"Estava com uma prancha mágica e as ondas vieram ter comigo"

O surfista luso-germânico, de 33 anos, venceu a segunda etapa da Liga Meo, o Renault Porto Pro, no passado domingo. Uma vitória algo inesperada que colocou fim a cinco anos de jejum na Liga.

Venceu o Renault Porto Pro, uma etapa radicalmente diferente da Ericeira, onde o mar esteve gigante e condições complicadas...

Sim, foi completamente diferente da Ericeira, mesmo que as condições no primeiro dia também estivessem complicadas, mas de forma oposta. Os fundos de areia da praia de Matosinhos estavam muito bons, mas o mar pequeno e havia muito vento. Ainda por cima, experimentei uma prancha nova, de epoxy e não se deu muito bem com o vento. É um material mais leve, mais sensível e que não é o melhor para usar com vento. Mas depois mudámos para Leça, sem vento, com ondas boas e aí foi fantástica. Nunca tinha experimentado este material e adorei. Foi o Nick Uricchio da Semente que a shapou antes de ir de férias e o Gony [Zubizarreta] quem me a trouxe.

Ironicamente acabou por ser a "arma" que derrotou o próprio Gony na final...

Sim, exato.

Não ganhava uma etapa da Liga Meo há cinco anos. Já sentia falta?

Não estava à espera. E até comecei mal, com alguns erros. Mas no segundo round, num dos heats mais difíceis da prova, com o Pedro Henrique e o Von Rupp, as coisas mudaram. Eu sabia que naquele heat era tudo ou nada: ou perdia ou ganhava embalo. E as coisas saíram-me bem. Depois, ainda defrontei o Vasco [Ribeiro], que embora não esteja a 100% é um nome de peso. Se não estivesse a recuperar de uma lesão teria sido muito complicado ganhar-lhe. Depois foram as meias com o Francisco Alves, que é nosso patrocinado e surfou muito bem, e a final com o Gony.

Uma final com um amigo e parceiro de negócios. Foi descontraída ou com mais rivalidade ainda?

A final foi mais um free surf do que competição. Ambos queríamos ganhar, mas estávamos relaxados. Sentíamos que já éramos vencedores, tudo o que viesse era bónus. Mas estava com uma prancha mágica, as ondas vieram ter comigo e tudo se encaixou.

Olhando para as suas características, um surfista que gosta de ondas mais pesadas, a etapa do Porto não seria aquela em que esperava ganhar...

Talvez, mas a verdade é que já também tirei um segundo lugar em Matosinhos. Pelo menos favorece-me mais do que Ribeira d"Ilhas. Aprecio mais o Guincho ou Praia Grande, mas Matosinhos, quando há ondulação, é uma onda que tem qualidade e punch.

Ambos fizeram a final com chapéus onde exibiam a vossa marca. Estava planeado?

A última final juntos foi num QS [Etapa do Mundial de Qualificação da WSL] na Cordoama, há oito anos, e fomos os dois com chapéu. Resolvemos repetir o ritual. Foi uma etapa com muito sucesso para a nossa marca (JAM traction), já que tivemos o Francisco Alves e a Teresa Bonvalot nos pódios.

Cada vez mais sucesso para o seu lado de empreendedor...

Sim, estamos a ter sucesso por todo o país e a registar cada vez mais interesse na nossa marca de material técnico. Tanto que não sei quando vou voltar a ter mais tempo para surfar. Estou agora em Lisboa, dividido entre entrevistas e compromissos com a marca e com o meu café, o Comoba, no Cais do Sodré.

Esta vitória é um ataque à Liga ou apenas um triunfo circunstancial?

Não, não mudou em nada o meu foco. Estou na competição há 20 anos e está a saber-me muito bem desligar a cabeça e não estar preocupado com as pranchas certas, com o próximo campeonato... Fui mais para estar com amigos e num mundo que conheço bem e do qual não gostaria de me desligar. Ribeira d"Ilhas foi um pouco estranho e nem tive oportunidade de ganhar ritmo, teve condições muito estranhas e perdi logo no segundo round. Não vou pensar muito em vitórias e mostrar o meu surf. No Porto correu bem, mas cometi alguns erros em que vou trabalhar.

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