"Não tive nenhum convite do Rui Costa para o Benfica"

Já fez seguramente o balanço da sua carreira. Arrepende-se de alguma coisa?

De nada. Umas decisões foram melhores do que outras mas todas foram tomadas em consciência e tendo em conta os dados de que dispunha na altura em que as tomei.

"Cheguei à selecção pelos meus pés, pela minha qualidade e saí da seleção pelos meus pés e ainda com a minha qualidade", disse um dia. Há quem defenda que ainda podia ter jogado mais um ano por um clube. Os jogadores devem retirar-se quando ainda têm qualidade?

Penso que saí na altura certa. Quer da selecção quer do futebol ao nível de clubes. Estava na altura de terminar a carreira.

Não se arrepende de não ter terminado a carreira em Portugal?

Tomei a decisão de acabar a carreira em Paris. Vivi lá cinco anos, era uma figura considerada da equipa e fazia todo o sentido terminar ali a minha carreira.

Esteve muito próximo do Benfica.Confirma que chegou a reunir-se com Rui Costa para analisar a possibilidade de jogar no Benfica'?

Desminto. Essa reunião não existiu. nem comigo, nem, que eu saiba, com o meu empresário. Ao longo da minha carreira, fui sendo mais ou menos informalmente contactado pelos grandes, mas no último ano da minha carreira não tive qualquer contacto com o Benfica.

Disse um dia que se tivesse jogado num dos grandes teria sido olhado pelos portugueses com "outros olhos". Mas a verdade é que nunca se esforçou muito para jogar em Portugal....

As circunstâncias nunca beneficiaram essa possibilidade. A hipótese de jogar no FCPorto e no Benfica colocou-se até bem cedo. Fui junior do FC Porto (mas na altura o clube tinha uma equipa de juniores fantástica), e já antes tinha sido juvenil do Benfica (neste caso as saudades de casa obrigaram-me a voltar aos Açores). Mais tarde fui tendo convites que nunca se concretizaram.

Há uns meses foi homenageado pelo Paris Saint-Germain, perante 35 mil adeptos, que assistiram a um jogo onde participaram vários colegas com quem se cruzou ao longo da carreira. Sentiu a falta de alguém nessa festa?

De Luís Figo, que por estar a ser homenageado em Milão à mesma hora não pôde estar presente.

Quando é que sentiu mais distinguido: nesse dia ou quando foi escolhido para transportar a tocha olímpica pelas ruas de Paris?

O transporte da tocha olímpica foi um momento muito importante e comovente. Ao ser escolhido em detrimento de um atleta francês, senti o reconhecimento do país e da cidade. O diploma da cidade que me foi atribuído também me emocionou muito.

É um público difícil, o francês. Como é que o conquistou?

Pela pessoa que sou, pelo desportista, pela forma como exerci o meu trabalho. Nunca fui de falar muito, sou reservado, sou mais de fazer do que de falar. Fui campeão de Espanha, ganhei quatro taças no futebol francês, fui por três vezes o melhor marcador do campeonato, fui eleito por colegas e treinadores o melhor jogador do ano de 2001, tudo isso diz alguma coisa do meu empenho.

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