Telma Monteiro é campeã da Europa de judo pela sexta vez

Judoca do Benfica somou a 15.ª medalha em 15 participações em europeus. Aos 35 anos a única medalhada olímpica de Portugal chega assim de novo ao topo.

Telma Monteiro é campeã da Europa de judo pela sexta vez. A judoca portuguesa bateu a eslovena Kajzer na final e fez ouvir A Portuguesa pela primeira vez nos Campeonatos Europeus de Judo de Lisboa.

Nem a máscara escondeu o sorriso de orelha a orelha e nem o distanciamento sanitário impediu o abraço à família que estava no pavilhão e à equipa. Telma confessou que competiu com o ombro magoado, mas para ela "foi um dia perfeito", pois "ser campeã da Europa em Lisboa era um sonho adiado".

É a segunda medalha do dia para Portugal, depois do bronze de João Crisóstomo. Para a judoca do Benfica é a 15.ª medalha em outras tantas participações em Europeus. Ou seja conquistou medalhas em todos os Campeonatos da Europa que disputou. Um registo impressionante que a tornam na mais medalhada da prova e dona de mais de um terço (15 das 35) das medalhas que o judo português já conquistou em europeus.

Telma tem agora seis ouros - Tampere (2006), Belgrado (2007), Tbilisi (2009), Chelyabinsk (2012) Baku (2015) e Lisboa (2021) -, duas pratas - Istambul (2011) e Praga (2020) - e sete bronzes - Bucareste (2004), Roterdão (2005), Viena (2010), Budapeste (2013), Montpellier (2014), Telavive (2018) e Minsk (2019).

Em Lisboa igualou o número de medalhas da alemã Barbara Classen (15), sendo que apenas o holandês Anton Geesink tem mais (25), mas tanto ele como a alemã competiam em mais de uma categoria no mesmo Europeu.

No combate final diante de Kajzer (15.ª do mundo e com quem Telma Monteiro tinha perdido em 2020, em Telavive), a judoca do Benfica (10.ª do ranking mundial) conseguiu pontuar para ippon, terminando de imediato o combate, aos 39 segundos do prolongamento (golden score).

Antes da final, Telma tinha vencido a experiente austríaca Sabrina Filzmoser (waza-ari), duas vezes campeã europeia e 31.ª do mundo, a belga Mina Libeer (ippon), 48.ª, e a kosovar Nora Gjakova, quarta a nível mundial e a grande favorita em Lisboa.

"Deixo o recorde para quem quiser bater"

"É fantástico. Acho que é difícil encontrar palavras. Queria chorar outra vez... Foi duro, a preparação foi muito dura. Magoei-me no ombro quando estava a preparar o Europeu e o apuramento olímpico. Tinha esta oportunidade de disputar o título em casa. Sabia que ia ser difícil, há que dar mérito às adversárias, porque são elas quem me faz mais forte. Foi um dia perfeito. Deixei tudo, costumo dizer que deixei a vida. Mas para alguém me ganhar tinha também de deixar a vida. Quando acordei senti que ia fazer história. E quando meto uma coisa na cabeça só paro quando o consigo", disse a judoca, depois de receber o ouro.

Ela andava há um mês a dizer que ia "ser campeã da Europa, mesmo com um ombro magoado". Telma assumiu ainda que ganhar em Lisboa tem outro sabor: "É super especial, era um sonho que estava adiado. Quando és campeã em casa, com uma meia final de sete minutos, foi um dia perfeito. Melhor assim do que ganhar rápido. Ganhar em casa, seis títulos, 15 medalhas, ser a mais medalhada de sempre, deixo o recorde para quem quiser bater."

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