Madureira banido e FPF decide se joga pelo Canelas

IPDJ proíbe líder dos Super Dragões de entrar seis meses em recintos desportivos. Federação tem de se pronunciar sobre o caso

Fernando Madureira, líder da claque SuperDragões, foi proibido de frequentar recintos desportivos durante seis meses (e multado em 2600 euros) por deliberação do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Em causa estão os cânticos - "quem me dera que o avião da Chapecoense fosse do Benfica" - entoados no jogo de andebol entre os dragões e as águias, em abril, e este castigo coloca agora uma questão: será que Madureira fica também impedido de jogar pelo Canelas 2010, clube que disputa a Série B do Campeonato de Portugal e do qual Madureira é capitão de equipa?

Esta decisão [de poder jogar pelo Canelas], sabe o DN, terá de passar sempre pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), provavelmente pelo Conselho de Disciplina, a quem caberá suspender (ou não) o jogador. Fonte do IPDJ disse ao DN que dado que Fernando Madureira está impedido de frequentar recintos desportivos, o castigo deverá ser extensível à sua função de jogador do Canelas. Mas esta questão levanta ainda algumas dúvidas, pelo que a FPF terá de se pronunciar

O DN sabe que o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol não foi notificado pelo IPDJ desta decisão (e não é certo que o seja), pelo que irá estudar o caso e decidir à luz dos regulamentos se irá aplicar a Fernando Madureira a mesma pena enquanto jogador de futebol do Canelas 2010. Ou seja, pode dar-se o caso de o líder da claque SuperDragões estar impedido de entrar em recintos desportivos durante seis meses... mas poder jogar normalmente todos os fins de semana pela equipa de futebol gaiense.

Para já, Fernando Madureira vai apresentar recurso da decisão do IPDJ no Tribunal Judicial do Porto, o que suspende o castigo, sendo por isso bastante provável que esteja presente no clássico com o Benfica agendado para o dia 1 de dezembro. Em declaraçõe ao Expresso, o líder da claque portista disse estar a ser vítima de "uma tremenda injustiça" e que esta decisão "é mais um ataque de perseguição ao FC Porto, numa altura em que a Liga está ao rubro por causa do terceiro lugar do Benfica".

A claque SuperDragões também reagiu ao castigo do seu líder, manifestando "total surpresa e repúdio" pela decisão e considerando a medida "verdadeiramente absurda e sem qualquer fundamento legal conforme será provado nas instâncias competentes": "Absolutamente inédita pois jamais um cidadão foi punido por entoar um qualquer cântico, fosse ele mais ou menos ofensivo".

No mesmo comunicado, a claque lembra que casos que considerou mais graves não foram alvo de qualquer punição. "Ficamos, portanto, a saber que no desporto em Portugal, um cântico é mais grave do que violência física praticada contra outros adeptos ou forças de autoridade. Mas até os próprios cânticos têm cor clubística pois aqueles que aludem a crimes como o very light no Jamor continuam a ser permitidos e não sofrer qualquer punição." E deixam uma ameaça: "Se calhar, num país onde a ilegalidade continua a ser premiada, está na altura de mudar de comportamentos e deixar de colaborar ativamente com forças de segurança e demais instâncias responsáveis por eventos desportivos."

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