Política de afectividade joga a favor de projecto ibérico

Os muitos anos que Ángel Villar leva na FIFA são importantes para captar votos  da América do Sul.  Já a mais-valia de Gilberto Madaíl é na Europa, onde poderá capitalizar apoios  no projecto Holanda/Bélgica, caso este seja um dos primeiros a cair na votação final desta tarde

Convencer os membros do Comité Executivo da FIFA de que uma candidatura é melhor do que as concorrentes é algo que demora muitos anos e que muitas vezes depende do carisma de apenas uma pessoa.

É essa ideia defendida ao DN por João Rodrigues, ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que desempenhou vários cargos na FIFA e que actualmente é um dos principais conselheiros de Gilberto Madaíl. "Há um homem, Ángel María Villar [presidente da Federação Espanhola de Futebol], que pode ser decisivo a favor da candidatura ibérica. Ao longo dos anos tem fomentado uma série de relações próximas de responsáveis por outras federações ou confederações e agora poderá tirar os dividendos dessa situação", explicou João Rodrigues.

Para este dirigente, Ángel Villar, pela sua maneira de ser - "muito comunicativo e alegre" - tem tido "uma excelente actuação" naquilo que define como "política de afectividade".

Esta é, aliás, uma estratégia que, na votação desta tarde, poderá transformar-se numa importante mais-valia para o projecto apresentado por Portugal e Espanha .

Villar, que acumula o cargo de presidente da Federação Espanhola com o de membro do Comité Executivo da FIFA, tem muitos conhecimentos na zona sul-americana. "Se uma pessoa beber café todos os dias com outra e, um dia, lhe disser que irá candidatar-se a um lugar importante, é óbvio que essa outra pessoa não irá votar num desconhecido", sublinhou João Rodrigues.

Essa teoria foi complementada por Miguel Ángel López, director- -geral da candidatura ibérica, recordando ao DN que o argentino Júlio Grondona, também elemento do Comité Executivo, "já disse que o Mundial 2018 tem de tocar à candidatura ibérica".

Se a influência de Villar se reflecte junto da FIFA, já a de Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, é bem mais forte na UEFA. E, nesse contexto, João Rodrigues considera que esse pode também ser "um trunfo importante na segunda ronda da votação", sobretudo se, como se espera, o projecto encabeçado por Holanda e Bélgica for o primeiro a ser excluído, como tudo indica que vai acontecer.

"O cargo [membro do Comité Executivo] e a influência que Gilberto Madaíl tem na UEFA poderá fazer com que os votos de belgas e holandeses sejam depois direccionados para a candidatura ibérica", adiantou.

Nessa política de afectividade, há um dado que Miguel Ángel López considera poder ser um trunfo para Portugal e Espanha e que se prende com "a ajuda constante que as federações dos dois países costumam dar a federações asiáticas".

Um tipo de colaboração que João Rodrigues diz ser através "do envio de técnicos para a formação, de árbitros e juristas para ministrar cursos".

Na prática, numa altura em que é preciso amealhar o máximo de apoio nos mais distantes cantos do mundo, essas acções de Gilberto Madaíl e Ángel María Villar realizadas ao longo dos anos podem ser capitalizadas. E também é muito por causa desta política que os responsáveis da candidatura ibérica dizem estar "optimistas".

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