Katinka, a heroína dos anfitriões, trava uma guerra foras das piscinas

Estrela húngara luta contra novas regras da Taça da Mundo, que limitam a participação e os prémios recebidos pelos atletas

Chamam-lhe "dama de ferro" mas nada tem que ver com Margaret Thatcher. Enquanto a antiga primeira-ministra britânica (1979--1990) esmagava impiedosamente greves de mineiros, Katinka Hosszú é pela defesa dos direitos, liberdades e garantias. A nadadora húngara - principal heroína dos anfitriões dos mundiais, que hoje começam em Budapeste -, lidera a recém-criada Associação Global dos Nadadores Profissionais (GAPS), que está a travar uma guerra fora das piscinas, pelos prémios e direitos competitivos dos atletas.

Hosszú, triplo ouro no Rio 2016 e detentora de cinco títulos mundiais de piscina longa, estaria sempre em foco. A "dama de ferro" é a maior estrela da Hungria, um dos países-referência da modalidade, que recebe pela primeira vez os Mundiais. E, mais do que nos ombros do veterano László Cseh e dos promissores Boglárka Kapás e Tamás Kenderesi, é nos de Katinka que recaem as esperanças magiares de superar o recorde de oito medalhas conquistadas em 1991 - vai competir em seis provas individuais, 200 metros livres, 100 e 200 costas, 200 mariposa e 200 e 400 estilos.

Contudo, Katinka ganhou outro protagonismo nas últimas semanas, ao iniciar uma guerra com a Federação Internacional de Natação (FINA), por causa dos prémios pagos aos atletas e dos seus direitos de livre acesso a todas as provas. O conflito nasceu quando a FINA decidiu limitar a quatro o número de provas em que cada nadador pode competir em etapas da Taça do Mundo - a partir do próximo evento, agendado para agosto, em Moscovo. Katinka Hosszú, papa-títulos que tem na competição uma das suas principais fontes de rendimento (foi a primeira nadadora a acumular um milhão de euros em prémios e chega a competir em dez disciplinas num só evento), não se resigna. E iniciou um braço-de-ferro que levou à criação da GAPS, que tem como fundadores outros 14 campeões olímpicos, como Sarah Sjöström, as irmãs Bronte e Cate Campbell, Kosuke Hagino e Cameron van der Burgh.

"Os líderes da FINA criaram regras destrutivas que limitam as nossas oportunidades. Em vez de representarem os nadadores, concentraram-se em satisfazer os seus próprios interesses comerciais", acusou a húngara, de 28 anos, chegando a sugerir o boicote à Taça do Mundo, a exemplo do que os tenistas profissionais fizeram ao torneio de Wimbledon em 1973. "Sem o boicote de Wimbledon não teriam surgido grandes nomes como Agassi, Federer ou Djokovic. A mensagem é clara: temos de nos defender, não podemos deixá-los decidir por nós quando e onde competimos e por quanto dinheiro. Se as regras - que criaram sem pedir a nossa opinião - são prejudiciais, ilógicas e sem sentido, temos de defender aquilo em que acreditamos", defende a "dama de ferro" transformada em líder sindical. Agora, a bola está do lado da FINA (que tem mostrado pouca abertura para negociar): de hoje até dia 30, a luta de Katinka Hosszú faz-se dentro das piscinas.

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