Emma Raducanu. Vitória histórica num hino à multiculturalidade do ténis

Aos 18 anos, a britânica venceu o US Open sem perder qualquer set e vinda da qualificação. Há 44 anos que uma inglesa não vencia um torneio do Grand Slam.

Emma Raducanu fez história (e a triplicar) no ténis ao vencer, este domingo, o US Open com 18 anos, após derrotar a canadiana Leylah Fernandez em dois sets (6-4 ,6-3). O título do Grand Slam rendeu-lhe uma mensagem da Rainha Isabel II, 2,1 milhões de euros e mais um milhão se seguidores no Instagram.

Numa das finais mais surpreendentes dos últimos tempos e com duas adolescentes a disputar um lugar na história, o jogo entre Emma (18 anos) - filha de pai romeno e mãe chinesa, nascida no Canadá e de nacionalidade britânica - e Leylah Fernandez (19 anos) - filha de pai equatoriano e mãe filipina, nascida e criada no Canadá e a viver nos EUA - foi um verdadeiro hino à multiculturalidade, num país onde a imigração é um tema constante.

A família de Emma mudou-se para Bromley (perto de Londres) quando ela tinha apenas dois anos. Ela adorava desporto e a raquete nem foi a primeira paixão. Praticou kart, motocrosse, hipismo, golfe, esqui e basquetebol antes de se fixar no ténis. A entrada nos courts deu-se com nove anos e uma ascensão meteórica. Foi campeã britânica com 9, 12 e 16 anos e venceu o primeiro torneio ITF com 13.

Profissional desde 2018, passou pelo qualifying do ITF do Lisboa Racket Centre até deslumbrar em Wimbledon, onde se tornou a mais jovem britânica a ficar entre as 16 melhores desde 1968, apesar de ter sido obrigada a desistir, devido a uma infeção respiratória. Foi em Nova Iorque, esta semana, que protagonizou o mais belo filme da carreira e com um final feliz, bem ao estilo Hollywood.

No US Open, ela foi do qualifying ao triunfo final e sem perder qualquer set. Ninguém o tinha feito num Grand Slam. Venceu, inclusivamente, a campeã olímpica Belinda Bencic (12.ª do ranking mundial). E assim conquistou um título que não ia para o Reino Unido há 53 anos e pôs fim a um jejum britânico de 44 anos em Grand Slams femininos - a última a vencer tinha sido Virginia Wade (Wimbledon 1977).

Nem a Rainha de Inglaterra ficou indiferente ao feito da jovem tenista, tendo-lhe enviado uma carta que será emoldurada, segundo a própria: "Congratulo-a pelo êxito. É uma conquista incrível para alguém tão jovem, e uma afirmação para o trabalho duro e dedicação."

A tenista britânica começou o verão como 338.º do mundo, entrou em Flushing Meadows, como número 150 e saiu entre as melhores: hoje quando o ranking WTA for atualizado será 23.ª."Joguei um grande ténis, diverti-me e no fim consegui um título com o qual sonhava, mas que não pensava alcançar quando cheguei para a qualificação", confessou Emma Raducanu, a nova promessa de estrela do ténis.

isaura.almeida@dn.pt

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