Segundo duelo mais jogado do mundo em estreia no Europeu

Áustria e Hungria já se defrontaram em 135 ocasiões. Os primeiros 26 duelos foram sob o jugo do Império Austro-Húngaro

Áustria e Hungria defrontam-se nesta tarde em Bordéus naquele que é um reencontro com a história, pois este é o segundo duelo com mais jogos do futebol mundial, com 135 partidas realizadas, apenas superado pelos 200 confrontos entre Argentina e Uruguai.

Só que aquele que é o maior clássico do futebol europeu já não se realizava há quase dez anos... e hoje será a primeira vez que se defrontam para um Campeonato da Europa (qualificação incluída), tendo jogado sete vezes para Mundiais, mas apenas uma vez na fase final, precisamente no Itália 1934, com triunfo austríaco por 2-1.

Estas duas nações têm uma longa história em comum, que teve o seu ponto mais alto quando formaram o Império Austro--Húngaro entre 1867 e 1918, cuja desintegração sucedeu no final da I Guerra Mundial. Curiosamente, apesar de fazerem parte do mesmo Estado, as seleções de futebol foram sempre independentes, tendo-se defrontado 26 vezes debaixo do mesmo regime - 19 desses jogos até se realizaram durante a I Guerra Mundial.

O futebol austríaco teve a sua grande equipa antes da II Guerra Mundial, quando tinha a denominada Wunderteam (equipa--maravilha) liderada pela estrela Matthias Sindelar, a quem chamavam Homem de Papel, devido à sua elasticidade e à forma como driblava os adversários. No entanto, esta seleção que encantava a Europa acabou por ser anexada pela Alemanha nazi, embora Sindelar tenha recusado representar os germânicos.

O auge da seleção húngara surgiu no pós-guerra, quando os Mágicos Magiares de Puskas, Czibor e Kocsis estiveram perto de se sagrarem campeões do mundo em 1954, quando foram derrotados pela Alemanha na final por 3-2.

O húngaro que joga pela Áustria

Atualmente, Áustria e Hungria estão longe de ser potências do futebol europeu. Estão, aliás, numa fase de renascimento, mas continuam a ter ligações próximas. O maior exemplo disso é o lateral direito austríaco György Garics, que nasceu na Hungria, mas aos 14 anos mudou-se para o Rapid Viena, onde completou a formação e começou a jogar pelas seleções jovens austríacas.

Hoje será a primeira vez que vai defrontar o país onde nasceu, precisamente cinco dias depois da morte do pai, após uma longa batalha contra um cancro, que também foi futebolista.

"Devido à morte do meu pai este jogo terá uma carga emotiva muito maior", revelou Garics, que nesta tarde antes do jogo irá cantar os dois hinos. O defesa revelou ainda que decidiu manter-se no Europeu porque um dos sonhos do seu pai era precisamente vê-lo jogar nesta competição. "Perguntei-lhe se queria que eu ficasse com ele, mas disse-me que devia vir com a seleção", revelou.

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