Ian Smith quer pôr râguebi português no caminho certo

Novo selecionador nacional vai estruturar Alto Rendimento. As funções do atual diretor técnico Frederico Sousa vão ser reavaliadas

Terminado o consulado de apenas quatro meses do francês Olivier Baragnon, foi ontem apresentado o novo selecionador nacional, o inglês Ian Smith, 50 anos, e ex-internacional escocês (por via dos avós). Familiarizado com o nosso râguebi por ter-se deslocado várias vezes como consultor da World Rugby (WR) para o desenvolvimento das seleções jovens, o técnico foi contratado até junho com duas funções: dirigir os Lobos no Europeu que arranca já daqui a menos de quatro semanas e propor uma estrutura para o Alto Rendimento.

O presidente da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR), Luís Cassiano Neves, revelou que Ian Smith foi o único nome equacionado após a dispensa de Baragnon, pela sua identificação com o râguebi português e com vista a "deixar sementes para o futuro", pois irá elaborar um plano de desenvolvimento para quatro anos, "única forma de a WR nos poder financiar".

Questionado sobre o esvaziamento do cargo do diretor técnico nacional Frederico Sousa - sob avultado contrato com a FPR -, o dirigente revelou que, a seu tempo, serão "reavaliadas as suas funções".

O selecionador quer "colocar o râguebi português no caminho certo" e tentar a qualificação para o Mundial 2019 do Japão. Mas agora urge preparar o Europeu que está aí à porta. "Há coisas que quero que aconteçam já na Roménia (onde os Lobos iniciarão a época, dia 6, em Cluj). Depois, gradualmente e com paciência, há que construir uma equipa alicerçada nas características dos atletas."

No final da 1.ª volta Portugal é 5.º classificado (5 pontos) e terá de se deslocar à Alemanha (última, com 1 ponto), onde um desaire pode significar a descida de divisão, algo catastrófico para o râguebi português. O técnico reconhece a importância desse duelo em Hannover, mas não quer pressionar os jogadores: "Não vamos preparar a equipa para um jogo específico."

Quanto à habitual presença dos jogadores que alinham em França - e não serão disponibilizados pelos seus clubes para os confrontos na Alemanha e em Espanha! - o técnico é elucidativo: "Seria bem mais fácil utilizar só quem joga cá, mas todos contam." E alerta: "Quero estar rodeado por bons homens, disponíveis e comprometidos com o projeto. Isso é mais importante do que serem grandes atletas."

O adjunto João Pedro Varela - cedido pelo CDUL até junho -, frisou a importância do relacionamento com os clubes: "Já tivemos uma reunião com treinadores das principais equipas que correu muito bem. Acordámos o programa de treinos, atletas disponíveis e um fim de semana de estágio, mesmo com campeonato. Aliás, este projeto só faz sentido com os clubes."

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