I Liga arranca com os favoritos do costume em época de contenção de custos e com público de volta

Campeão Sporting e FC Porto mantiveram quase a mesma base da equipa da época passada, com poucas mexidas nos respetivos plantéis. Benfica foi dos três grandes o que mais investiu, mesmo assim muito longe da última temporada, numa pré-época atribulada com a saída de Vieira. Estádios terão para já 33% da lotação.

A I Liga arranca esta noite, (20.15, SportTV1) em Alvalade, com o campeão Sporting a receber o Vizela. É o regresso do campeonato nacional marcado também pela volta do público aos estádios, depois de uma longa ausência devido ao contexto de pandemia, numa época de contenção de custos no que diz respeito a reforços, com os três grandes a serem mais poupados do que habitualmente em compras e sem terem feito também grandes negócios no que se refere a vendas de jogadores.

O campeonato começa em Alvalade, com o Sporting a iniciar em casa a defesa do título e a apadrinhar o regresso do Vizela ao primeiro escalão, após 36 anos de ausência. No sábado (18.00, SportTV1), o Benfica desloca-se ao campo do Moreirense e, no dia seguinte (18.00, SportTV1), é a vez de o FC Porto dar início à sua campanha perante o B SAD, no Estádio do Dragão.

Na primeira jornada da I Liga será permitida a presença até 33% da lotação máxima de cada estádio, situação inédita no campeonato desde o aparecimento da pandemia da covid-19 em março de 2020 e que levou a um longo período de jogos disputados à porta fechada.

Sporting com responsabilidade

Rúben Amorim vai começar a defesa do título com uma equipa que sofreu poucas alterações, com João Mário a ser, até agora, o único dos habituais titulares que deixou o clube, mudando-se para o rival Benfica. Em termos de contratações, destaque para o regresso de Ricardo Esgaio a Alvalade, jogador que custou 5,5 milhões de euros pagos ao Sp. Braga, e também para Rúben Vinagre, que chegou aos leões por empréstimo do Wolverhampton. Além destes, os leões estão na iminência de contratar o jovem médio uruguaio Manuel Ugarte, ao Famalicão

Repetir a época não será fácil, até porque deixou de existir o fator surpresa face aos adversários, e a equipa parte para este campeonato com um grau de exigência e de responsabilidade muito superiores aos da época passada, na qual as expectativas eram muito baixas.

Por outro lado, o regresso do público pode funcionar, numa fase mais adiantada da época e se os resultados não corresponderem às expectativas, como um fator de pressão para uma equipa com muitos jovens, que atuaram pela primeira vez com assistência na Supertaça, na semana passada, troféu que os leões venceram.

Quem se mantém fiel ao discurso da época passada é Rúben Amorim: "O Sporting parte mais forte do que estava no ano passado, mas também com mais responsabilidade porque no ano passado ninguém dava nada por nós. Temos de apresentar uma forma de jogar ainda melhor. Portanto, a responsabilidade aumenta. Não estamos ao mesmo nível dos nossos rivais, nem temos o mesmo orçamento, nem a mesma experiência".

FC Porto e a continuidade

No FC Porto, Sérgio Conceição perdeu Marega, mas conta com o extremo brasileiro Pepê (ex-Grémio, que custou 15 milhões) e com o defesa central Fábio Cardoso (ex-Santa Clara), tendo feito regressar Vitinha e Bruno Costa, e mantido por empréstimo do Liverpool (mas com opção de compra obrigatória) o médio Grujic.

As entradas no plantel não devem, no entanto, ficar-se por aqui, perspetivando-se, pelo menos, a chegada de mais um jogador para o ataque e um outro para a defesa, embora possam ainda haver mais ajustes, dependentes de potenciais saídas, nomeadamente do médio Sérgio Oliveira.

Sérgio Conceição continua a ter no plantel trunfos como o experiente central Pepe, o avançado Taremi, que na época passada marcou 23 golos, e os influentes Luis Díaz, um dos destaques da última Copa América, Corona e Uribe.

