E vão 106 medalhas internacionais! Pimenta é campeão do Mundo

No espaço de pouco mais de dois meses, o atleta de 32 anos ganhou o bronze nos Jogos Olímpicos, a prata nos Europeus e agora o título mundial. Este domingo pode ter nova conquista.

Vice-campeão da Europa, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020 e agora campeão do Mundo em K1 1000 metros. É este o registo brilhante do canoísta português Fernando Pimenta no espaço de apenas dois meses e meio. Este sábado, nos Mundiais de Copenhaga, o atleta natural de Ponte Lima não facilitou. Bateu o húngaro Balint Kopasz na final da prova, aumentando para dois os pódios de Portugal na competição, depois do bronze de Norberto Mourão na canoagem adaptada, em VL2 200.

No total são já 106 medalhas ganhas a nível internacional pelo atelta natural de Ponte de Lima, de 32 anos, entre Jogos Olímpicos, Mundiais, Europeus de seniores ou sub-23, Jogos Europeus e Taças do Mundo. E neste domingo volta a entrar em ação na prova de K1 5.000. Um registo absolutamente brilhante!

No final da prova, Pimenta admitiu que chegou a ponderar não ir aos Mundias. Mas garantiu que valeu o sacríficio de estar longe da mulher da filha Margarida, de apenas nove meses.

"Chegámos a ponderar não vir ao campeonato do Mundo. Estava muito cansado física e psicologicamente. Mesmo no limite, mas olhava para a linha de meta com o objetivo de um dia a minha família e filha dizerem que valeu a pena aqueles momentos de sacrifício longe deles, abdicar de tudo e de todos e trabalhar com o meu treinador, que sempre acreditou que este título era possível", desabafou.

Na pista quatro, Pimenta completou a prova em 3.25,82 minutos, superando o campeão olímpico Kopasz por 67 centésimos. O bielorrusso Aleh Yurenia conquistou o bronze. Em Mundiais com o K1 1.000 metros, Fernando Pimenta já tinha sido campeão em 2018, em Montemor-o-Velho, vice em 2017 na República Checa e bronze em 2015 em Itália e 2019 na Hungria.

"Sem dúvida que este ouro sabe muito bem. Foram anos muito difíceis, muito duros. Sempre a tentar inovar, melhorar, com alguns altos e baixos. Aprendemos com alguns momentos mais baixos, mais duros. Esta última fase de treino após os Jogos Olímpicos foi muito complicada", explicou, abordando depois a rivalidade com Balint Kopasz: "Sabia que se forçasse um pouco mais, ele ia acabar por ceder. Estamos num nível muito idêntico. Nos Jogos Olímpicos, ele venceu e bem, e hoje [ontem] eu ganhei com alguma margem. A canoagem é assim."

Uma medalha especial

Das 106 medalhas já conquistadas, quatro são títulos Mundiais, dois em K1 1.000 e outros tantos em K1 5.000, sendo que um de cada foi assegurado em 2018 em Montemor-o-Velho, duas das mais gratas recordações que guarda: "A medalha de hoje, sem dúvida, que estaria no pódio de importância das que já conquistei. Os dois em Portugal, sem dúvida, que são dos momentos mais altos da minha carreira e este é fechar com chave de ouro um ciclo olímpico longo e bastante exigente", lembrou.

Pimenta garantiu que agora não se vai "deslumbrar com este título" conquistado nos Mundias da Dinamarca. E prometeu igual empenho para a prova de hoje no K1 5.000, sendo que novo êxito lhe garante o pleno de pódios europeus e mundiais neste ciclo olímpico. "É muito trabalho meu e do meu treinador. Eu próprio não tenho palavras para descrever este percurso. Neste ciclo olímpico, fomos sempre medalha em Europeus e Mundiais", concluiu.

Da natação à canoagem

Fernando Pimenta é hoje uma referência internacional. E a modalidade até entrou na sua vida por brincadeira, no verão de 2001. Andava na natação desde os quatro anos, mas aborrecia-se com os treinos e a repetição dos movimentos. E aos 12 tentou a canoagem, depois de uma experiência durante umas férias desportivas.

"Tinha 11 anos e inscrevi-me num clube em Ponte de Lima e tive o meu primeiro contacto com um caiaque. Foram dois meses espectaculares. Diverti-me e passei a ocupar o meu tempo livre com a canoagem e nunca mais quis largar. Fui começando a crescer aos poucos e fui conseguindo alguns resultados", disse numa entrevista ao DN, depois de se sagrar campeão mundial em 2018.

Foi também nessa altura que confessou ter as mãos cheias de calos - "são as minhas medalhas invisíveis" - e revelou o segredo da boa forma: não comer doces, fritos ou fast food, muito treino, muito descanso, e dar algumas negas a amigos e familiares. Pimenta começa sempre os dias com um bom pequeno almoço e duas sessões de trabalho. Depois do almoço mais um treino, seja em que época do ano for. E depois o imprescindível descanso.

O atleta do Benfica continua a amealhar medalhas e promete não parar. Como disse recentemente em tom de brincadeira, vai "tentar mais medalhas do que Cristiano Ronaldo golos".

O título mundial de Pimenta destacou-se neste sábado no desempenho da seleção portuguesa de canoagem, que garantiu mais cinco finais para hoje em Copenhaga.

Também neste sábado, Teresa Portela alcançou o seu melhor desempenho de sempre em Mundiais no K1 200 metros, com o quinto lugar, numa final que completou em 41,02 segundos, a 1,04 segundos do ouro da dinamarquesa Emma Jorgensen, que bateu a húngara Anna Lucz e a russa Natalia Podolskaya.

Francisca Laia e a estreante Maria Rei foram nonas na final de K2 200 metros, 50 minutos depois de terem sido sextas na final B do K2 500, o equivalente à 15.ª posição.

Kevin Santos, que mostrou ser uma forte opção para o futuro K4 500, também vai disputar hoje a final de K1 200 metros, tal como João Ribeiro, em K1 500, distância na qual é o atual vice-campeão da Europa.

Em K2 mix 200 metros, Francisca Laia e Messias Baptista uniram-se e apuraram-se diretamente para final, na prova de maior incerteza, por ser novidade.

nuno.fernandes@dn.pt

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