitas vezes chamado de "homem de ferro" ou "punhos de aço", ganhou milhões pelos combates que realizou, mas também pelos inúmeros títulos que conquistou. Foi precisamente o dinheiro o principal e mais grave problema da sua vida, conforme admitiu numa entrevista ao programa Power Lunch, da cadeia de televisão norte-americana CNBC. "Sou muito perigoso e por vezes tóxico com o dinheiro", confessou o antigo boxeur, de 49 anos.

Os problemas terão começado quando morreu Cus D"Amato, o treinador, empresário e sobretudo mentor de Tyson. O mais jovem campeão mundial de pesos-pesados de sempre perdeu o rumo que D"Amato traçou para a sua vida e carreira. "O dinheiro não foi definitivamente o meu forte. Nunca soube como administrá-lo, nem perceber quais as pessoas que se aproximavam de mim só por interesse", admitiu o antigo pugilista, adiantando que terá perdido uma fortuna de "400 a 500 milhões de dólares", o que ao câmbio atual representa qualquer coisa como 365 a 455 milhões de euros. Uma fortuna, é certo, mas que foi facilmente desbaratada a ponto de Mike Tyson estar agora na miséria com dívidas superiores a 20 milhões de euros.

Vítima de abusos sexuais

A questão que se põe é simples: como é possível chegar a este ponto? A explicação foi dada pelo próprio e não deixa margem para dúvidas. "Estava completamente fora de mim", atirou, resignado, reconhecendo os excessos cometidos com o consumo de álcool e de drogas. A isto é preciso juntar ainda o divórcio com a atriz Robin Givens, após um casamento de três meses, pelo qual teve de pagar nove milhões de euros, pois a ex--mulher acusou-o de violência doméstica, algo que pesou na decisão tomada pelo juiz. Além disso, gastou rios de dinheiro em joias de 80 quilates e até numa coleção de automóveis. A bancarrota, declarada em 2003, não foi surpresa para aqueles que o acompanhavam de perto.

Hoje diz estar diferente e lamenta o estilo de vida que levou quando esteve no auge da fama e da glória - quando era o rei do boxe mundial. Mike Tyson sempre revelou uma personalidade irreverente, com uma dose de loucura bem acima do aconselhável, algo que o antigo pugilista admite estar relacionado com a infância difícil por que passou.

"Um vagabundo abusou de mim quando tinha 7 anos", revelou na sua autobiografia, na qual desvendou que poderá estar aí a explicação para o facto de ter passado de vítima sexual a abusador. É que em 1992 acabou mesmo por ser condenado a uma pena de três anos de prisão, precisamente por violação. Aliás, Tyson esteve mais vezes nas bocas do mundo por causa de suspeitas de abusar sexualmente de mulheres.

Empenhado em pagar as dívidas

Os inúmeros casos em que se viu envolvido levam-no agora a pedir que tenham piedade dele. "Só quero viver uma vida tranquila. Não quero morrer", disse na entrevista, garantindo que reconhece todos os erros que cometeu: "Sei que fui um mau rapaz e que fiz muitas coisas más. Quero que um dia me perdoem por ter mudado e optado por viver a vida de outra forma", frisou.

A prova de que está um homem diferente daquele que muitas vezes escandalizou o mundo é o facto de estar a tentar faturar dinheiro para pagar as dívidas.

Por isso, escreveu uma autobiografia, entrou em filmes e até num espetáculo da Broadway. "Tenho agora mais fãs do que em toda a minha carreira no boxe. E sabe como eu sei isso? Porque tenho internet", disse, consciente de que apesar de o seu último grande combate - aquele em que mordeu a orelha de Evander Holyfield - ter sido há mais de 18 anos, conta com cinco milhões de seguidores na rede social Twitter.

É essa popularidade que pretende rentabilizar a seu favor para que dessa forma possa recuperar alguns dos milhões de dólares que deitou pela janela... para assim poder pagar as dívidas. Voltar ao cinema, repetindo a participação que teve no filme Hangover, é uma possibilidade que não rejeita. "Se me telefonarem e pagarem...", rematou Myke Tyson, bem ao seu jeito, irreverente, como sempre, ele que ainda em julho passado visitou a equipa de futebol principal do Benfica, durante um treino que os bicampeões nacionais realizaram em Nova Iorque, na digressão de pré-temporada.

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