Final minhota: sinal de poder ou só "um bonito momento"?

O minhoto Manuel Machado não vê na final entre Moreirense e Sporting de Braga sinal do crescimento sustentado de uma região que perdeu fulgor com a crise no têxtil

Amanhã o Algarve será mais minhoto do que nunca, apesar de estarmos a falar das regiões que estão nos antípodas do território português. Moreirense e Sporting de Braga protagonizam a primeira final de uma competição futebolística nacional entre duas equipas do Minho. Isto, mais a luta entre bracarenses e vimaranenses pelo terceiro lugar na I Liga, significará que a região está a crescer sustentadamente na modalidade e que há um desígnio coletivo que eleve o patamar dos clubes da região?

Manuel Machado, nado e criado em Guimarães, já orientou no principal escalão os dois finalistas da Taça da Liga e ainda o clube da cidade onde nasceu. E começa por explicar ao DN o significado do jogo de amanhã. "Esta final premeia uma região que gosta de futebol, que chegou a ter cinco equipas na I divisão e que pagou um pouco pela crise no têxtil. Como se sabe, o Vale do Ave vivia muito do têxtil e nos últimos 10/15 anos teve uma grande quebra que fez diminuir o potencial financeiro dos clubes. Mas estamos a falar de uma região que tradicionalmente gosta de futebol e tem estruturas bem montadas para a modalidade", diz.

No entanto, desafiado pelo DN a encontrar nesta final o sinal de uma força crescente do Minho no futebol português - o Sp. Braga já venceu a Taça de Portugal na época passada; e em 2013 ganhou esta mesma Taça da Liga enquanto o vizinho e rival V. Guimarães fez a festa no Jamor -, o treinador é mais cético.

"Lamento, mas acho que isto é apenas o momento, um momento bonito de uma região que gosta de futebol e tem um passado na modalidade que a diferencia do Alentejo, de Trás-os-Montes e de outras regiões do país. Sabemos que a Taça da Liga vem para o Minho e fico satisfeito com isso. Mas os bons resultados recentes das equipas da região não têm a ver com uma estratégia sustentada a nível regional... e não me parece que esta final possa levar à implementação dessa estratégia", considera o antigo técnico do Nacional, antes de se focar mais no sucesso dos dois finalistas da prova.

"Estes bons resultados têm a ver sobretudo com projetos individuais de dois empresários, que por acaso até são homens muito diferentes, com uma forma também diferente de atingir os seus objetivos. O Moreirense é uma pequena coletividade de uma pequena vila com uma liderança muito personalizada no seu presidente, Vítor Magalhães, um empresário de grande sucesso que se fez por ele mesmo, a pulso, não herdou nada. Um homem ponderado, tranquilo e paciente. António Salvador é mais espontâneo, expansivo e menos paciente [risos]. São dois clubes liderados por dois excelentes dirigentes, mas têm uma base social diferente. Braga é a terceira cidade do país, Moreira é aquela freguesia. Não é comparável."

Para Machado, "não se podia prever" que a final algarvia fosse disputada por duas equipas do Minho, a 700 quilómetros de distância. "Claro que em Famalicão ou Barcelos seria mais interessante [a final], mas era suposto a final ser disputada pelos grandes emblemas que têm adeptos em todo o país", sublinha.

Título para o Minho?

O título nacional é um dos objetivos do Sp. Braga nos próximos quatro anos, revelou o presidente António Salvador. Seria o primeiro campeonato conquistado por um clube minhoto, depois de o Sp. Braga ter disputado o título de 2009-10 até à última jornada com o Benfica. Mas Manuel Machado não crê que esse momento esteja para breve. "Julgo que infelizmente não é possível. A minha resposta fria: em mais de sete décadas, só em dois momentos [com Boavista e Belenenses] os três grandes não ganharam. Não é impossível, mas é altamente improvável", conclui.

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