Marcelo louvou os "geniais" e tirou o peso à taça antes da selfie

Seleção campeã da Europa foi recebida em apoteose no aeroporto e com elogios em Belém. Troféu pode ser visto na Cidade do Futebol

A seleção nacional demorou "demasiado" a chegar, para quem esperava ontem no aeroporto para saudar os campeões da Europa de futsal. A espera foi "uma eternidade", que as vozes da multidão foram amenizando, ora cantando A Portuguesa ora fazendo uso do tradicional grito -"campeões, campeões, nós somos campeões". Daí até ao refrão que ficou eternizado pelos outros campeões europeus, os do futebol no Euro 2016, foi um pulo: "Pouco importa, pouco importa/ Se jogamos bem ou mal/ Queremos é levar a taça/ Para o nosso Portugal!"

Os familiares e amigos esperavam escondidos por entre a multidão, quais ilustres desconhecidos de coração aberto e saudade no rosto, que o staff da federação e os jornalistas foram descobrindo enquanto os mais recentes heróis nacionais não chegavam à porta de saída do Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa). Foi o caso do pai de André Sousa, Jorge, que bem tentou disfarçar a ansiedade em felicitar o filho. "A final não foi nada de especial [risos], já lhe vi fazer melhor, mas foi sem dúvida importante para ele e para a seleção um jogo tão bem conseguido", disse ao DN Jorge Sousa, explicando como a baixa estatura de André para o futebol de 11 (jogava na Académica) o fez mudar para o futsal.

A mãe de outro guarda-redes, Bebé, e as sobrinhas, vestidas a rigor, não deixavam margem para dúvidas quanto à proximidade ao guardião dos Leões de Porto Salvo. Maria Duarte abriu o sorriso para contar como o filho, Euclides Gomes Vaz, se fez Bebé: "Nasceu com apenas 1, 5 kg e passou a ser o meu bebé..." A alcunha virou depois nome profissional, daquele que hoje é um dos 14 campeões europeus.

A família Matos já está habituada ao sucesso do filho. O pai de João Matos (Sporting), Agostinho de seu nome, deu mesmo uma ajuda ao staff da federação a identificar alguns familiares dos campeões, para que se concentrassem no mesmo lugar e evitassem atropelamentos na hora de matar saudades. "Agora há aqui muita gente e eles merecem, mas há jogos, mais dos clubes do que da seleção, em que são apenas os familiares e pouco mais a puxar por eles e assim vai-se criando uma outra família, a do futsal", lembrou Agostinho, desconhecendo a moda que levou o filho a deixar crescer a barba e a fazer um carrapito na cabeça.

Incansável a agitar uma bandeira de mais de quatro metros, feita de lençóis com as cores nacionais, estava Samuel Cavaleiro, que fez questão de levar o apoio da Amadora aos novos heróis nacionais. "Fizemos a bandeira para o Euro 2016 e deu sorte. Quisemos hasteá-la na rotunda dos Soeiros, mas a câmara mandou retirá-la, então guardámo-la no café lá do bairro onde vemos os jogos de Portugal", contou ao DN.

Uns metros ao lado do homem da bandeira, um cartaz também chamava a atenção dos presentes - "Tabuaço apoia a seleção" -, culpa da brigada de Tabuaço, composta, entre outros, por Fátima Machado, Ana Paula Ferreira e Rita Machado e com um destinatário especial: "O nosso menino, o Fábio Cecílio."

Quem também não quis perder a chegada da seleção foi um grupo de traquinas do Sporting. A equipa de futebol de 7 dos leões, mal acabou o jogo de domingo de manhã, quis fazer tempo até ao jogo com o Feirense no aeroporto. Os traquinas leoninos foram incansáveis no apoio, tal como "o pessoal de Nelas". Ou seja, a claque de apoio a André Coelho, que tinha um "Eder" entre eles. "Era a única camisola da seleção que tinha para vestir", atirou João Sampaio, também ele jogador de futsal (Fundão), na esperança de ganhar uma do amigo agora campeão da Europa.

Ricardinho sem largar a taça

Com o passar dos minutos, o burburinho foi aumentado e a inquietação das vozes também. A chegada foi anunciada pelos telemóveis no ar, prontos a registar o momento no Aeroporto Humberto Delgado. A PSP organizou um corredor de segurança para permitir que a comitiva chegasse em segurança e sem atropelos ao autocarro, que os iria levar até ao Palácio de Belém, para serem recebidos pelo Presidente da República. Mas os cerca de 20/30 metros fizeram-se a ritmo lento e muito felicitado. Com Ricardinho à frente, a coxear (saiu lesionado antes de o jogo acabar) e de troféu na mão, o capitão ainda acedeu ao desafio dos fãs para saltar: "Hoje não dói nada, amanhã logo se vê."

O capitão só largou a Taça no Palácio de Belém. Foi lá perante Marcelo que disse que "o futsal conseguiu tocar o céu" e deixou o Presidente tomar o peso ao troféu. "É pesada", avisou Ricardinho, antes de pedir para tirar uma selfie.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou o contributo do triunfo de Portugal frente à Espanha (3-2) para a "autoestima dos portugueses" e recordou como o trabalho aliado ao talento faz campeões: "Muitas vezes temos a teoria de que basta um génio ou talento sem trabalho para se chegar a um objetivo. Isso não existe. O mundo está cheio de génios que não chegaram a sítio algum por falta de trabalho. Vocês são geniais." Por isso vão receber a Ordem do Mérito, condecoração que será entregue no próximo mês de março, durante a Gala das Quinas de Ouro.

Já depois da cerimónia na Sala das Bicas do Palácio de Belém, a comitiva nacional encaminhou-se para o autocarro para seguir viagem rumo à Cidade do Futebol, até que Ricardinho resolveu quebrar o protocolo. Com a ajuda de Fernando Gomes, líder da FPF, o capitão acedeu ao grito das centenas de adeptos que esperavam na rua para felicitar os campeões. Foi assim como que uma descida a pé, do céu à terra, para levar o troféu até ao povo, ali bem em frente ao Palácio e com os adeptos a gritar "e salta Marcelo, olé", dando ideia de que o Chefe do Estado estava a ver da janela...

E foi já ao som do Tu também, dos Xutos & Pontapés, que a Taça chegou à Cidade do Futebol. Juntou-se às irmãs campeãs europeias de futebol (2016) e de futebol de praia (2015). Foi lá que o treinador Jorge Braz contou que logo no dia do sorteio para o Campeonato da Europa, em setembro, recebeu um sms daquele que viria a ser o herói maior, Bruno Coelho, a dizer: "Mister, vamos ser campeões."

E assim foi. Porque, segundo o jogador do Benfica, assim "estava destinado". Bruno Coelho acabou o Europeu com seis golos, dois na final, à Espanha, um a 55 segundos do fim do jogo e outro a pouco mais de um minuto do fim do prolongamento: "Estava confiante, até tinha dito ao Ricardinho "fica descansado que eu faço, vamos ser campeões da Europa". Quando a bola entrou foi um misto de emoções, senti que eram 11 milhões de portugueses comigo e saímos a festejar. Agora vamos desfrutar."

Já o capitão confessou que ainda durante o estágio, em Rio Maior, os jogadores mudaram o nome do grupo de WhatsApp em que todos participam para "Campeões Europeus". Depois foi só "trabalhar" para o concretizar e ganhar um lugar na história.

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