Jorge Ricardo, o resistente que se tornou recordista de vitórias

Jóquei brasileiro recuperou de um linfoma e de várias lesões para alcançar, aos 56 anos, o máximo mundial de triunfos em corridas de cavalos. Próximo objetivo é chegar às 13 mil

Há um ano, estava numa cama de hospital, a recuperar de uma fratura no fémur; agora, segue a galope, a conquistar vitória atrás de vitória: Jorge Ricardo é assim, um resistente: após superar um linfoma (género de cancro) e várias lesões graves, o jóquei brasileiro tornou-se, aos 56 anos, o recordista mundial de vitórias em corridas de cavalos. Já leva 12 863 e o seu objetivo é chegar às... 13 mil.

A última vitória foi há uma semana: Ricardinho - como também é conhecido - levou o Carta de Amor ao 1.º lugar, na corrida Classico Doria, no Hipódromo de San Isidro (arredores de Buenos Aires). Mas desde fevereiro que o jóquei brasileiro, radicado na Argentina, detém o recorde máximo mundial de triunfos em corridas de cavalos: então, ultrapassou os 12 844 do canadiano Russell Baze (que se retirou, aos 57 anos, em 2016). E, a partir daí, tem continuado a somar.

A marca lendária é o corolário dos 41 anos de carreira de Jorge Ricardo como jóquei: um percurso iniciado aos 15 anos, no Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, e ainda sem prazo para acabar. "[No início,] nunca pensei que pudesse ganhar perto de 13 mil corridas. Mas é, sem dúvida, um sonho tornado realidade", afirmou o cavaleiro brasileiro, à AFP.

Foi precisamente um triunfo no palco onde tudo começou - a Gávea - que permitiu a Jorge Ricardo ultrapassar em definitivo Russell Baze. Ao longo dos últimos dez anos, brasileiro (a competir maioritariamente na Argentina) e canadiano (mais dedicado ao circuito de corridas da América do Norte) digladiaram-se - quase sempre à distância, sem se cruzarem - pelo título de recordista mundial de triunfos.

Ricardinho - que chegou a ganhar mais de 400 corridas por ano - foi o primeiro a passar as marcas das 10 mil (janeiro de 2008) e das 12 mil vitórias (maio de 2013). Contudo, em ambos os casos, acabou ultrapassado por Baze - que chegou primeiro aos 11 mil triunfos (agosto de 2010). "Este recorde é de grande importância para mim, porque é algo que perseguia há muito tempo. Já o tive nas mãos por duas vezes, mas escapou-me devido a quedas e problemas de saúde", recordou o jóquei carioca.

As várias lesões (fraturas de clavícula, braço, omoplata, cotovelo, dedos, costelas e fémur...) e o linfoma (que o obrigou a uma ausência prolongada da competição, para fazer quimioterapia) serviram para mostrar a faceta resistente de Jorge Ricardo. "Nunca me passou pela cabeça que não pudesse voltar a correr: mantive sempre uma atitude positiva e acreditei que ia recuperar", explicou à CNN. E a rivalidade com Russell Baze deu-lhe o alento para continuar a pensar sempre na próxima corrida. "Ele foi o homem que me inspirou a seguir em frente. É uma ótima pessoa: sem ele não teria conseguido tudo o que consegui. E tenho imenso respeito pelo profissional incrível que é: alguém tão merecedor deste recorde quanto eu", sublinhou Ricardinho, depois de alcançar a 12 845.ª vitória, ao fim de mais de 70 mil corridas de cavalos (e mais de 15 mil dias como jóquei profissional).

Tamanha dedicação a esta disciplina do hipismo obrigou Jorge Ricardo a uma grande dose de abnegação. "É preciso ter muito trabalho, perseverança e amor ao que se faz. Não me arrependo dos sacrifícios que fiz", afirmou. E, agora, que essa história está quase no final, o jóquei carioca aponta a mais uma marca histórica: 13 mil triunfos (ou algo mais...). "Vou correr pelo menos até ao final do ano... e depois seguir um pouco mais, enquanto tiver saúde e a minha cabeça e o meu corpo aguentarem. O objetivo é aumentar o recorde até onde der, até onde eu conseguir", concluiu.

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