"Fica tudo pior". Grécia volta a ser maldita para o Benfica

Equipa de Jorge Jesus perdeu esta quinta-feira com o Arsenal (3-2), depois de ter empatado (1-1) no jogo da primeira mão e disse adeus às competições europeias. Futuro do treinador em equação. Vieira fala à nação benfiquista no domingo

Se a situação do Benfica já era má, pior ficou. A equipa de Jorge Jesus foi eliminada da Liga Europa pelo Arsenal. Depois do empate (1-1) na primeira mão em casa emprestada (Roma) os encarnados foram a Atenas perder com os gunners, por 3-2, e falharem assim o acesso aos oitavos de final da prova. É a segunda vez seguida que as águias caem nos 16-avos-de-final da prova.

Um triunfo na Europa era como uma garrafa de oxigénio para um Benfica em crise de resultados e liderado por um treinador que se iliba de responsabilidades. Sem oxigénio para respirar melhor a situação de Jorge Jesus começa a ganhar contornos de saída iminente. E como não será pelo próprio pé como ele já avisou, a bola está agora do lado do presidente Luís Filipe Vieira, que fala à nação benfiquista no domingo, véspera do jogo com o Rio Ave (segunda-feira, na Luz, às 19.00, para a 21.ª jornada da I Liga).

A história (ou estatística) não era favorável. Em 37 duelos com equipas inglesas, os encarnados só tinham levado a melhor num terço das vezes. Jesus não conseguiu assim repetir o feito de Eriksson, que em 1991-92 foi a Londres ganhar (3-1) depois de ter empatado na Luz (1-1).

Desta vez o jogo foi em Atenas, devido a constrangimentos causados pela pandemia. A Grécia negou assim (e pela segunda vez na mesma época) a Europa ao Benfica. Foi lá que a equipa disse adeus à possibilidade de jogar a Champions ao perder com o PAOK no início desta temporada e foi lá que saiu da Liga Europa. Para a estatística fica o 19.ª encontro sem vencer nos últimos 23 jogos europeus fora de Portugal.

Os encarnados já tinham conseguido o apuramento na segunda mão por três vezes, depois de terem empatado na primeira mão - B. Leverkusen (1993-94), o Marselha (2009-10) e o PAOK (2018-19) - mas desta vez não o conseguiram, repetindo a queda perante o Ujpest (1973-74) e o Bordéus (1986-87). A prometida afirmação europeia do Benfica fica assim adiada (pelo menos) mais um ano.

Depois de dizer que "nada" tem a ver com a crise do Benfica e de voltar a colocar o ónus dos maus resultados na pandemia que chegou a roubar 10 atletas ao treino e privou toda a a equipa técnica de orientar as sessões de trabalho, Jesus pediu "carinho" aos adeptos. Mas eles, os adeptos, continuam fora a dos estádios e assim é mais difícil sentir o apoio (ou a crítica) das bancadas. Uma coisa é certa, os adeptos querem resultados e Jesus não os está a conseguir.

Só a Taça de Portugal e um lugar de Champions no campeonato para conquistar quando a época ainda vai a meio é curto para as promessas feitas no regresso ao clube, mesmo sendo ele o treinador que mais troféus deu a ganhar ao clube em toda a história.

Filme do jogo. Esperança e reviravoltas

Antes do jogo, o treinador do Benfica publicou um vídeo nas redes sociais a dizer que estava "super feliz" por ter 24 jogadores disponíveis no treino, lembrando assim as queixas de véspera sobre não ter jogadores disponíveis para treinar durante várias semanas por causa da covid-19. Frente ao Arsenal fez algumas mexidas estratégicas, voltou ao sistema de três centrais e apresentou apenas um ponta de lança (Seferovic).

Destaque ainda para a titularidade de Diogo Gonçalves no lado direito da defesa. Uma aposta ganha. Foi o jovem lateral que empatou o jogo antes do intervalo, na marcação de um livre direto perfeito, e já depois do Arsenal se adiantar no marcador (Aubameyang aos 21 minutos).

Os encarnados foram para o intervalo por cima no jogo disfarçando por momentos a lentidão da construção, circulação de bola e definição no último terço do terreno. O empate dava o equilíbrio emocional que a equipa precisava para o segundo tempo. Um golo anulado aos gunners aos 50 minutos deu ainda mais alento à águia que chegou vantagem com um golo de Rafa.

O extremo que no jogo da primeira mão disse desconhecer o facto de Isaías ter dado a volta à eliminatória a favor do Benfica na época 1991-92 resolveu aproveitar um erro de erro de Dani Ceballos para construir memórias próprias. O golo significava que o jogo já não iria a prolongamento nem penáltis.

Mas do outro lado estava um inconformado Arsenal, que obrigava os encarnados a defender com toda a gente e que chegaria ao empate na partida logo depois. Tierney e este só teve de tirar Everton do caminho e fazer o 2-2.

Aos 77 um erro de Helton Leite quase colocava tudo a perder, mas passado o susto o Benfica tentou segurar a bola e ainda ameaçou Leno por Darwin, mas não evitou mais um golo inglês. Outra vez, por Aubameyang.

E assim acabou a aventura europeia do Benfica... e outra vez na Grécia.

"O Benfica nunca se verga"

"Estamos frustrados pelo resultado, fizemos de tudo para passar. Agora é olhar em frente, o Benfica nunca se verga", avisou Diogo Gonçalves no final do jogo, confessando que trocava o golo pela vitória.

Já Jorge Jesus foi o último a falar e fez alguns elogios os "momentos de grande categoria da equipa", mesmo que não tenha conseguido "segurar o resultado". O técnico admitiu que o um triunfo com o Arsenal daria à equipa o equilíbrio emocional que necessitava e assim "fica tudo pior".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG