"Há quem vá aos campeonatos por ser bonito. Eu vou para ganhar"

Pedro Henrique, campeão nacional de 2016, vai participar no Allianz Figueira Pro, que se realiza de 1 a 3 de junho, para defender o título da prova. E diz que este ano há vários candidatos

Para definir Pedro Henrique, 36 anos, ex-campeão nacional, ex--campeão mundial júnior e ex-surfista do World Tour, talvez não haja melhor declaração do que a do próprio a propósito da sua participação no Allianz Figueira Pro, terceira etapa da Liga Meo que decorre no Cabedelo de 1 a 3 de junho: "Há quem vá aos campeonatos porque é bonito ser surfista; eu não. Nos campeonatos eu não vou brincar, vou para vencer, seja qual for a prova. Por que se pensar noutra coisa qualquer, se não estiver focado a 100% no objetivo... você vai perder. Não só no surf como na vida, é preciso dar o melhor para vencer."

A quem esteja agora a entrar no mundo do surf, numa era em que os brasileiros são, provavelmente, a nação mais dominadora da modalidade, as palavras de Pedro Henrique ajudam a perceber um pouco mais a filosofia de uma escola em que este internacional português de origem carioca foi formado. Uma filosofia que ele transporta para o dia-a-dia competitivo e não só.

Pedro Henrique é um trabalhador do surf. Sem patrocinador principal que sustente condignamente a sua ambição de regressar ao palco maior do surf mundial, o World Tour, o luso-brasileiro divide o tempo entre os treinos, a competição e a gestão de um café na zona de Algés. "É um investimento fora do surf. Mas a prioridade continua a ser o surf e os objetivos de carreira também", remata, sem negar que ajuda a compor a pesada conta de quem tem de gastar muito dinheiro, sobretudo, em viagens. Afinal, correr atrás das ondas é caro e muito mais para quem tem na mira para este ano um bom resultado no WQS, o circuito mundial de qualificação, que este ano passa, para Pedro Henrique, pelas provas europeias e, "se tudo correr bem", por incursões ao Brasil e Havai.

Quanto aos patrocínios que não chegam, tem uma posição em que se mistura já algum conformismo: "É muito complicado conseguir um patrocínio em Portugal, por várias razões. Penso que hoje em dia também tem muito que ver com o facto de a maioria das marcas de surf já terem as suas sedes lá fora, sobretudo em França, e passa tudo por aí. Não só mas também."

E para a Figueira da Foz, o que esperar do homem que ganhou ali o ano passado na primeira vez que competiu naquela onda? "Sim, foi a primeira vez que entrei num campeonato ali. Já tinha ouvido falar muito bem do Cabedelo, que era uma direita muito boa, e realmente encontrámos condições excelentes no campeonato. E adorei a cidade e outras ondas ali à volta. Foi uma bela experiência que gostava de repetir novamente neste ano."

A boa concorrência

É quase estranho que à terceira etapa da Liga Meo 2018, Pedro Henrique ainda não tenha logrado uma final. Um mau momento de forma? "Na primeira etapa as coisas não me correram bem porque o mar superou as expectativas e estava maior do que esperava. Faltou-me uma prancha maior, das que praticamente só uso no Havai. E, no Porto, simplesmente não me encontrei com as ondas."

Se Pedro Henrique não esteve muito em foco, tivemos outros surfistas a destacar-se, casos de Miguel Blanco e Marlon Lipke. Este último, aliás, não ganhava uma prova da Liga há cinco anos. Para o campeão nacional de 2016 essa variedade é um bom testemunho da vitalidade e competitividade da Liga: "Sim, as coisas este ano estão diferentes e vimos surfistas que já não apareciam em finais há algum tempo, como o Marlon Lipke e o Francisco Alves. Os surfistas do top 10 da Liga têm todos condições de ganhar uma etapa e é bom que assim seja."

Quanto a favoritos, sublinhando a extrema competitividade da Liga, Pedro Henrique recusa dar nomes, mesmo argumentando com as características de um spot, o Cabedelo, que se caracteriza por uma onda potencialmente tubular e poderosa para a direita: "No meu caso, eu surfo qualquer onda, independente das características, e não creio que seja só quem surfa bem point breaks de direita que vai tirar vantagem ali. Acho que fundamentalmente vai ganhar quem estiver bem naquele dia. E isso é bom. Para o espetáculo e para o campeonato."

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