Federer cai fora do top 10. Aos 35 anos, conseguirá ainda voltar?

Sem jogar desde julho, suíço sai dos dez primeiros do ranking pela primeira vez desde 2002. Mas promete voltar em forma em 2017

Para além da estreia do britânico Andy Murray no trono mundial do ténis, a atualização dos rankings ATP desta semana trouxe outro destaque histórico: pela primeira vez em mais de 14 anos, Roger Federer não consta entre os melhores dez tenistas do mundo. O suíço que revolucionou o ténis, e as suas marcas, ao longo (sobretudo) da primeira década deste século caiu agora para o 16.º lugar da lista.

Da última vez que Federer esteve fora do top 10 - era 13.º, a 7 de outubro de 2002 - o número 1 mundial era o australiano Lleyton Hewitt, e Andre Agassi e Pete Sampras ainda jogavam. De então para cá, muito mudou no mundo do ténis com Roger Federer. Basta olhar para os livros dos recordes, com destaque para os 17 títulos do Grand Slam (em 27 finais) e as 302 semanas como número 1 mundial (237 delas consecutivas), entre um extenso rol de façanhas históricas.

Aos 35 anos, a queda de Federer para fora do top 10 não foi propriamente inesperada. Pelo contrário. Sem jogar desde julho, depois de ter decidido colocar um ponto final na época - após perder nas meias-finais de Wimbledon com o canadiano Milos Raonic - para recuperar totalmente da lesão no joelho sofrida enquanto preparava um banho para as filhas gémeas, após o Open da Austrália, ainda em janeiro, Federer sabia que arriscava um trambolhão no ranking mundial. Sem poder defender os pontos conquistados no final de 2015, no qual, recorde-se, chegou a ameaçar a liderança de Novak Djokovic, o tenista de Basileia foi deslizando progressivamente na tabela, desde o 3.º lugar que ocupava durante o torneio de Wimbledon até este simbólica saída do grupo dos dez primeiros.

Mas o suíço e o seu novo treinador (o ex-tenista croata Ivan Ljubicic) decidiram apostar tudo num regresso em pleno na próxima temporada, privilegiando a recuperação física que permita a Roger Federer continuar a desafiar as leis do tempo e prolongar a longevidade da sua carreira. Na altura, em julho, o suíço justificou assim a decisão de perder o resto da temporada, manifestando a convicção de que terá "ainda muitos anos de ténis pela frente", algo que repetiu no final do mês passado, durante a inauguração da academia de ténis do seu grande rival Rafael Nadal.

Edberg aposta no 18.º Grand Slam

Ainda assim, é natural que as dúvidas cresçam sobre a capacidade de Roger Federer em voltar a ser competitivo entre a elite do ténis, aos 35 anos e sem ganhar nenhum torneio do Grand Slam desde Wimbledon 2012. Numa entrevista recente ao jornal suíço Tages Anzeiger, o ex-número 1 garantiu que está "a recuperar bem", que "a condição física já está quase a 100%" e que "só falta aumentar um pouco a intensidade do treino e voltar a jogar ténis". E já tem data marcada para o regresso aos courts: a Taça Hopman, em Perth, na Austrália, em janeiro, abdicando do torneio de Brisbane, onde arrancou as últimas épocas.

Quando entrar em ação no próximo Open da Austrália, primeiro grande desafio de 2017, Roger Federer não terá sequer o 16.º lugar do ranking como garantido, o que tornará provável que apanhe pela frente algum dos principais rivais ainda antes dos oitavos-de-final - e, naturalmente, complicará o regresso do suíço aos lugares de topo da hierarquia. Além disso, faltará perceber se o joelho de Federer estará mesmo apto enfrentar de novo em pleno as exigências da alta competição, ainda que se espere que o suíço opte por um calendário mais reduzido ao longo do ano, para se preservar.

Várias interrogações se levantam ainda sobre o futuro do homem que revolucionou o ténis, mas o sueco Stefan Edberg, também ele um ex-número 1 mundial que já treinou o suíço, não tem grandes dúvidas de que Federer ainda vai voltar a ser uma ameaça para os melhores e pode mesmo aspirar ainda a um 18.º título do Grand Slam. "Fica cada vez mais difícil, claro, mas se há alguém capaz de o fazer nesta idade é o Roger", disse Edberg ao Tennis World. "Mas vai ser um desafio emocional exigente para ele, este regresso", ressalvou o sueco.

Mesmo numa fase descendente da carreira, Federer continua a ser o tenista mais valioso. Segundo a revista Forbes, ele foi mesmo o quarto desportista mais rico deste ano, com ingressos superiores a 60 milhões de euros entre prémios e contratos publicitários, apenas atrás de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e LeBron James

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