Futsal tenta imitar futebol e alcançar o seu primeiro grande título internacional

Equipa liderada por Ricardinho entra em ação na madrugada de sábado para domingo no Campeonato do Mundo da Colômbia. O ex-internacional Zezito pede para a equipa se inspirar nos campeões da Europa de futebol.

Continua a faltar um grande título à nossa seleção nacional de futsal. Em todas as fases finais, renovam-se as expectativas mas a verdade é que, apesar de algumas participações meritórias, os nossos jogadores têm falhado nos momentos decisivos. "Sempre facilitámos um pouco frente a equipas grandes, talvez por uma questão mental. Temos de demonstrar o nosso valor dentro de campo", assumiu no último sábado Ricardinho, a grande estrela de Portugal, após a derrota com a Espanha (0-1) no último jogo de preparação antes do Campeonato do Mundo da Colômbia.

A comitiva nacional já está na Colômbia e integra o Grupo A, juntamente com a anfitriã Colômbia, o Uzbequistão e o Panamá. São apurados para os oitavos-de- -final os dois primeiros classificados e os quatro melhores terceiros. Por outras palavras, só os dois piores terceiros ficarão de fora. A estreia será com a Colômbia, na madrugada de sábado para domingo.

Até hoje, a melhor classificação portuguesa em Mundiais foi o terceiro lugar na Guatemala, em 2000. E a última participação numa fase final não deixou doces recordações: no Campeonato da Europa realizado no último mês de fevereiro a equipa das quinas foi goleada nos quartos-de-final pela Espanha por números esclarecedores - 2-6.

Será desta que Portugal irá conseguir o seu primeiro grande título? Apesar de não sermos favoritos, é inegável que temos um grupo de jogadores equilibrado, com boas soluções para todos os lugares. E, claro, não nos podemos esquecer que temos o "Mágico" Ricardinho, que este ano foi considerado pela terceira vez o melhor jogador do mundo e que tem precisamente a mesma idade de Cristiano Ronaldo, também ele vencedor por três vezes desse prémio tão importante. Ainda há poucos dias, o assombroso golo que marcou à Sérvia no último Europeu, foi considerado o segundo melhor da época, só superado por um golo de Lionel Messi.

E se o capitão da nossa equipa de futebol encarou o último Europeu com enorme sede de ganhar, por sentir que poderia ser a sua última oportunidade de vencer uma competição por Portugal no auge das suas capacidades, não será difícil prever que Ricardinho tenha idêntico sentimento em relação a este Mundial. A prestação menos conseguida da seleção nacional de futsal no último Europeu e a derrota que sofreu na final da UEFA Futsal Cup, ao serviço do Inter Movistar, são certamente duas espinhas ainda atravessadas na sua garganta.

O Brasil é o grande favorito para esta competição, ou não estivéssemos a falar da seleção que conquistou cinco dos sete campeonatos do Mundo disputados. Os outros dois foram ganhos pela Espanha, outra equipa contra a qual todos os cuidados serão poucos, como Portugal comprovou no seu último jogo de qualificação.

É preciso outra estratégia

O antigo internacional português Zezito antevê muitas dificuldades para Portugal neste Campeonato do Mundo. "Brasil e Espanha, como habitualmente, são as grandes favoritas e depois há um grupo de três ou quatro equipas, entre as quais Portugal, à procura de fazer uma surpresa. Não será nada fácil para nós", refere ao DN.

Mas não são só os tubarões que devem preocupar a nossa seleção, avisa o treinador adjunto do Sporting: "Temos um grupo complicado, com uma Colômbia que ainda por cima joga em casa e com o Uzbequistão, que eliminou o Japão."

Zezito alerta para a necessidade de uma mudança de estratégia por parte do selecionador nacional Jorge Braz, comparativamente com outras fases finais. "Temos de nos capacitar de que não podemos defrontar Espanha, Brasil ou Itália de peito feito. Há que reconhecer que somos inferiores e apostar numa defesa sólida e no contra-ataque, aproveitando as características do Ricardinho, que é de longe o melhor jogador do mundo", defende.

Zezito dá como exemplo o que se passou com a seleção nacional de futebol no último Campeonato da Europa. "Assumimos que não tínhamos as mesmas armas que alguns dos nossos adversários e adotámos uma estratégia realista que resultou em pleno. Penso que se fizermos o mesmo, conseguindo ser uma equipa coesa e compacta, estaremos mais perto de não sofrer golos e, logo, de não perder".

Zezito, 68 vezes internacional por Portugal, gostou do que viu no último jogo de preparação, com a Espanha: "Penso que já houve essa tal mudança de estratégia, com mais contenção. Estivemos perto de não perder e só sofremos o único golo após uma perda de bola que não pode acontecer."

No entanto, não se pense que Portugal será apenas uma equipa preocupada em defender e com fé em Ricardinho.

"Temos bons jogadores para além do melhor do mundo e atletas cada vez mais experientes, com tarimba em grandes competições. Destaco também o Cardinal, que consegue marcar golos de todas as formas e feitios", realça o antigo jogador e agora treinador adjunto do campeão nacional Sporting.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG