Novas terras, novos negócios conduzem opções da FIFA

Rússia há muito que é encarada por quem dirige futebol mundial como um mercado emergente que dá boas perspectivas financeiras. No Qatar, o poder do petróleo faz a diferença

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, dois dias antes da votação, disse, alto e em bom som, que não precisava de ir a Zurique para que a candidatura russa fosse a escolhida. E Putin sabia o que dizia. Para a FIFA era impossível resistir a um mercado emergente e tão apetecível, que abre a possibilidade de novos negócios, novos patrocínios e uma entrada de muitos milhões nos cofres do organismo, que anualmente apresenta contas com lucro significativo.

Há muito que a política da FIFA assenta na procura de novos mercados, relegando para um plano secundário questões até então consideradas essenciais, como as condições de segurança. Foi nessa linha que o Mundial foi entregue à África do Sul (2010) e Brasil (2014).

Ao decidir expandir agora o futebol para o Leste da Europa e para o Médio Oriente, onde nunca tinha entrado uma grande competição do desporto-rei, a FIFA privilegiou candidaturas onde quase tudo está por fazer, mas que prometem fortíssimos investimentos e apresentam estabilidade política.

No caderno de encargos do projecto russo constam 600 milhões para despesas correntes, euro2,8 mil milhões para obras em 16 estádios, 13 dos quais novos, num total de orçamento de 3,6 mil milhões de euros. O próprio primeiro-ministro russo já garantiu isenção de vistos para participantes e visitantes do Mundial, transportes gratuitos durante o tempo do torneio e a utilização de fundos estatais e capitais privados.

Os milhões disponibilizados pelo Governo russo para financiar os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, são bem reveladores do empenho estatal que não olha a meios para voltar a estar no centro dos grandes palcos.

Na apresentação da candidatura, a Rússia apresentou-se como "um país novo", que continua a fazer a ponte entre o Ocidente e o Oriente e com um potencial ainda por explorar. "A Rússia tem vontade e possibilidades, nomeadamente financeiras, para organizar essa grande competição", disse Putin, que depois da votação se deslocou para Zurique para agradecer aos 13 membros da FIFA.

O outro vitorioso, o Qatar, ostentou o peso do seu petróleo e gás (representam 70% das suas exportações) e conseguiu ser mais convincente do que o gigante EUA. Prometeu um investimento de 37,7 milhões de euros em melhoramentos de infra-estruturas, 3,02 mil milhões para erguer nove estádios e garantiu lucro para a FIFA. "Vamos para novas terras", disse Blatter, justificando as escolhas destas ambiciosas candidaturas.

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