Futebol holandês quer cativar jovens com liga oficial de FIFA17

Cada clube terá um jogador especialista no videojogo. Ideia é a ligar o futebol a uma geração que vive muito para as consolas

Qualquer amante de futebol que tenha crescido na década de 1980 não esquece as possibilidades abertas pelo pequeno computador pessoal ZX Spectrum. Cerca de 30 anos depois, o mundo mudou e os vídeojogos também: já não há os cinco minutos exasperantes com o carregamento, nem o Match Day (aquele que foi, sobretudo na segunda versão, o melhor jogo de futebol para 48k), que hoje é apenas uma relíquia para nostálgicos quando comparado com os seus sucessores atuais - nos quais os jogadores são minuciosamente personalizados, tanto física como tecnicamente (incluindo o momento de forma que atravessam), e todo o jogo é fielmente reproduzido.

E um deles, aquele que exibe o nome da entidade que organiza o futebol a nível mundial, estará, a partir do próximo mês, em destaque. Consciente da implantação que o FIFA tem no mercado dos gamers, a Liga holandesa vai arrancar com um campeonato já a 6 de fevereiro, envolvendo os 18 clubes que integram a Eredivisie - a E-Divisie, que servirá para apurar o campeão do país e escolher o representante do país da túlipas no EA Sports FIFA 17 Ultimate Team Championship Series. É verdade que por todo o mundo os clubes vão acordando para esta nova possibilidade - o Sporting anunciou a criação da secção eSports (desportos eletrónicos) em julho do ano passado, juntando-se a Manchester City, Paris SG, Schalke 04, Wolfsburgo, Valencia, West Ham, Besiktas ou Santos, entre outros, sendo pioneiro no nosso país -, e que França e Espanha já têm as suas próprias competições. Mesmo em Portugal disputou-se, no ano passado, uma Liga NOS PlayStation. Mas a forma como a liga holandesa se prepara para mediatizar o seu torneio é inédita - os participantes farão parte do plantel "real" de cada clube.

Não há, para já, muitos pormenores sobre a realização da prova (os mesmos serão anunciados no dia 1) mas sabe-se que cada clube terá um jogador - não foi ainda revelado se o mesmo se qualificou para o posto num torneio interno ou se se trata de contratações, como o Ajax fez com o campeão Koen Weijland, que ostenta a camisola 39 dos lanceiros e teve direito a conferência de imprensa). Serão disputadas 17 jornadas, com transmissões em direto no YouTube, Twitch (plataforma de live streaming) e Fox Sports Holanda.

Plataforma fantástica

"Já há algum tempo que na Liga temos estado a trabalhar para organizar um competição eSports oficial na Holanda. Estamos entusiasmados por podermos fazê-lo agora, em conjunto com a EA Sports e a Endemol", afirmou Alex Tielbeke, diretor da Eredivisie, citado pelo site esports-pro, antes de explicar: "Vemos a E-Divisie como uma extensão para a variedade de futebol que oferecemos, na qual nos podemos focar ainda mais nos jovens. E, para os clubes, é uma plataforma fantástica para aumentar o envolvimento dos adeptos e gerar novos conteúdos em conjunto. Além disso, com o tempo a E-Divisie vai criar uma experiência ainda maior do futebol da Liga holandesa num estádio".

Aliás, a própria federação internacional, consciente da crescente importância dos eSports, anunciou em outubro a criação de um grupo de trabalho para estudar a sua estratégia para o futuro sobre o assunto - prevê-se que, no próximo ano, sejam gastas 6,6 mil milhões de horas por todo o mundo com os desportos eletrónicos.

É que, segundo justifica Márcio Figueiredo, diretor da secção do Sporting, "o futebol está a perder muitos miúdos para os eSports". Daí o dirigente reconhecer a importância da iniciativa holandesa: "Vai ser uma liga mais mediática, o que é importante para a realidade dos eSports, e os clubes também vão ganhar com isso, mostrando que estão aliados à novas gerações."

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