Messi. As explicações do Barcelona e o PSG como destino provável

Presidente Joan Laporta diz que renovar contrato com o argentino era um grande risco para as finanças do clube, que teria de "hipotecar 50 anos de direitos televisivos". PSG disposto a oferecer 50 milhões por época.

O day after do anúncio da saída de Lionel Messi do Barcelona foi rico em novidades. O presidente Juan Laporta convocou uma conferência de imprensa para explicar ao pormenor as razões de o jogador não ficar, basicamente relacionadas com questões financeiras, e o Paris Saint-Germain admitiu que pode avançar para a contratação do argentino, que neste momento é um jogador livre, mas que custa muitos milhões só em salários.

Mauricio Pochettino, treinador do PSG, admitiu esta sexta-feira que o clube parisiense está muito atento à situação. Na conferência de imprensa de lançamento do jogo com o Troyes, as perguntas foram praticamente todas direcionadas para a possibilidade de Messi se juntar a Neymar e ao compatriota Di María no clube francês.

"Estamos concentrados no início da temporada. Mas em paralelo o clube trabalha forte e discretamente no mercado, no sentido de melhorar a equipa para atingirmos os nossos objetivos. Quanto a Messi, sabemos o que aconteceu. O Leonardo [diretor desportivo ] e o presidente [Al Khelafi] estão a trabalhar para melhorar a equipa. Mais do que uma posição, no caso de Messi, é a qualidade de um jogador deste calibre que conta. O clube trabalha muito, avalia as opções e claro que Messi é uma delas", disse o treinador.

E os contactos parecem estar mesmo em marcha. Segundo o jornalista italiano Nicolò Chira, bem informado de assuntos relacionados o mercado de jogadores de futebol, o PSG já terá feito chegar uma proposta a Lionel Messi, oferecendo-lhe um contrato válido por duas temporadas a troco de 50 milhões de euros em salários por cada uma das épocas.

De parte está a possibilidade de o internacional argentino se mudar para Inglaterra, com destino ao Manchester City, onde iria reencontrar Pep Guardiola. Foi o técnico catalão, aliás, que descartou esta sexta-feira essa possibilidade.

"Foi uma surpresa para todos, e até para mim. Como adepto, tenho uma gratidão enorme pelo jogador mais extraordinário que já vi na minha vida. Mas de momento, não está nos nossos planos. Gastámos milhões na contratação do Jack Grealish [cerca de 118 milhões de euros pagos ao Aston Villa]. E ele vai usar a camisola 10. Achávamos que Messi ia ficar no Barcelona", referiu, confirmando, isso sim, o interesse no avançado Harry Kane, do Tottenham.

Uma questão de sobrevivência

O presidente do FC Barcelona, Joan Laporta, convocou esta sexta-feira uma conferência de imprensa para explicar os contornos da não renovação do contrato de Messi, justificando que a sua permanência teria "colocado em risco" o futuro do clube, tendo em conta a situação financeira do emblema catalão.

"Os números [financeiros] do clube são preocupantes. Recebemos uma herança nefasta e calamitosa [da anterior direção], com uma massa salarial desportiva que representa 110% das receitas do clube. Não temos margem salarial. Fazer um investimento com o que se previa com o contrato de Messi acarretava certos riscos e não queremos colocar ainda mais em risco o clube", afirmou Laporta.

Numa conferência de mais de uma hora, o líder dos catalães, eleito em março, reforçou que o clube tem de "cumprir o fair-play financeiro" e não pode "hipotecar 50 anos de direitos televisivos".

"Esta instituição tem 122 anos de história e está acima de qualquer jogador, inclusive do melhor do mundo. O Barça está acima de todos e é preciso preservar a instituição. Já passámos por muitas coisas e conseguimos sempre ultrapassá-las. Acredito que também o consigamos agora", referiu.

Ainda assim, Laporta assegurou que Messi queria continuar no clube que representou nos últimos 20 anos: "Não há qualquer razão para criticá-lo. Fez todos os possíveis para continuar. O Leo queria ficar. Estou triste, mas convencido de que defendemos da melhor forma os interesses do Barça."

"Deixa um legado enorme, fez história aqui. Foi o jogador que mais troféus conquistou e é uma referência de um período brilhante, mas espero que possamos superá-lo. Iniciamos uma nova era. Há um antes e um depois [de Messi]. Trouxe alegria, êxitos, imagens que ficam para a história. Fica um agradecimento eterno. No entanto, não vou dar falsas esperanças e dizer que a situação vai ficar controlada. A massa salarial está sobrecarregada. Com Messi, correspondia a 110% das receitas e sem ele é de 95%", sublinhou.

Messi, que chegou ao Barcelona com 13 anos, estreou-se pela equipa principal em 2004/05 e, em 17 épocas, conquistou 34 títulos, entre os quais 10 ligas espanholas e quatro Ligas dos Campeões, além de ter sido eleito por seis vezes Bola de Ouro (melhor jogador do mundo) e ter conquistado por seis vezes a Bota de Ouro (melhor marcador dos campeonatos europeus). Lusa

nuno.fernandes@dn.pt

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