Jonas Hector, da quinta divisão alemã a estrela da seleção

Só chegou à Bundesliga há dois anos e é o único internacional alemão que nunca entrou numa academia de futebol. O lateral esquerdo que só queria "uma televisão e uma cama maiores" é uma espécie rara no futebol de alta competição e está a brilhar no Europeu

Quando a Alemanha conquistou o Mundial 2014, disputado no Brasil, o selecionador Joachim Löw explicou a que se deveu o sucesso. "Este título levou dez anos a ser preparado. Depois de eliminados na fase de grupos do Euro 2004, reestruturámos o futebol de formação. Foi uma aposta de raiz no futebol de formação. Começámos a formar os jogadores do futuro", alegou na altura.

O projeto foi um sucesso, e prova disso é que 22 dos convocados da Alemanha para o Euro 2016 foram internacionais jovens pelo país e começaram cedo a integrar academias de formação de grandes clubes. Só há uma exceção: Jonas Hector. Quem? O jogador mais utilizado pela Alemanha em 2015, o melhor lateral esquerdo da Bundesliga em 2015-16 e que só é internacional desde 2014, o mesmo ano em que chegou à Liga alemã.

Jonas Hector reconhece, com humor, que é "uma espécie de jogador que se calhar já não devia existir". Durante toda a infância e até fazer 20 anos, o lateral esquerdo só conheceu um clube: o modesto SV Auersmacher, que Hector representou na quinta (!) divisão. "Se na altura me dissessem que agora jogaria na Bundesliga e na seleção alemã, não acreditaria", admitiu o lateral.

Apesar de ter talento, Jonas Hector nunca procurou mudar de clube. "Gostava de estabilidade. Estava sempre perto da família e dos amigos. Tinha prazer em representar o Auersmacher e não havia motivos para mudar", explicou. Até que em 2010 o Colónia abriu-lhe as portas. Durante três anos, só alinhou pela equipa secundária, como médio, mas seguiram-se duas épocas como titular e a promoção à Bundesliga, em 2014, mudou-lhe a carreira, sobretudo após ter passado a jogar como lateral esquerdo, a sua posição atual na seleção germânica.

Bastaram três meses na I Liga alemã para ser chamado por Joachim Löw à seleção. "Não acreditei quando recebi a notícia. Pensava que estavam a brincar comigo", confessou o melhor lateral esquerdo da Bundesliga de 2015-16 e que foi o jogador mais utilizado pela seleção alemã em 2015.

No Euro 2016, Jonas Hector já teve o seu momento de fama, ao bater o penálti que decidiu o Alemanha-Itália nos quartos-de-final do torneio. "Tinha o coração nas mãos. Foi um momento muito intenso para mim", disse o futebolista, que não gosta de conviver com a fama. "Não tenho Facebook, Twitter, nada dessas redes sociais. Não gosto de me promover na internet. Não preciso disso. Gosto de estar sossegado e ser discreto", atirou o atleta, que quando assinou o primeiro contrato profissional com o Colónia só pensou em comprar duas coisas: "Uma televisão e uma cama maiores. Não precisava de mais nada. Vivo agora da mesma maneira que vivia quando estava no Auersmacher. Poupo o dinheiro e não gasto por gastar", frisou.

Agora, aos 26 anos, Hector, considerado o sucessor de Philipp Lahm na seleção alemã, está perto de dar um grande salto na carreira: o Liverpool, por indicação do treinador Jürgen Klopp, está a negociar a sua contratação com o Colónia, por um valor a rondar os 20 milhões de euros. Hoje será novamente titular frente à França, nas meias-finais do Europeu, sendo o único jogador em campo que está a estrear-se numa competição internacional de seleções. "Faremos o possível para que a minha estreia coincida com a vitória final da Alemanha", desejou.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG