Santos e o título mundial. "Se só sonharmos, depois podemos acordar e ser um pesadelo"

Portugal joga com o Azerbaijão nesta quarta-feira (19.45, RTP1), naquele que é primeiro de três jogos da seleção em sete dias para a fase de qualificação para o Mundial2022. Rui Patrício e Pepe são baixas, tal como Raphael Guerreiro, que vai deixar a comitiva e voltar a Dortmund. Nuno Mendes à porta da estreia.

O ranking não conta para nada. A garantia é de Fernando Santos, que espera um Portugal "organizado" e "focado" frente ao modesto 108.º da lista mundial, o Azerbaijão, nesta quarta-feira, às 19.45, em Turim.

Há uma diferença de 103 posições no ranking de seleções, uma vez que a seleção nacional é a quinta melhor a nível mundial. "Como disse o Rúben [Dias] reconhecemos a nossa condição de favoritos com o Azerbaijão, mas se não estivermos totalmente focados e respeitarmos o adversário, por mais-valia e qualidade física e técnica que tenhamos, podemos ter problemas. Na teoria é tudo muito bonito, mas não conta para nada", segundo Fernando Santos.

Questionado se parte para a qualificação com o sonho de ser Campeão do Mundo, Santos avisou logo que "as coisas não se podem colocar ao nível do sonho", embora seja importante sonhar: "O fundamental é acreditar que o sonho é possível. Se só sonharmos, depois podemos acordar e ser um pesadelo."

"Portugal tem qualidade, capacidade, organização para poder lutar por qualquer prova em que participe. É lutar por elas em fases finais, não é agora. Para isso, temos de lá estar. Se dermos por adquirido que vamos lá estar, quando ainda nem jogámos a fase de apuramento, é um erro tremendo. E portanto há que ter o foco total nos jogos de apuramento", defendeu o técnico nacional.

Pela primeira vez o apuramento da zona europeia para o Mundial começa com uma jornada tripla. Azerbaijão, Sérvia e Luxemburgo são os adversários dos portugueses nos próximos dias. "Agora são três jogos, diferentes do habitual, costumam ser só dois. Ainda ontem falei com os jogadores. Não têm de dar mais, não podem é dar menos", contou, revelando que além das baixas de Pepe e Rui Patrício, também Rapahel Guerreiro foi dispensado por lesão.

Se isso abre a porta da titularidade ao jovem estreante Nuno Mendes do Sporting, isso logo se vê... E quando os jornalistas quiseram saber sobre as implicações da ausência de Pepe, em específico, o selecionador deixou mais um esclarecimento em jeito de aviso: "Sabemos que o Pepe é uma mais-valia, o que ele representa na seleção e nos clubes onde joga. Todos fazem falta, mas a partir deste momento só fazem falta os que cá estão".

Conselhos a Ronaldo? Só Pessoalmente...

Portugal joga com os azeris em Turim, por força de contrangimentos provocados pela pandemia. Assim sendo, Ronaldo joga em casa. "Ele já conquistou tudo a nível de clubes, o Mundial é o grande título que falta a Cristiano Ronaldo a nível de seleções depois da conquista do Euro2016", atirou Fernando Santos.

Sobre o futuro de CR7 de Juventus, e que conselho lhe daria, o selecionador nacional respondeu assim: "Os meus conselhos ao Cristiano Ronaldo dou-os pessoalmente. Fui treinador do Ronaldo quando ele tinha 18 anos, temos uma relação próxima e conversamos muitas vezes. E conversas de amigos - se ele quiser a minha opinião - temos em privado."

Europeu é só em junho e Santos não quer choros

Sobre a época atípica e a sobrecarga de jogos, o técnico apontou à confiança: "Não tenho dúvidas que iremos estar prontos. Hoje iremos aprofundar o que é o Azerbaijão. Não vamos mudar as nossas ideias nem dinâmicas ou estratégias. Os jogadores vêm de vários clubes, não se pode alterar muito. Sabemos que o adversário vai causar dificuldades, vai jogar em 35, 40 metros, temos de encontrar as dinâmicas certas para contornar isso."

E reconhecendo que "esta fase da época é de grande desgaste", o treinador acredita que todos vão ter de estar ao seu melhor nível para o Campeonato da Europa, em que Portugal defende o título conquistado em 2016.

"O Europeu é só para junho, nessa altura os jogadores já estão de férias. Normalmente esta fase da época é de grande desgaste, alguns em grande stress com a disputa de campeonatos e Liga dos Campeões. Desta vez é uma anormalidade. No ano passado era janela de jogos particulares, o treinador aproveitava para juntar equipa e preparar o futuro. Agora não podemos. Vamos jogar três jogos oficiais que vão exigir aos jogadores estarem nos três jogos no topo em termos físicos, mentais e de disponibilidade", disse o técnico, esta terça-feira, na véspera do encontro com o Azerbaijão.

Depois segue-se a Sérvia e o Luxemburgo: "Três jogos fundamentais para nós, para podermos estar no Mundial e depois vencer. Mas temos de estar preparados, não vale a pena chorar. Os jogadores sabem, querem estar muito no Mundial, alguns nunca estiveram em nenhuma fase final. Vão com cabeça e com boa responsabilidade."

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