Leonardo Jardim, um treinador que privilegia a gestão ao treino

Responsável pelo sucesso do Mónaco comparou o futebol às empresas e explicou que o sucesso dos técnicos portugueses deve-se à "capacidade de adaptação" e "conhecimento"

Leonardo Jardim é o rosto de uma época de sonho no Mónaco, uma equipa formada por jogadores jovens e emergentes, que surpreendeu o mundo do futebol ao chegar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões à custa do milionário Manchester City de Guardiola. O treinador português, de 42 anos, foi um dos oradores do primeiro dia do Football Talks 2017, que decorre no Centro de Congressos do Estoril, tendo dado algumas pistas para aquele que está a ser o seu primeiro ano de grande sucesso no futebol europeu.

"O bom treinador é aquele que consegue gerir melhor a sua equipa para que os jogadores possam dar o máximo", afirmou o técnico, que admite ser hoje um treinador diferente daquele que iniciou a carreira na Madeira, pois dá "mais importância à gestão de tudo aquilo que envolve a equipa do que propriamente ao treino". "Quando estava no Chaves [2008-09], dava mais importância ao treino porque era só eu e o meu adjunto e tínhamos de nos preocupar com tudo, mas agora tenho uma equipa técnica que me permite gerir o trabalho", assinalou.

Apesar desta mudança de abordagem, Jardim garante que continua a ter "a mesma paixão pelo futebol", mas o facto de ter passado por vários patamares - desde a formação aos campeonatos profissionais - permitiu-lhe adaptar-se "a cada nível de exigência", sempre com a máxima de que "um treinador só é valorizado quando ganha". E é o facto de estar numa equipa de topo europeia que o leva a ter a consciência de que "o futebol é como as empresas, pois visa o lucro, pelo que os treinadores devem ter em conta que o investimento tem de ser proporcional às vitórias". No fundo, é essa a lógica que está presente no projeto do Mónaco, apesar de ter de competir em França com uma equipa que investe bem mais, o Paris Saint-Germain.

E, nesse contexto específico, Jardim foi desafiado a explicar as razões do sucesso do treinador português um pouco por toda a Europa. E aí há uma ideia que considera fundamental: "A capacidade de adaptação que os técnicos portugueses têm mesmo em cenários de dificuldade." Esse é um fator que, em sua opinião, "é uma mais-valia", podendo ainda juntar-se "o conhecimento" adquirido, que lhes permite "falar de futebol, mas também de medicina desportiva e gestão". No fundo, o treinador português é um agregador de várias valências importantes para uma carreira de sucesso. Além disso, admite, é preciso ter jogadores com talento, embora avise que isso não chega: "É importante ter talento, mas não é suficiente porque o futebol é um desporto de equipa. É necessário que os jogadores tenham capacidade de trabalho, mentalidade e disciplina, pois existiram muitos talentos com 17, 18 e 19 anos e que depois desapareceram."

Leonardo Jardim é muito "realista" quanto à forma como as suas equipas jogam e explica isso com exemplos. "Quando cheguei ao Sporting, que vinha de um sétimo lugar, sabia que o importante era ter resultados. Agora, com três anos de trabalho no Mónaco, tenho a possibilidade de dar espetáculo e ter resultados. Quando não tenho capacidade de ter os melhores jogadores procuro apenas ganhar", explica, numa espécie de justificação por a sua equipa ser a que mais golos marca na Europa (129).

António Costa distingue Gomes

O pontapé de saída no Football Talks 2017 foi dado por Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com um discurso de boas-vindas, que antecedeu um dos momentos altos do dia - o primeiro-ministro António Costa foi ao palco elogiar o trabalho da FPF no último ano, com a conquista do título europeu de seleções, o Europeu de sub-17, o título mundial de futebol de praia e o apuramento da seleção feminina para o Euro. Por tudo isso, o chefe de governo entregou ali mesmo o colar de honra ao mérito desportivo ao líder da FPF. "Atribuímos esta distinção àquele que é o rosto do orgulho e felicidade dos portugueses pelo desempenho das seleções", destacou António Costa.

Foi com emoção que Fernando Gomes agradeceu a homenagem: "É um galardão individual, mas que não é meu. É de muita gente que colabora comigo ao longo deste tempo e da minha família pelo apoio incondicional para que eu me possa dedicar ao futebol português."

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