Basicamente, os dragões apostam na continuidade, mantendo as principais peças do plantel, na tentativa de recuperar o título nacional. Conceição parte para a sexta temporada no comando da equipa com um currículo já com dois títulos de campeão (2017-18 e 2019-20), mais as conquistas de uma Taça de Portugal e de duas Supertaças, além de boas prestações na Liga dos Campeões.

Benfica foi quem mais investiu

O Benfica foi dos três grandes aquele que mais gastou em contratações, mas mesmo assim pouco quando comparado com os 100 milhões da época passada. À Luz chegaram o avançado ucraniano Yaremchuk (17 milhões), o médio francês Meité (6), o português Gil Dias (1,5), e ainda João Mário e Rodrigo Pinho, ambos a custo zero. Em termos de saídas, a SAD benfiquista "despachou" vários jogadores, os mais mediáticos Pedrinho (rendeu 18M, o mesmo valor que o Benfica pagou por ele), Nuno Tavares (para o Arsenal por oito milhões) e Franco Cervi (Celta, 4M).

Florentino e Gedson, que estiveram cedidos na época transata, voltam a integrar o plantel principal, no qual se estreia Paulo Bernardo, jovem médio, de 19 anos.

O clube da Luz entra na temporada 2021-22 apostado em resgatar o título nacional, depois do dececionante desempenho da época passada, mas com um outro objetivo a curto prazo, a presença na Liga dos Campeões - estão a disputar a terceira pré-eliminatória

Mesmo sem qualquer troféu arrecadado no arranque da segunda passagem pela Luz , Jorge Jesus, o técnico mais titulado da história do clube, manteve-se no comando da equipa, ao serviço da qual vai cumprir a oitava época, a segunda seguida desde que regressou a Portugal. No defeso, o clube viveu semanas de grande turbulência, face à detenção e consequente saída de Luís Filipe Vieira da presidência, que é agora ocupada por Rui Costa.

Sp. Braga espreita pódio

O Sp. Braga parte com o quarto lugar como objetivo mínimo, espreitando os lugares do pódio, mas com os "pés no chão", como frisou o treinador Carlos Carvalhal.

Com poucas exceções, os arsenalistas são o habitual quarto classificado da última década e meia do campeonato nacional (é a classificação que mais vezes alcançou na sua história)

O plantel, até ao momento, sofreu poucas alterações, tendo saído apenas um titular indiscutível - Ricardo Esgaio voltou ao Sporting depois de quatro temporadas em Braga, tendo o clube contratado o seu irmão, também lateral direito, Tiago Esgaio ao B SAD.

Quanto a reforços, destaque para o defesa central Paulo Oliveira (ex-Eibar, Espanha), o médio brasileiro Lucas Mineiro (ex-Gil Vicente) e o ponta de lança espanhol Mario González (ex-Tondela), havendo ainda a registar o regresso de empréstimos do médio ofensivo/avançado Fábio Martins (sauditas do Al Shabab) e do defesa direito Fabiano (Académica). Contudo, a grande novidade da pré-época foi a chamada do adolescente Roger, de apenas 15 anos.

A I Liga de futebol 2021-22 vai arrancar com apenas quatro alterações no comando técnico das 18 equipas e com os três grandes a iniciarem, em conjunto, um segundo campeonato com os mesmos treinadores, algo inédito desde 2007.

A manutenção de Jorge Jesus, o técnico com maior longevidade (20 épocas) e que mais clubes (10) orientou no escalão principal, e com Rúben Amorim e Conceição nos respetivos cargos, faz com que Benfica, Sporting e FC Porto iniciem, ao mesmo tempo, uma segunda edição da I Liga com os mesmos treinadores, repetindo o que sucedeu há 14 anos.

As novidades são Jorge Simão no Paços de Ferreira para substituir Pepa, que rumou ao V. Guimarães, emblema que em 2020-21 teve quatro técnicos, o último dos quais Moreno, de forma interina. Com a saída de Vasco Seabra, o Moreirense recorreu precisamente a um dos treinadores que passou pelos vitorianos na época transata, João Henriques, enquanto o Boavista viu o experiente Jesualdo Ferreira dar lugar a João Pedro Sousa. LUSA

nuno.fernandes@dn.pt

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