Gesto de Ronaldo "não foi bonito" mas não põe em causa ser capitão

Fernando Santos diz que não há caso por causa do gesto da braçadeira e fez a defesa pública de Cristiano Ronaldo: "É um exemplo nacional." Hoje há jogo com o Luxemburgo.

A frustração de Cristiano Ronaldo após o golo limpo anulado contra a Sérvia levou-o a tirar a braçadeira de capitão do braço e a atirá-la para o relvado nos momentos finais do jogo de sábado que terminou com um empate a dois golos. Um gesto que foi filmado e que mereceu alguns reparos, mas que no seio da seleção não teve quaisquer consequências.

A garantia foi dada ontem por Fernando Santos, na conferência de lançamento do jogo desta noite com o Luxemburgo (19.45, RTP1), relativo à fase de qualificação do Mundial do Qatar em 2022, com o selecionador a garantir que em nenhum momento existiu qualquer falta de respeito e justificando a atitude de CR7 como... "um momento de grande frustração".

"O Ronaldo será sempre o capitão, é um exemplo nacional, todos os jogadores o dizem. De trabalho, de treino, na forma como recebe, é um exemplo social. Se o Cristiano tivesse ofendido o selecionador, os colegas ou a Federação, aí sim, teríamos de pensar. Mas não aconteceu nada disso. Aconteceu um momento de grande frustração. Poderia ter sido a mim, que pelo que disse ao quarto árbitro podia ter sido expulso. É um momento de grande frustração para alguém que quer ganhar sempre, que dá tudo pela seleção. De repente, vê a bola dentro da baliza e vê que não é golo. Se foi interessante? Não foi. Mas ele percebeu e fez uma publicação nas redes sociais dez minutos depois a referir isso mesmo. Ninguém vai dizer que foi um gesto bonito, mas daí a pôr em causa se o Cristiano vai ser o capitão... vai ser de certeza", disse ontem Fernando Santos.

O selecionador foi mesmo ao baú de memórias para recordar o único episódio da sua carreira de treinador em que foi obrigado a castigar um jogador devido ao que considerou uma falta de respeito. "Em toda a minha carreira, só houve um jogador com quem deixei de contar. Foi substituído e atirou a camisola ao chão. Isso sim é uma falta de respeito e deixei de contar com ele. Mas não foi o que aconteceu agora", explicou.

Também Rúben Neves saiu ontem em defesa de Ronaldo na sequência do episódio da braçadeira. "Não pediu desculpa. O Ronaldo é um capitão exemplar para todos nós. Todos sentimos a frustração daquele golo anulado, foi difícil para todos. Toda a gente conhece o Cristiano e sabemos o que pode dar todos os dias", referiu o jogador do Wolverhampton.

Ronaldo, recorde-se, deixou uma mensagem nas redes sociais logo após o jogo, na qual referiu que "há momentos difíceis de lidar, principalmente quando sentimos que está uma nação inteira a ser prejudicada". O árbitro Danny Makkelie reconheceu o erro e pediu desculpas ao selecionador Fernando Santos e à seleção portuguesa. Um erro (não havia VAR nem tecnologia de linha de golo), porém, que acabou por custar dois pontos a Portugal.

Sobre o jogo desta noite, diante do Luxemburgo, Santos disse que espera dificuldades, e até lembrou um embate recente entre as duas seleções: "Portugal depende de si e tem de ganhar os jogos que faltam para acabar em primeiro do grupo. Em outras qualificações aconteceu assim, começámos com derrotas ou empates, mas o objetivo é estar no Qatar. O Luxemburgo colocou-nos dificuldades no apuramento para o Europeu, é uma das equipas que nos últimos anos mais tem evoluído, tem muitos jogadores a jogar fora, um treinador que está no cargo há dez anos. É uma equipa que nos irá colocar dificuldades."

Portugal divide o topo da classificação com a Sérvia, ambos com quatro pontos, seguidos pelo Luxemburgo (três), que no sábado venceu de forma surpreendente por 1-0 na visita à República da Irlanda. Em duas partidas realizadas, os irlandeses ainda não pontuaram, tal como o Azerbaijão, que tem apenas um jogo disputado.

Sem marcar há quatro jogos

França, Croácia, Azerbaijão e Sérvia. Cristiano Ronaldo está há quatro jogos sem conseguir marcar pela seleção - na realidade apontou um golo legal frente aos sérvios, mas foi mal anulado pelo árbitro -, um cenário muito pouco habitual no capitão da equipa das quinas, que se deseja seja invertido esta noite diante do Luxemburgo.

O último golo apontado por CR7 com a camisola da seleção aconteceu a 11 de novembro de 2020, num amigável frente a Andorra, que terminou com um goleada por 7-0, no qual o craque português entrou na segunda parte e fez um golo aos 85 minutos. De então para cá, nos quatro desafios já realizados, CR7 ficou com a folha em branco. Diante da França e da Croácia, nesse mesmo mês de 2020, na Liga das Nações. E nos últimos dois jogos realizados nos espaços de três dias, com o Azerbaijão e a Sérvia.

Para encontrar uma seca de golos idêntica de Ronaldo na seleção, é preciso recuar algum tempo. Entre junho de 2018 e março de 2019, o avançado esteve igualmente quatro jogos sem faturar. Na fase final do Mundial 2018 não conseguiu marcar nos jogos com o Irão (1-1) e na derrota com o Uruguai (2-1). E depois ficou mais duas partidas sem ir buscar a bola ao fundo das redes adversárias, nos jogos de qualificação para o Europeu diante da Ucrânia (0-0) e da Sérvia (1-1). Mas tirou a barriga da miséria no desafio imediatamente a seguir, com três golos à Suíça.

Numa altura em que tem como objetivo igualar (e ultrapassar) o recorde de Ali Daei, de mais golos marcados ao serviço de uma seleção - o iraniano tem 109 contra os 102 atuais de CR7 -, Ronaldo tem esta noite mais uma possibilidade de encurtar distâncias para o goleador iraniano. E a verdade é que o capitão português até se costuma dar bem contra o Luxemburgo, seleção a quem já marcou cinco golos em oito confrontos, com a particularidade de ter faturado nos últimos quatro jogos.

nuno.fernandes@dn.pt

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