La Liga começa uma nova vida sem Leo Messi mas com Impulso

O acordo com fundo de investimentos CVC aprovado na quinta-feira deixa de fora Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbau, num ano em que os relvados do país perderam para a Ligue 1 a magia do craque argentino e os clubes têm apostado nos reforços a "custo zero".

O futebol jogado tem estado mais ou menos discreto em Espanha. No fim de semana em que arranca mais uma edição de La Liga, talvez a mais estranha e imprevisível dos últimos anos, as atenções estiveram mais viradas para o acordo que a direção da liga, liderada por Javier Tebas, fez com o fundo de investimentos privado CVC, que renderá um valor de cerca de 2,1 mil milhões de euros aos clubes das duas principais divisões que o aprovaram em troca de perto de 11% dos direitos televisivos (que em Espanha, como em praticamente todas as ligas, são centralizados) pelos próximos 50 anos. Real Madrid, Barcelona, Athletic Bilbau e o secundário Oviedo recusaram aprovar o acordo (o que fez cair o valor inicial de cerca de 2,7 mil milhões), apelidado de La Liga Impulso e que teve 38 votos a favor, e não vão receber qualquer valor, depois do referido fundo ter aceitado uma modificação de última hora na qual concorda em não negociar os direitos dos opositores - tentando evitar desta forma uma anunciada batalha legal.

Tebas classificou o negócio como "histórico e excecional" e voltou a acusar o clube presidido por Florentino Pérez de ainda estar a pensar na ideia da Superliga Europeia, mas a verdade é que a própria federação espanhola manifestou a sua oposição, considerando-o ilegal. De referir que o negócio implica uma série de condições: 70% do valor recebido por cada clube tem de ser investido em infraestruturas e inovação digital, 15% para reestruturação das dívidas financeiras e apenas os restantes 15 para a inscrição de jogadores. Além de várias outras razões, a falta de flexibilidade para utilizar o dinheiro teve um papel importante na nega dada pelo Athletic Bilbau.

Tudo isto num ano em que a Liga, ainda por cima, perdeu o seu principal jogador e atrativo. Ao fim de 17 temporadas na equipa principal, dez títulos de campeão e 474 golos na prova, o argentino Lionel Messi foi obrigado a deixar um Barcelona endividado e a rumar a França e ao Paris SG, onde será companheiro de Sergio Ramos, ex-Real Madrid. Os capitães dos dois principais emblemas espanhóis vão abrilhantar a Ligue 1, algo que não preocupa Javier Tebas, que reagiu com alguma indiferença, como já tinha feito quando Cristiano Ronaldo rumara a Itália.

"Temos vendidas as próximas quatro temporadas e nenhuma cláusula diz que valham menos sem Messi. Os jogadores importam, ajudam, mas não são imprescindíveis", afirmou o presidente da Liga. O tempo dirá se tem razão...

Campeão intocável

Se foi por causa das negociações ou não, a verdade é que os clubes da La Liga não fizeram grandes investimentos até ao momento. Apenas três transferências superaram os 10 milhões de euros, com o campeão Atlético de Madrid e o Villarreal, que deu excelente conta de si na Supertaça Europeia frente ao Chelsea, a serem os mais gastadores até agora. Mas a garantia de entrada de dinheiro fresco proveniente do acordo com a CVC vai seguramente animar o mercado até ao seu encerramento, no final do mês.

Partindo na frente graças ao seu estatuto de campeão, os colchoneros de Diego Simeone garantiram também a manutenção do plantel que chegou ao título, reforçando-o, para já, com o médio argentino Rodrigo de Paul, que vem de uma excelente época na Udinese e custou 35 milhões de euros, e com o extremo brasileiro Marcos Paulo, ex-Fluminense. De resto, mantém-se a espinha dorsal da equipa, onde João Félix terá de mostrar mais do que a irregularidade evidenciada nos dois primeiros anos. O português, um dos 11 portugueses que integram plantéis de La Liga no arranque da competição, está todavia lesionado e vai ter de partir em desvantagem na luta pela titularidade, uma vez que não há data prevista para o regresso.

Já os principais rivais do Atleti na luta pelo ceptro têm estado pouco ativos, apostando para já em jogadores livres. No Santiago Bernabéu (que continua em obras e só deve estar apto a receber jogos daqui a um mês), Florentino Pérez viu sair o técnico Zinédine Zidane e apostou no regresso do italiano Carlo Ancelotti, mas até ao momento apenas contratou o austríaco David Alaba - o defesa terminou contrato com o Bayern e, aos 29 anos, recebeu um prémio de assinatura de 17,7 milhões, segundo revelou o Der Spiegel, para rumar a Madrid.

Na Catalunha, o Barcelona, e ainda antes do drama Messi, também optou pela mesma tática. Foi buscar dois avançados livres: o holandês Memphis Depay, que estava no Lyon, e o argentino Agüero, que deixou o Manchester City e já se lesionou, prevendo-se que só regresse em outubro. Isto além do jovem central Eric García que estava no Man. City. O único dinheiro investido foi no lateral brasileiro Emerson, que atuava no Betis. Mas a grande preocupação do presidente Joan Laporta é mesmo dispensar alguns dos ativos do plantel para equilibrar as contas que impediram a continuidade ao astro argentino. Mesmo assim, a equipa treinada por Ronald Koeman deu boas indicações, depois de conquistar o Troféu Joan Gamper com uns claros 3-0 à Juventus de Cristiano Ronaldo.

À espreita, discretamente, estará ainda o Sevilha de Julen Lopetegui. Depois de ter andado nos primeiros lugares no final da época passada e ter terminado no quarto posto, o clube andaluz garantiu Erik Lamela (ex-Tottenham) e aponta baterias ao mexicano Jesús Corona, do FC Porto - uma exigência do treinador -, além do lateral sueco Augustinsson (Werder Bremen) e do médio dinamarquês Thomas Delaney (Dortmund) para dar o passo em frente e, quem sabe, intrometer-se de novo na luta pelo primeiro posto.

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