Europeu sub-21. A vitória que falta para uma geração que já atingiu o topo

Portugal e Alemanha decidem este domingo à noite, em Ljubljana, quem levantará a taça de campeão da Europa. Em comparação com os alemães, a equipa das quinas apresenta mais jogadores que na última época já jogaram em clubes de I Divisão... a exceção é Dany Mota.

Chegou o grande dia. A seleção nacional de sub-21 vai tentar este domingo à noite (20.00, RTP1) conquistar o título de campeão da Europa da categoria. A Alemanha é o último obstáculo e o Estádio SRC Stozice, em Ljubljana, capital da Eslovénia, será o palco onde todos os sonhos são possíveis. Para trás fica uma caminhada iniciada a 5 de setembro de 2019, com uma goleada de 4-0 a Gibraltar, em Alverca. Seguiram-se 15 jogos, pelo meio uma paragem do futebol devido à pandemia, e um total de 15 vitórias, uma derrota (na fase de apuramento com a Holanda), 41 golos marcados e 12 sofridos. O dia de hoje poderá entrar para a história como aquele em que, finalmente, foi conquistado o único título europeu que falta nas vitrines da Federação Portuguesa de Futebol.

Um ano e nove meses depois do pontapé de saída, o selecionador Rui Jorge mantém a base da equipa. É certo que utilizou 36 jogadores em toda a caminhada, mas a maioria dos 23 que estão na fase final do Euro 2021 fizeram sempre parte das opções do treinador. Numa altura em que estão muito perto de alcançar o topo da montanha, todos eles sabem que depois disso têm outra para escalar e que vai ditar o sucesso ou insucesso das suas carreiras profissionais.

Para já, o panorama é animador pois, ao contrário do que acontece na seleção da Alemanha, quase todos eles jogam em equipas de I Divisão, sendo a única exceção o avançado Dany Mota, um dos melhores marcadores desta fase final (três golos) que joga no Monza, do segundo escalão do futebol italiano. Em contraste, os alemães apresentam-se nesta final com oito jogadores que na última época atuaram em escalões secundários - seis na Bundesliga 2, um nas ligas regionais alemães e outro no Championship, de Inglaterra.

No entanto, os 23 jogadores alemães contabilizam, em média, quase 2000 mil minutos por atleta, enquanto os portugueses não chegam aos 1400 minutos. Uma diferença que se pode explicar com o elevado número de futebolistas que representaram na última época clubes que lutam por títulos, como Diogo Costa, Romário Baró, Fábio Vieira e Francisco Conceição (FC Porto), Gonçalo Ramos (Benfica), Luís Maximiano e Daniel Bragança (Sporting), Tiago Djaló (Lille) e Florentino Luís (Mónaco), todos eles com um tempo de utilização inferior a 1500 minutos. Ao contrário de Diogo Leite (FC Porto), Gedson (Tottenham e Galatasaray), Tiago Tomás (Sporting), Diogo Dalot e Rafael Leão (AC Milan), que superaram essa barreira.

Do outro lado, apenas cinco jogadores alinharam em clubes de topo, sendo que todos foram importantes nas suas equipas, dois na liga belga - Lukas Nmecha no Anderlecht e Niklas Dorsch no Gent -, outros tantos nos austríacos do RB Salzburgo - Mergim Berisha e Karim Adeyemi - e finalmente o médio Florian Wirtz, de apenas 18 anos, que foi a revelação do Bayer Leverkusen. Todos eles com mais de 35 jogos pelos respetivos clubes no último ano.

Na prática, a final do Euro 2021 representa para todos os jogadores que vão estar em campo não só uma oportunidade de conquistar um título internacional, mas também para abrirem caminho para o futuro, numa altura em que muitos deles ainda não sabem que equipa vão representar na próxima época.

Futuro por decidir

Dany Mota é bem o exemplo de um jogador para quem o Europeu poderá ser o trampolim, uma vez que em junho de 2020 foi vendido pela Juventus ao Monza por 2,3 milhões de euros e agora pode estar na iminência de voltar a um clube de topo. Outro caso interessante é o de Vitinha, um dos melhores jogadores de Portugal no torneio, que está emprestado pelo FC Porto ao Wolverhampton, clube que tem uma cláusula de opção de compra de 20 milhões de euros e poderá exercê-la.

Já Pedro Pereira, Tomás Tavares, Florentino, Gedson e Jota poderão aspirar a voltar ao Benfica, depois de um ano de empréstimo a outros clubes e esta tem sido uma boa oportunidade de começarem a conquistar o treinador Jorge Jesus, que tem Gonçalo Ramos debaixo da sua asa. Há ainda o contingente de seis jogadores do FC Porto, que têm mostrado capacidade e talento para exigir mais minutos na equipa. A estes poderá ainda juntar-se-lhes Filipe Soares e Abdu Conté, jovens da formação de Benfica e Sporting, respetivamente, que representam o Moreirense e estão a ser cobiçados pelos dragões.

Em Alvalade, Rúben Amorim tem apostado em Daniel Bragança e Tiago Tomás, que têm correspondido na seleção de sub-21, faltando apenas saber o que está reservado para o guarda-redes Luís Maximiano, suplente também na equipa de Rui Jorge.

Mais embalados na carreira estarão Rafael Leão, peça importante na reconstrução do Milan, tal como Diogo Dalot, por quem os rossoneri ponderam apresentar alguns milhões ao Manchester United para garantirem em definitivo este lateral que tem surpreendido em Itália.

A única certeza que todos eles têm é que os próximos 90 minutos são a grande oportunidade de conquistarem a glória internacional e assim fecharem com chave de ouro uma caminhada que os colocou na montra o futebol. Se à terceira final do Europeu de sub-21, Portugal conquistar finalmente o título é certo que estes jogadores vão ficar na história do futebol nacional ainda antes de serem verdadeiras estrelas internacionais.

carlos.nogueira@dn.pt

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