Frank Lampard já se retirou, falta a estátua em Stamford Bridge

14 títulos e cinco clubes depois, o melhor futebolista da história do Chelsea pendura as botas aos 38 anos. "Um profissional de elite e um exemplo", lembra Nuno Morais ao DN

Em dois meses o futebol inglês perdeu duas das suas referências mais importantes das últimas duas décadas. Primeiro Steven Gerrard, no final de novembro, e nesta quinta-feira Frank Lampard, médio que ganhou uma dimensão mundial quando José Mourinho assumiu o Chelsea em 2004. Com o português ao leme, Lampard conseguiu finalmente chegar ao título inglês (algo que Gerrard jamais atingiu no Liverpool) e mostrar-se ao mundo como um dos melhores futebolistas do planeta, de tal forma que só perdeu a Bola de Ouro em 2005 para um sensacional Ronaldinho Gaúcho.

Como todas as histórias com final feliz, esta também foi adornada com algumas peripécias que podiam ter levado Lampard a passar ao lado de uma grande carreira.

Após a estreia na Premier League, em 1996, ao serviço do West Ham, o jovem Lampard sofreu uma lesão muito grave no ano seguinte. Demoraria a voltar a ser visto como um jogador promissor, mas a sua persistência foi mais forte e, em 1999-2000, época em que Mourinho se estreava como treinador principal no comando do Benfica, Lampard faria 14 golos. No final dessa temporada, o médio rumaria ao Chelsea a troco de 18 milhões de euros, ao passo que Mourinho seria nomeado treinador da União de Leiria.

Três anos depois uniram os destinos em Stamford Bridge e o Chelsea sagrou-se campeão, cinco décadas depois do último título inglês. Naquela altura, a qualidade de Lampard já era unânime. "Vai de uma área à outra sem problemas, raramente falha um jogo e é jogador que garante 20 golos por época. Não há dúvidas, Frank Lampard seria sempre um futebolista excecional em qualquer equipa", reconheceu Alex Ferguson, treinador do rival Manchester United.

Mas como era no balneário dos londrinos? "Tenho ótimas memórias dele. Era uma pessoa e um amigo exemplar. Eu era um jovem com 18 anos e recebeu-me muito bem, sem fazer qualquer distinção. Tratou-se de um futebolista de elite. Tive o prazer de trabalhar diariamente durante dois anos com o melhor futebolista da história do Chelsea", diz ao DN Nuno Morais, atual jogador dos cipriotas do APOEL.

Em 2007, Lampard separou-se de Mourinho. Uma separação que podia ter sido por poucos meses pois o português quis levá-lo para o Inter de Milão e mais tarde para o Real Madrid. Nada disso, amor é amor, e Lampard foi sempre fiel ao Chelsea.

Nos seis anos em que esteve longe do português teve desentendimentos com outro português, André Villas-Boas, venceu a Liga dos Campeões, uma Liga Europa, à custa do Benfica, e apenas um título inglês, para juntar aos dois que tinha conquistado ao lado do português. Mas nunca mais atingiu aquela dimensão de... galáctico.

Reencontrou o mentor em 2013, mas um ano depois deu-se o que ninguém imaginaria. José Mourinho dispensou a lenda e nem mostrou arrependimento quando o médio, na condição de cedido pelo New York City, marcou em representação do Manchester City. Mas deixou-lhe o maior dos elogios. "Frank é Frank e um dia vai estar ao lado de Peter Osgood [mítico avançado do Chelsea] numa estátua construída para ele, porque ele é fantástico", referiu o português, uma espécie de tutor de um médio que ainda foi tentado a ajudar nesta época os galeses do Swansea e que ontem recebeu uma homenagem sentida de outro protegido do técnico português.

"Se Lampard e Gerrard tivessem jogado juntos no mesmo clube ninguém falava de Xavi e Iniesta", disse o polémico sueco Ibrahimovic, que privou com os dois espanhóis um ano, na Catalunha.

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