O milagre ficou longe e Nuno percebeu ao desistir cedo

FC Porto acreditou tenuamente 11 para 11. Com a expulsão de Maxi, dragões viraram-se para o campeonato

Portugal ficou esta terça-feira sem representantes nas competições europeias, depois de o FC Porto ter visto a eliminação homologada diante da Juventus, um cenário que só carecia de formalização depois da derrota por 0-2 no Dragão.

Os portistas diziam que acreditavam no milagre e faziam bem porque se deve ter sempre fé. Não era tarefa fácil ganhar, e logo por dois golos pelo menos, num estádio em que ninguém bateu a Juventus nos últimos quatro anos na Europa do futebol.

A entrada em campo do FC Porto fazia antever que qualquer coisa podia acontecer, pois os homens de Nuno Espírito Santo surgiam rápidos sobre a bola, agressivos nos duelos. Efeito, pois claro, da palestra que ainda ecoava nas cabeças dos 11 dragões. Danilo parecia um polvo, a recuperar, a lançar e dominar o meio-campo. Brahimi, pleno de confiança, encarava Daniel Alves com o à-vontade dos grandes jogadores e Soares, estreante nestas lides mais sofisticadas, mostrava-se sem receios perante os centrais da Juventus. Pois, mas o que parece nem sempre é. Convém dizer que se há uma equipa que sabe controlar, mesmo nos momentos em que não tem bola, é a Juventus. Que até entrou em campo a ganhar por 2-0. E isto não é um pormenor.

Nos primeiros 25 minutos o equilíbrio, mesmo que aparente, estava refletido em campo.

Com o passar do tempo, o jovem Dybala, com a sua imprevisibilidae, começou a desestabilizar a defesa portista e os italianos perceberam que anulando Danilo resolviam muita coisa. Aqui abra-se um parênteses para dizer que o médio campeão europeu vai muito abaixo quando as coisas não lhe correm bem. E não estamos a falar de uma situação nova.

Com o intervalo ao virar da esquina e sabendo que um golo na baliza de Buffon podia alterar o panorama da eliminatória, surgiu mais do mesmo: expulsão de Maxi Pereira, que impediu com a mão longe do corpo que a bola entrasse após remate de Higuaín. Na marcação do penálti Dybala fez o 1-0 que terminou, de vez, com o que restava de indefinição sobre quem seguia para os quartos-de-final.

E sem as expulsões?
Épreciso dizer que o FC Porto não foi uma equipa inferior - nem em futebol jogado, nem no marcador - nos dois encontros com a Juventus enquanto teve em campo tantos elementos como o seu opositor. E isto deve dar que pensar a Nuno Espírito Santo, pois já no play-off de acesso à fase de grupos esteve a um pequeno passo de hipotecar a qualificação quando Felipe foi expulso no Dragão diante da Roma.

Claro está que com menos um jogador, e tudo decidido, Nuno desistiu compreensivelmente e tentou gerir danos ao recompor a defesa com a entrada de Boly - passou Marcano para lateral-esquerdo e Layún para lateral-direito -, que entrou para o lugar de André Silva (tocado?). E assim havia a esperança de o resultado não se avolumar, o que não aconteceu porque a Juventus também não estava para grandes correrias. Allegri, inclusivamente, prescindiu inicialmente de Chiellini e Pjanic e durante a segunda parte fez sair os imprescindíveis Cuadrado e Dybala, para além de Benatia, que esteve na origem da grande oportunidade do FC Porto em todo o jogo quando aos 49 minutos se deixou antecipar por Soares , isolado por Óliver, e o brasileiro galgou terreno, sobre a esquerda, para rematar cruzado à saída de Buffon.

A última meia-hora foi totalmente dispensável. Deu para Nuno poupar Óliver e Brahimi - que não gostou muito da substituição e por isso teve direito a um conforto do seu treinador - e para Diogo Jota, que rendera o argelino no FC Porto, desperdiçar mais uma boa oportunidade.

Não está em causa o vencedor da eliminatória, pois a Juventus marcou três golos, não sofreu nenhum e é uma equipa com vastos argumentos, mas nunca saberemos o que teria sidoa eliminatória se os dois jogos tivessem terminado sem expulsões.

Uma coisa todos sabemos: o milagre era muito desejado, mas esteve sempre demasiado longe de ser alcançado. E milagres não acontecem muitas vezes e dão muito trabalho, que o diga Casillas, o guarda-redes do FC Porto que até teve uma noite bem tranquila e que esta terça-feira passou a ser o futebolista com mais jogos em provas organizadas pela UEFA - 175.

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